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Estado de Minas DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADE

Três perguntas para...

Washington Novaes, jornalista, ambientalista e produtor de televisão


postado em 10/06/2012 06:00 / atualizado em 07/06/2012 16:23

(foto: Marcelo Novaes/Divulgação)
(foto: Marcelo Novaes/Divulgação)
Que avaliação o senhor faz dos resultados alcançados nos últimos 20 anos pela Rio-92?
A Rio-92 aprovou, primeiro, a Convenção do Clima, um compromisso dos países industrializados de reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa. Mas isso só foi regulamentado cinco anos depois, em 1997, pelo Protocolo de Kyoto. Naquele momento, ficou acertado que os países signatários do documento reduziriam suas emissões em 5,32% sobre o que emitiam em 1990, e, até hoje, eles não cumpriram essa meta. A segunda convenção assinada em 92 foi a da biodiversidade. Por causa da perda enorme que estava ocorrendo de biodiversidade e de florestas, ficou acertado que seriam criados mecanismos de proteção, bem como áreas protegidas. Em Nagoya, no Japão, em 2010, o que se constatou foi que a perda continuava forte em todo o mundo. Nós já perdemos de 25% a 30% das espécies. O terceiro acordo firmado foi a Agenda 21, que estabeleceu uma porção de princípios e o mecanismo financeiro pelo qual se poderia avançar na redução da pobreza e na melhoria, por exemplo, de indicadores como esgotamento sanitário e outros.

O senhor se considera mais otimista ou mais pessimista em relação aos resultados da Rio 20?
Tento não ser nem otimista nem pessimista. Tento ser realista. Estamos diante de situações extremamente graves no mundo. Nosso planeta está falido. Estamos consumindo mais que 50% do que o planeta pode repor. E isso é absolutamente inviável. Cada ser humano consome, em média, sete toneladas de materiais por ano, o que equivale a quase 50 bilhões de toneladas por ano, algo absolutamente insustentável. Temos ainda o problema da água, o da desertificação, além do problema do clima.

Na Rio+20, um dos principais temas em discussão será o da economia verde. Qual a visão do senhor sobre esse assunto? É uma ideia viável de ser implementada?
É uma proposta muito complexa de ser colocada em prática, porque esbarra em fatores de alta complexidade. Como é que eu vou fazer para mudar os cálculos e fazer com que os fatores ambientais passem a ser considerados no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) de um país? Que fórmula vou adotar para incluir o valor dos recursos naturais, por exemplo, no trabalho doméstico das mulheres ou dos operários não formalizados? E, ao mesmo tempo, como vou impedir que o consumo excessivo e a emissão de poluentes continuem a ocorrer? As recomendações teóricas são no sentido de que se estabeleçam taxas. Mas tudo isso é muito difícil.

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