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Estado de Minas DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADE

Em busca do equilíbrio

Erradicação da pobreza extrema é o principal tópico da mesa de discussão com o tema economia verde, que visa melhoria da qualidade de vida na Terra


postado em 10/06/2012 06:00 / atualizado em 07/06/2012 16:34

Situação de pobreza extrema em algumas regiões do país, como Belém, assusta. Sem equidade social, com acesso de todos a condições dignas de vida, como moradia e saúde, mudança na sociedade não ocorrerá(foto: Paulo Santos/Reuters)
Situação de pobreza extrema em algumas regiões do país, como Belém, assusta. Sem equidade social, com acesso de todos a condições dignas de vida, como moradia e saúde, mudança na sociedade não ocorrerá (foto: Paulo Santos/Reuters)
A Rio+20 terá como um dos temas centrais a economia verde. A expressão foi cunhada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) para ser oficialmente usada durante a conferência. O tema vinha sendo discutido em círculos técnicos e, até então, não era de uso corrente. Ele designa a tentativa de colocar em um mesmo patamar a preservação do meio ambiente e a inclusão social - temas que, na história, nem sempre caminharam juntos.

De acordo com relatório técnico do Pnuma, o investimento de apenas 2% do produto interno bruto (PIB) global em 10 setores-chave da economia pode dar início à transição rumo a uma economia de baixa emissão de carbono e à eficiência de recursos. O documento afirma que essa transição se torna possível se o aporte for investido anualmente, o equivalente a US$ 1,3 trilhão, entre o momento atual e 2050, em uma transformação verde de setores como agricultura, edificações, energia, pesca, silvicultura, indústria, turismo, transporte, água e gestão de resíduos.

Sob o panorama de uma economia verde, o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental não seriam mais incompatíveis. Ao contrário, uma economia verde criaria empregos e progresso econômico, ao mesmo tempo em que ajudaria a reduzir a mudança climática, a escassez de água e a perda de ecossistemas.

A expressão "economia verde" tem gerado controvérsias. De um lado estão os que a apoiam, como o setor empresarial. No outro estão muitas ONGs ambientalistas e pensadores de esquerda. Para o gerente de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Wagner Soares Costa, o mérito da economia verde é ressaltar que para haver inclusão social, é preciso haver desenvolvimento e que ele não precisa, necessariamente, ser predador. "Com isso, podemos aliar o econômico ao social e ao ambiental", afirma.

OUSADIA


Quem também defende a economia verde é a ministra de Meio Ambiente, Isabela Teixeira, que, ao participar recentemente de evento empresarial no Rio de Janeiro, cobrou dos países mais atitude para garantir o desenvolvimento da economia verde. "Os países, no contexto da economia verde, precisam ser ousados, e essa ousadia vai desde o acesso até a qualidade do que é gerado e a eficiência do que estamos consumindo", afirmou a ministra.

No lado oposto, as críticas são de que os fundamentos teóricos da economia verde não contemplam a discussão sobre, por exemplo, o consumo excessivo, ou mesmo sobre mecanismos como o de transferência dos créditos de carbono. O diretor de Políticas Públicas da Fundação S.O.S. Mata Atlântica, Mauro Mantovani, é um desses críticos. "Vejo a economia verde muito mais como uma coisa para tentar justificar investimentos em controle ambiental do que como uma política ambiental correta. Fazer carro que anda 50 quilômetros com um litro de combustível não é economia verde. É obrigação. Reciclagem também não é nada de economia verde. É obrigação. Economia verde é agregar valor aos produtos naturais, é proteger as florestas. É não usar agrotóxicos".

Apolo Heringer Lisboa, fundador do Projeto Manuelzão, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, também critica a ideia de economia verde. "Ela representa o apocalipse. Não tem nenhum avanço nisso". Para ele, os mecanismos de transferência de créditos de carbono, por exemplo, não contribuem para a preservação ambiental, porque permitem que, no país de origem, o empreendedor continue a degradar.

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