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Estado de Minas DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADE

Esperança na nanotecnologia

No desafio de tornar energia mais limpa sem parar o desenvolvimento, o Brasil saiu na frente


postado em 10/06/2012 06:00 / atualizado em 07/06/2012 15:47

Avanço da energia eólica ainda esbarra no alto custo dos equipamentos. Mas cientistas já estudam a implantação de uma usina solar acima das nuvens(foto: Luiz Ribeiro/DA Press)
Avanço da energia eólica ainda esbarra no alto custo dos equipamentos. Mas cientistas já estudam a implantação de uma usina solar acima das nuvens (foto: Luiz Ribeiro/DA Press)
A imagem que melhor ilustra o atual momento é dos aviões de reabastecimento que, durante a guerra, conseguem abastecer os bombardeios sem ter que retornar ao solo. O mundo não pode parar para que seja feita a troca do petróleo pelos combustíveis com baixa geração de carbono. Toda a engrenagem econômica tem que continuar em pleno funcionamento. Esse é o desafio.

Nesse ponto, o Brasil saiu na frente. O país tem uma das matrizes de energia mais limpas do mundo. Aqui, 46,5% de toda a energia produzida vêm de fontes renováveis, com destaque para a biomassa (17,8%), hidreletricidade (14%) e lenha e carvão vegetal (9,7%). Em “outras fontes renováveis” estão as energias solar e eólica, que, por enquanto, têm peso muito pequeno na matriz energética brasileira.

De acordo com o engenheiro eletricista Flávio Mayrink, coordenador do projeto Minas Sustentável, da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a situação da matriz energética brasileira pode melhorar ainda mais se alguns cuidados forem observados. Em relação à energia hidrelétrica, ele defende um melhor aproveitamento das quedas d’água. Mayrink reconhece que a construção de hidrelétricas causa danos ambientais, especialmente pela inundação de áreas de reserva florestal e a criação de barreiras para a reprodução dos peixes.

Porém, ele alega que se for feita uma análise global da área inundada no país por hidrelétricas, ela é muito pequena em comparação ao território nacional. Sobre as termoelétricas – usinas que geram energia a partir da queima de carvão, óleo combustível ou gás natural em uma caldeira –, Mayrink as considera uma opção a ser evitada. “Podemos estar sujando nossa matriz energética. O país vai ter que gerar a energia em algum lugar”, pondera.

O avanço das energia solar e eólica esbarra no alto custo dos equipamentos. No caso da solar, o nó está, segundo Mayrink, na produção dos painéis fotovoltaicos, cujo principal componente, o silício, é um mineral caro. A solução, como indica, pode vir da nanotecnologia, que, para substituir o silício, desenvolveu o grafeno, com o qual será possível criar até painéis fotovoltaicos dobráveis, que poderão ser transportados de um local para outro, onde a produção de energia vier a ser necessária.

NO CÉU
Outra novidade, que também utilizaria a nanotecnologia, pode vir do céu. Cientistas americanos estão estudando o projeto de implantação de uma usina solar acima das nuvens. Seriam usados painéis dobráveis dispostos em uma parabólica de um quilômetros de extensão, que estaria posicionada a cerca de 30 quilômetros da Terra, na altura em que satélites acompanham a rotação do planeta. Dessa forma, seria possível aproveitar a luz durante praticamente os 365 dias do ano. A energia produzida seria enviada à Terra na forma de micro-ondas e captada por outra parabólica. Aqui, seria transformada e inserida na rede de distribuição.

Para José Carlos Carvalho, que foi ministro de Meio Ambiente durante os dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o Brasil pode aumentar ainda mais a presença das energias renováveis em sua matriz energética, em um percentual que, segundo ele, pode chegar a algo em torno de 70%. Basta, para isso, priorizar as energias eólica e solar, que têm um percentual de participação ainda muito pequeno, e, ao mesmo tempo, investir em programas de redução do desperdício de energia. “Nós podemos economizar uma Belo Monte fazendo economia de energia”, afirma Carvalho, que integra a delegação oficial brasileira na Rio+20.

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