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Estado de Minas EDITORIAL

Mudança depende de cada um

Vivemos hoje uma conjunção de situações limite.


postado em 10/06/2012 06:00 / atualizado em 07/06/2012 12:36

(foto: Nasa - 06/02/2012)
(foto: Nasa - 06/02/2012)
Engana-se quem pensa que o planeta Terra está prestes a entrar em colapso, vitimado pelo aquecimento global, pela superpopulação ou pelo excesso de consumo. Não. O mundo não vai acabar. Em outras eras, a Terra já passou por mudanças drásticas. Em seus 4,5 bilhões de anos de existência, já foi um mundo mais frio do que é hoje; outras vezes, mais quente. Na passagem de uma era para outra, muitas espécies de animais e plantas sucumbiram, pois não estavam preparadas para mudanças de temperatura. Mas a Terra não entrou em colapso. Apenas passou de uma era para outra. Uma transição lenta, que durava alguns milhares de anos.

Vivemos hoje uma conjunção de situações limite. Há seis meses, em outubro de 2011, chegamos a 7 bilhões de pessoas. Mais recentemente, no fim do mês passado, a Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou a preocupante informação de que a emissão global de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases causadores do efeito estufa, bateu o recorde. A tais fatos, acrescente-se a persistente indefinição quanto aos termos do acordo que vai substituir o Protocolo de Kyoto e o contínuo aumento do consumo nos países emergentes.

Em três dias, o Rio de Janeiro será palco de um encontro de nível global no qual tudo isso estará em pauta. Pretende-se que a Rio+20 seja uma pausa para uma discussão sobre o futuro do planeta. Ainda que seus organizadores não queiram o sentido de prestação de contas, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável será também um momento para fazer um balanço dos últimos 20 anos. Qual o saldo de tudo aquilo que foi decidido e proposto na Eco92? Avançamos em quais áreas? Em quais não conseguimos sair do papel?

Muitos dirão que duas décadas é um prazo muito curto para implementar mudanças de alcance global. Afinal, o que são 20 anos? Se considerarmos o tempo de vida do planeta Terra, não são nada. Se tivermos como referência a existência humana, 20 anos também representam muito pouco. Porém, se nossa referência de tempo for a Revolução Industrial e a revolução tecnológica das últimas décadas, 20 anos representam até muito. Há duas décadas, a Terra tinha 5,5 bilhões de habitantes, 1,5 bilhão a menos do que hoje. A China era apenas a nona economia mundial. Hoje, já é a segunda. O volume de recursos naturais extraídos do subsolo, como petróleo e minérios em geral, aumentou em 41%. E a temperatura do planeta subiu 0,4 grau. Em 20 anos, as mudanças foram gigantescas, e as perspectivas não são nada animadoras. O tempo é relativo. Depende dos objetivos que se pretende alcançar.

A Rio+20 será composta por três momentos. Nos primeiros dias, entre 13 e 15 de junho, ocorrerá a 3ª Reunião do Comitê Preparatório da Conferência, da qual participarão os representantes governamentais que serão responsáveis pela negociação final dos textos dos documentos que serão submetidos à discussão e aprovação dos chefes de Estado e de governo, na reunião prevista para ocorrer entre 20 e 22 de junho. Nesse intervalo, terão os eventos da sociedade civil, como a Cúpula dos Povos. Em seguida, será a reunião final do evento, com a presença dos chefes de Estado.

A história dos últimos 20 anos tem mostrado que os acordos ambientais de nível global não são muito simples de serem alcançados. Mais do que isso: sua execução nem sempre é tranquila. Assim, seria demais esperar que a Rio+20 venha a ser uma exceção e que do evento sairão as soluções para uma transição serena em direção a um mundo sustentável. O que se espera é que pelos menos os sinais dessa mudança sejam apontados nos próximos dias. Se isso ocorrer, já será um grande avanço.

Nesta edição especial, o Estado de Minas convida seus leitores a também participarem dessa reflexão, que interessa de perto principalmente a nós, os humanos, mas diz respeito também a todos os seres vivos, não importando seu porte ou sua complexidade orgânica. Porque seja qual for o desfecho para a crise climática, a Terra continuará sua jornada pelo espaço. Será um planeta um pouco mais quente, ainda belo, se visto do alto, mas com menos áreas verdes e, com toda certeza, muito menos aprazível à vida do que é hoje. Quanto a nós, só o futuro dirá.

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