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Estado de Minas

Camaradas comunistas também se despediram de Oscar Niemeyer

Além das coroas de flores enviadas pelos antigos amigos cubanos Fidel e Raúl Castro, o arquiteto foi homenageado pela família de Luiz Carlos Prestes e comunistas anônimos


postado em 08/12/2012 06:00 / atualizado em 08/12/2012 07:40

Rio – Entre as muitas coroas de flores que chegaram ao velório do arquiteto e ex-militante comunista Oscar Niemeyer, no Palácio da Cidade, estavam as enviadas pelo líder cubano Fidel Castro e pelo irmão Raúl Castro, presidente de Cuba. Fidel lembrou “o incondicional amigo de Cuba Oscar Niemeyer”. Raúl Castro citou na homenagem “o querido amigo Niemeyer”. Fidel assinou a faixa que acompanhava a coroa de flores como “comandante em chefe Fidel Castro Ruiz”. Seu irmão assina como “general Raúl Castro”. A homenagem foi entregue por intermédio da intelectual brasileira Marília Guimarães, que chegou ao salão nobre acompanhada pela deputada Jandira Feghali (PCdoB). Uma terceira coroa de flores foi enviada pelo embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez.

Na quinta-feira, Raúl Castro mandou mensagens de condolências para os parentes de Niemeyer e para a presidente Dilma Rousseff: “Receba nossas condolências e os profundos sentimentos de solidariedade perante a perda do querido amigo Oscar Niemeyer, um filho ilustre do Brasil, a quem a humanidade lembrará sempre por sua dimensão artística e humana”. Raúl e Fidel Castro também enviaram flores ao Palácio do Planalto, em Brasília, onde aconteceu o primeiro velório do arquiteto.

Oscar Niemeyer ingressou em 1945 no Partido Comunista Brasileiro (PCB), entrando em contato com Luiz Carlos Prestes e outros políticos de inclinação esquerdista. Ao longo das décadas, travou amizades com diversos líderes comunistas e socialistas ao redor do planeta, viajando constantemente à extinta União Soviética e a Cuba.

A viúva de Prestes, Maria Prestes, e Luiz Carlos Prestes Filho estenderam a bandeira do Partido Comunista ao lado do caixão de Oscar Niemeyer. Os dois destacaram a amizade do mestre da arquitetura com a família: “Papai e Oscar foram os grandes comunistas do Brasil. A população não perde só um grande artista, mas um grande homem. Ele sempre foi muito solidário a papai. Chegou a ceder sua casa quando ele saiu da prisão em 1945. Comprou um apartamento para ele quando voltamos da ditadura, por causa do exílio na União Soviética”, disse Prestes Filho. “Ele sempre se preocupou com o país. Frequentava a nossa casa, era um amigo fiel da família”, acrescentou Maria Prestes.

Dois militantes do PCdoB de Santo André, em São Paulo, também prestaram suas homenagens. A dupla, que chegou ao Rio pela manhã, levou uma grande faixa, na qual estavam pintadas as bandeiras do partido e do Brasil e o desenho da mão projetada pelo arquiteto que fica no Memorial da América Latina. “Somos de São Paulo e estamos fazendo esta homenagem, pois o monumento representa o sangue do trabalhador e a união dos povos da América Latina”, diz Simone Assis, que foi de ônibus para o Rio com Marcelo Viana. A faixa, feita pelo grafiteiro Hugo de Santo André, foi estendida no muro externo do Palácio da Cidade.

Bisneto do arquiteto, Paul Niemeyer, disse que o momento mais emocionante no velório em Brasília, na quinta-feira, foi quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) homenageou Niemeyer com a leitura da Carta Internacional Comunista. Na visão de Paul, esse foi o momento que mais simbolizou a trajetória política do bisavô.

O pastor Mozart Noronha, da Igreja Luterana, que participou do culto ecumênico realizado no fim do velório do arquiteto, afirmou que pela primeira vez no Rio de Janeiro “se faz uma celebração ecumênica para homenagear um ateu comunista”. Logo após o ato ecumênico muitas pessoas que acompanhavam a cerimônia fizeram algumas vezes a saudação comunista com os punhos cerrados, como muitas vezes Niemeyer apareceu em fotografias.

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