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Estado de Minas

Adeus ao múltiplo Oscar Niemeyer em Brasília

Políticos e admiradores de Niemeyer exaltam as vertentes de arquiteto, artista, compositor e revolucionário. Além da genialidade da obra, o legado dele é a luta pela igualdade


postado em 07/12/2012 00:12 / atualizado em 07/12/2012 08:15

Dois momentos da despedida: com o Corcovado ao fundo, cortejo segue em direção ao Aeroporto Santos Dumont. Em Brasília, obras, como a Catedral, emolduram o caminho do carro do Corpo de Bombeiros que levava o caixão (foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press. Brasil)
Dois momentos da despedida: com o Corcovado ao fundo, cortejo segue em direção ao Aeroporto Santos Dumont. Em Brasília, obras, como a Catedral, emolduram o caminho do carro do Corpo de Bombeiros que levava o caixão (foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press. Brasil)

Brasília – O arquiteto, o comunista, o artista, o compositor, o revolucionário: todas as vertentes de Oscar Niemeyer foram lembradas pelos cidadãos e por autoridades que participaram ontem de seu velório. Carregando fotos ou cartazes nas mãos ou em um respeitoso silêncio, todos exaltavam a importância do responsável pelos grandes monumentos não só na capital federal, mas em todo o país. No caixão, Niemeyer estava vestido com uma camisa listrada e um paletó com uma grande abotoadura. Mas a última imagem que ficará para os que participaram do velório não será essa. Os admiradores de Oscar e aqueles que conviveram com ele vão se recordar para sempre de sua mente criativa, de seus ideais de igualdade e de sua obra genial.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, lamentou não ter convivido mais com Niemeyer depois de conhecê-lo no metrô de Londres, no final da década de 1960, quando trabalhava na capital inglesa. O ministro qualificou o arquiteto como “parte essencial do panteão dos heróis nacionais”. “Ele é uma unanimidade nacional”, disse. Aldo Rebelo, ministro do Esporte, afirmou que Niemeyer ajudou a revolucionar a arquitetura do Brasil, mas apontou uma lacuna, pelo fato de o arquiteto nunca ter projetado um estádio de futebol. Segundo Rebelo, Niemeyer chegou a desenhar um projeto para o Maracanã, no Rio de Janeiro, que não foi aprovado.

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) lembrou da preferência política de Niemeyer para reverenciá-lo. “Foi um homem de muitos exemplos, coerente com seus ideais socialistas, homem que amou a humanidade e o seu país”, pontuou.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu ontem uma nota de pesar pela morte de Oscar Niemeyer. “Juntamo-nos a todo o Brasil no luto pela morte do arquiteto Oscar Niemeyer. Ele se foi, mas permanecerá sempre entre nós, presente nas linhas dos edifícios que plantou no Brasil e no mundo”, afirmou em um comunicado difundido pelo Instituto Lula. “A monumental Brasília, onde deixou a marca de sua arte e concentrou seus sonhos de uma cidade que pudesse abrigar com carinho e conforto pobres e ricos, homens comuns e poderosos, será sempre a expressão máxima de sua genialidade e de sua generosidade”, afirma ainda o texto.

Obras O lado comunista do arquiteto também foi lembrado pelas autoridades presentes. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, disse que Niemeyer era um homem comprometido com as mudanças do Brasil e, por isso, sua morte é uma grande perda. “Não foi só um grande arquiteto, foi um homem muito vinculado à defesa das grandes transformações sociais do Brasil, à ideia de um Brasil com justiça social, com mais igualdade. Então é uma grande perda para o Brasil, para arquitetura brasileira e para quem quer construir um Brasil onde todos tenham a mesmas oportunidades.”

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou que trabalhar no Congresso Nacional é um grande privilégio. “Posso apreciar as obras maravilhosas que Oscar Niemeyer deixou. E não apenas aqui, também em São Paulo, minha cidade, com obras como o Copan e o Memorial da América Latina”.
Também compareceram à cerimônia a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior; o ministro do STF Gilmar Mendes; o ministro das Cidades, Aguinaldo Pereira; o ministro da Educação, Aloizio Mercadante; o governador da Bahia, Jaques Wagner; o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad; o senador Cristovam Buarque (PDT-DF); e o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz.

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