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Estado de Minas INCUBADORA DE ARTES

Produtores culturais relatam experiências


postado em 20/08/2012 19:08 / atualizado em 20/08/2012 19:24

Com um plano ambicioso de ampliação, o Mercado das Borboletas foi interditado no início deste mês(foto: Juliana Flister/Esp. para o EM)
Com um plano ambicioso de ampliação, o Mercado das Borboletas foi interditado no início deste mês (foto: Juliana Flister/Esp. para o EM)

O produtor cultural e fundador do Movimento Coletivo Família de Rua, Leonardo Cezário, e o artista plástico e um dos fundadores do Mercado das Borboletas Tarcísio Ribeiro, ressaltam os obstáculos para a produção de arte em Belo Horizonte. Para Cezário, que há cinco anos reúne os amantes do hip-hop debaixo do Viaduto Santa Tereza, para o Duelo de MCs, o desafio constante é cumprir as exigências da prefeitura para manter o projeto funcionando. No Mercado das Borboletas, o esforço é para reabrir a incubadora de artes.

O local, que há um ano e meio vinha se consolidado como um espaço coletivo de arte e cultura, foi interditado. Para ser reaberto, terá que implantar uma série de medidas relacionadas à segurança dos frequentadores. A casa, que vinha realizando projetos como o Sexta Básic, o Rock no Mercado, Encontro de Violeiros, Bem Bolado e vários shows e intervenções artísticas, deverá, por determinação do Ministério Público, recuperar todo o prédio e fazer adequações nas saídas de emergência. Tarcísio explicou que não tem objeções em relação às exigências, mas repudia a forma como a medida foi tomada. "Chegaram com mais de 70 homens, entre policiais civis, militares e do Corpo de Bombeiros, e interditaram a casa, impedindo o acesso até ao nosso escritório."

Segundo o gerente regional de fiscalização integrada Centro-Sul, Jairo Aguiar Braga, sua equipe efetuou uma ação fiscal conjunta com o Corpo de Bombeiros Militar, o Sindec e a Polícia Militar, e constatou que o Mercado das Borboletas não tem alvará para exercer as atividades de bar, boate e casa de show. Foi lavrada uma notificação. A vistoria do Corpo de Bombeiros e o Sindec constataram situação de risco iminente nas instalações e foi lavrado também um auto de interdição. O estabelecimento foi lacrado em razão das condições do local, e aberto um processo de fiscalização para dar continuidade à ação fiscal.

Para Gabriel Filho, sócio do projeto, faltou diálogo. "Sabemos que existem falhas e deficiências para serem sanadas, mas merecíamos mais respeito. Deveriam ter nos chamado para uma conversa. Fomos tratados como bandidos", desabafa. O Mercado das Borboletas, projeto para o qual já há plano de ampliação para abrigar 18 bares, casa de espetáculos para 4 mil pessoas e galeria de artes, deve permanecer fechado por pelo menos 30 dias.

O ator e diretor do Grupo Galpão, Chico Pelúcio, afirmou que a cultura, há oito anos, está relegada a segundo plano devido ao processo de reestruturação da cidade. “O sintoma mais claro disso foi a extinção da Secretaria Municipal de Cultura. A partir daí, todas as orientações têm sido para cobrar impostos, coibir manifestações e dificultar a utilização do espaço público.” Segundo ele, hoje existe uma dificuldade grande para realizar eventos gratuitos nas ruas e praças da cidade.

Para o diretor de Patrimônio da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas Oliveira, Belo Horizonte vive um momento de efervescência na área cultural. "Por muito tempo, o Centro foi esquecido. Agora, é preciso o envolvimento de todos para construir o espaço que queremos."


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