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Estado de Minas MINAS+VIVA

Instituto Rio Scenarium: sucesso na noite carioca, projeto revitalizou ruas e preserva memória

Área ganhou novo perfil econômico. Sustentabilidade é prioridade para os comerciantes


postado em 07/08/2012 16:59 / atualizado em 07/08/2012 17:38

Noite carioca na Lapa renasceu após união de comerciantes(foto: Erick Barros Pinto/RC&VB)
Noite carioca na Lapa renasceu após união de comerciantes (foto: Erick Barros Pinto/RC&VB)

Há 16 anos, um grupo de comerciantes de antiguidades da Rua do Lavradio, na Lapa, centro do Rio de Janeiro, criaram a Feira Rio Antigo, que acontece até hoje em todo primeiro sábado do mês. De 1996 para cá, a feira provocou um movimento de grande impacto na vida cultural carioca. O mineiro Plínio Fróes, que mora no Rio desde a década de 80, foi um dos responsáveis por essa transformação e estará no Minas+Viva nesta quinta-feira, para participar do debate “Cultura e revitalização de hipercentro”.

Segundo Plínio, o segredo do sucesso não é segredo. A Feira ganhou a mídia brasileira e passou a atrair pessoas de todas as regiões do Rio e turistas de várias parte do Brasil e do mundo.

Plínio Fróes, no Rio Scenarium: mineiro integra grupo responsável pela revitalização do Rio antigo(foto: Cristina Horta/EM/DA Press)
Plínio Fróes, no Rio Scenarium: mineiro integra grupo responsável pela revitalização do Rio antigo (foto: Cristina Horta/EM/DA Press)
"Só aí a revitalização foi possível porque, com apoio da prefeitura, foi feita a reforma e recuperação que durou três anos na Rua do Lavradio, em diálogo permanente com a comunidade, resultando num mix de bares e restaurantes com música ao vivo, além das lojas de antiguidades. A área ganhou novo perfil econômico e recuperou sua identidade cultural”, explica Fróes.

O primeiro quarteirão da rua foi fechado ao trânsito de veículos e abriga as casas do grupo Scenarium, incluindo o complexo Rio Scenarium, que já completou 10 anos e é mundialmente conhecido. O grupo mantém o Instituto Rio Scenarium de Cultura, Arte e Cidadania, que oferece um curso gratuito para jovens da área. Eles aprendem a recuperar o mobiliário e objetos antigos.

O Instituto, dirigido por Fróes, funciona ainda como curso de complemento do ensino para funcionários das casas e organiza a doação de todo material reciclável gerado pelas casas noturnas do grupo Scenarium.

“São 200 toneladas de material doado por ano, que geram mais empregos e evitam a poluição ambiental. Nós produzimos um resíduo que antes não havia na região, então temos que destinálo corretamente”, explica Plínio.

Outro projeto envolve a preservação da memória carioca, com a recuperação e organização do acervo do produtor cultural Albino Pinheiro, falecido em 1999. As músicas, gravações, filmes, fotografias e documentos raros foram adquiridos junto à família do produtor em 22 caixas. Há oito anos, estão sendo catalogados e preparados para consulta pública, que será liberada em breve.

Plínio Fróes explica que, apesar de parecer ‘frase feita’, os resultados foram alcançados porque tudo que é feito com amor e paixão fica melhor. “A união dos empresário é fundamental. Não temos adesão de todos os comerciantes da Lapa, mas só de ninguém querer atrapalhar, já ajuda. Aprendemos que é importante andar com as próprias pernas, que o resto vem a reboque, inclusive o poder público”, define o empresário.

Sobre a possibilidade de aplicar esse modelo em outras cidades, Plínio é otimista, mas com o pé na realidade. “É claro que as experiências podem ser aproveitadas, mas o que faz a Lapa especial é que ela respeita e valoriza a cultura local. Em Portugal, você quer ver o fado; na Argentina, o tango; no Rio, o samba. Belo Horizonte é um celeiro cultural riquíssimo, tem a seresta, o chorinho, a gastronomia; e pode fazer maravilhas com isso”, defende.

Plínio dá ainda o exemplo de cidades europeias como as polonesas Cracóvia e Varsóvia, que blindaram seus centros históricos contra a degradação e a violência, e devolveram essa área aos cidadãos e turistas. “Todas as instâncias - governo, empresários, comunidade - têm que estar presentes de forma integrada. É preciso lutar com unhas e dentes para manter os projetos, para evitar a descontinuidade com as mudanças de governo e superar problemas passageiros. Como disse Geraldo Vandré, quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, ensina Plínio.


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