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Estado de Minas NA BATIDA DO CORAÇÃO

Kairós envolve a comunidade no crescimento de São Sebastião das Águas Claras

Ambiente, educação, cultura e economia são trabalhados de forma colaborativa e integrada pelo Instituto


postado em 06/08/2012 19:50 / atualizado em 07/08/2012 11:05

Centenas de crianças de São Sebastião das Águas Claras e Nova Lima participam de atividades extracurriculares(foto: Divulgação/Kairós)
Centenas de crianças de São Sebastião das Águas Claras e Nova Lima participam de atividades extracurriculares (foto: Divulgação/Kairós)

Quando contamos o tempo pela batida do coração, vemos que ele passa de forma menos matemática do que nos ponteiros do relógio. O corpo tem um ritmo próprio. É isso que significa Kairós, palavra grega que indica o tempo não cronológico e dá nome ao projeto de sucesso que será um dos exemplos debatidos no evento Minas+Viva: desenvolvimento sustentável, gastronomia, cultura e marketing, a partir desta quarta-feira.

O Instituto Kairós é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, sediada no distrito de São Sebastião das Águas Claras, mais conhecido como Macacos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Desde 2002, o Instituto realiza ações que visam o planejamento ambiental e ampliam a participação sociocultural e econômica das comunidades nos processos de desenvolvimento local.

De acordo com a arquiteta Rosana Bianchini, coordenadora executiva do Instituto, o Kairós não se adaptou ao conceito de desenvolvimento sustentável. Ele já nasceu com ele e tudo que ele faz, é pensando na sustentabilidade. “Por isso, a Instituição nasceu com o intuito de respeitar os tempos da comunidade, tivemos o cuidado de dar passos de acordo com as nossas pernas. No início foi mais difícil, conseguir recursos não era simples, mas aos poucos conquistamos credibilidade e legitimidade e ampliamos nossa rede de parcerias”, explica Rosana. O Instituto já ganhou mais de 20 prêmios e certificações.

Hoje, o Kairós envolve, diretamente, cerca de 600 pessoas de uma comunidade estimada em duas mil. As ações incorporam à esfera da educação, das políticas públicas e da economia social local, a força da cultura e do diálogo. “Trata-se de agregar as diversas expectativas e em muitos casos, abrir mão da visão pessoal em função de uma visão coletiva. Nossa sociedade é muito individualista, mas conseguimos construir esse processo.  As tecnologias sociais que desenvolvemos aqui podem ser transferidas e adaptadas a outras realidades socioeconômicas”, explica Rosana.

História
Rosana começou o trabalho em Macacos depois que se mudou para lá e percebeu que, apesar do potencial e do privilégio ambiental da região, as construções eram feitas como se estivessem na cidade. Muito concreto, pouca integração. “Veio a vontade de implantar um projeto para promover esse novo olhar, uma forma de construir que valorizasse os saberes locais e os recursos ambientais da região”, explica Rosana.

Dessa centelha inicial, surgiu a visão de uma comunidade que precisava ser revitalizada. “O desenvolvimento acelerado e turístico do lugarejo privilegiava principalmente a classe social mais favorecida, enquanto a comunidade tradicional ficava um tanto à margem deste processo. As crianças não tinham o que fazer depois da escola, os mais velhos não tinham como compartilhar seu conhecimento, os jovens sem oportunidade de desenvolvimento”, observa a coordenadora.

A partir desse diagnóstico, o Instituto buscou resgatar a história e a identidade local, as receitas, o artesanato, para envolver os moradores no processo de crescimento. E desde pequenos. Através de uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Nova Lima e com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Projeto Rede Escola Viva oferece a 450 crianças atividades extracurriculares que despertam o gosto pela natureza, pela arte e pelos valores da comunidade.

O projeto abrange oficinas de música, teatro, artes, física lúdica, práticas ambientais, circo, esportes, informática, apoio escolar, além de ações voltadas à formação de educadores, à valorização da cultura oral da localidade, proporcionando a articulação de um trabalho de rede social, envolvendo as famílias, a escola e a comunidade em geral.

O Rede Escola Viva é “apenas” um, dos vários programas e projetos mantidos pelo Kairós. O Instituto promove grupos de artesão, que se unem em unidades produtivas e ganham estratégias de distribuição e comercialização.

Com incentivo aos arranjos produtivos locais e valorização dos idosos, comunidade explora potencial criativo(foto: Divulgação/Kairós)
Com incentivo aos arranjos produtivos locais e valorização dos idosos, comunidade explora potencial criativo (foto: Divulgação/Kairós)
Na área socioambiental, as ações incluem a difusão do conceito de bioconstrução, com ações colaborativas e participativas, apropriação de materiais locais e sistemas eficientes, resultando na construção de equipamentos solares, sistemas alternativos de saneamento , reciclagem e abastecimento de água, reaproveitamento de rejeitos e restos de construção civil, beneficiamento da matéria prima local, como terra, bambu e fibras naturais.

Há também a distribuição de medicamentos fitoterápicos, por meio da Farmácia Viva, a todos os moradores do distrito que utilizam o SUS, atingindo potencialmente 20 mil pessoas. Cinema, atividades culturais, biblioteca e rodas de conversa entre pessoas de várias idades também fazem parte do movimento do Kairós.

Em várias ações, a sabedoria da tradição oral é trazida de volta à escola, ao mesmo tempo em que os idosos recebem apoio nos cuidados com a saúde. “A exemplo do que foi discutido na Rio+20, nossa ação sempre foi em favor do crescimento com inclusão e com respeito ao meio ambiente e à cultura local. A sustentabilidade hoje é muito discutida em diversas instâncias. O que fizemos foi colocar na prática todo esse discurso”, conclui Rosana.

Faça sua inscrição: www.uai.com.br/minasviva

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