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Estado de Minas

Pequenos fabricantes e produtos artesanais ganham força em Minas

Empresas de menor porte estão marcando presença nos supermercados. Em cinco anos, crescimento da participação de seus produtos no faturamento dos supermercados foi de 50%


postado em 25/07/2012 11:44 / atualizado em 30/11/2017 10:56

Grandes redes do varejo estão deixando de ser território exclusivo de megafabricantes e multinacionais e já dividem os bons espaços disponíveis nas prateleiras com pequenos fornecedores regionais. De utensilhos domésticos feitos de jornal reciclado em Betim, na Grande BH, aos pastéis de angu de Itabirito, na Região Central do Estado, centenas de itens produzidos em pequena escala estão invadindo os supermercados. Em Minas a participação dos fornecedores de pequeno e médio porte já representa 15% do faturamento das redes, crescimento de 50% nos últimos cinco anos, segundo levantamento da Associação Mineira de Supermercados (Amis).

Com mais dinheiro no bolso o consumidor tem procurado não só itens tradicionais e commodities mas levam no carrinho também as “pequenas manufaturas”. Mais que a garantia de grande impacto nos lucros, os supermercados funcionam como vitrine, na qual os pequenos se mostram nas gôndolas e desenvolvem estratégia de marketing para deslanchar em outras praças. A chave para entrar nas grandes redes está no charme da fabricação artesanal, como existente na produção do pastel de angu, que inspirou a família do empresário Heron Lídio Oliveira.

Ao perceber que os turistas queriam levar para casa o gostinho do pastel inventado na cidade, o empresário de Itabirito montou uma parceria com o filho e criou a Maria Angu. Inicialmente a produção era feita em casa mesmo e testada em bares da região – os primeiros a dar sinal verde para o negócio. A demanda cresceu e o pastel de angu ganhou botecos de Belo Horizonte. O passo foi decisivo para chegar aos supermercados, como o Verdemar, MartPlus, ViaBrasil, BH e a rede Bahamas. A Maria Angu continua sendo pequena, mas fabrica 20 mil pastéis por dia e outros 60 mil salgados, empregando 46 funcionários. A fábrica em Itabirito também atende bufês e padarias, clientela que não para de crescer.
A margem de lucro com o produto vendido aos supermercados não costuma ultrapassar 6%, mas o retorno é forte. “Antes de entrarmos em redes importantes de supermercados, 80% do nosso público consumidor nunca havia ouvido falar do pastel. Hoje a maioria conhece o produto”, afirma Heron.

Com a mercadoria certa nas mãos, há outras exigências: ter logística e verba para promover o produto dentro das redes e prazos cumpridos fazem parte do intricado caminho das pedras que pequenos produtores vêm conseguindo trilhar. “Para entrar é preciso ter uma estratégia de marketing acertada. Testar o produto primeiro em estabelecimentos menores, depois fornecer para poucas lojas de uma mesma rede, ir crescendo aos poucos e ganhando experiência na escala e na logística, aperfeiçoando a qualidade. Não dá para entrar em um supermercado de cima para baixo, competindo com commodities”, diz Adilson Rodrigues, superintendente da Amis. Ele acredita que o espaço está aberto e que os pequenos e médios fornecedores têm condições de ampliar a participação, atingindo 40% do faturamento das redes.

Geleias regionais

O crescimento da demanda dos consumidores por produtos diferenciados alavancou as vendas dos produtos Casa Madeira, especialmente geleias, vinagres balsâmicos e sucos de uva fabricado no Sul do país. O representante da empresa em Minas, Danilo Schirmer, diz que a venda em supermercados representam 23% do faturamento da empresa no estado, com expectativa de chegar a 30% neste ano. “Há um ano esse percentual não chegava a 10%.” Ele aponta que os produtos artesanais têm contribuído para o crescimento do setor. “Os supermercados são uma vitrine, mas os itens diferenciados também são chamariz para vendas maiores, agregam valor às redes.”

De chás a cafés, biscoitos caseiros, queijos e doces o gerente de negócios da rede Super Nosso Hamilton Andrade aponta o crescimento da participação principalmente dos micro e pequenos fornecedores que já respondem por 10% do mix da empresa. Segundo ele, a participação deve ser ampliada entre 8% e 10% este ano. “A expectativa de consumo da população tem crescido e os fornecedores mineiros estão respondendo com criatividade.”

Outro exemplo em Belo Horizonte, a massa Bella Sicilia nasceu no Bairro Santa Teresa fornecendo lasanhas e canelones para vizinhos. Hoje o produto pode ser encontrado em 12 lojas de duas redes de supermercados e o retorno do marketing foi imediato. “Hoje 60% das nossas vendas estão na Região Sul de Belo Horizonte”, comenta Júlio César Sacchetto, sócio-proprietário da empresa.

Programa social como alavanca

Em Betim a cooperativa Futurarte começou a vender seus produtos para lojas do Pão de Açúcar. Ter os utensílios fabricados a partir de papel jornal e embalagens recicladas nas gôndolas do supermercado tem sido uma alavanca importante para as encomendas, que ganharam um empurrão do programa social da rede supermercadista. Idealizadora da Futurarte, Solange Bottaro conta que os aponta que entrar em um grande supermercado não é fácil, uma vez que é preciso ter uma produção significativa e preço competitivo. “O caminho pode ser encurtado se houver algum facilitador para os produtos sociais.”

Segundo a gerente de Responsabilidade Social do Grupo Pão de Açúcar, Dary Barcelar, o supermercado mantém um programa social com fornecedores regionais, no qual o objetivo é abrir espaço para os pequenos fabricantes. Os produtos estão expostos em mais de 10 lojas e existem facilitadores, como pagamento mais rápido independentemente do volume entregue, além de isenção de multas e taxas relativos aos prazos de entrega. Batizado com o nome de Caras do Brasil, o programa para pequenos fornecedores atinge cerca de 10 lojas e deve crescer 15% este ano.

O Walmart Brasil informa que o programa de parceria da empresa com agricultores familiares completa 10 anos este mês, sendo que a participação dos pequenos fornecedores no supermercado cresceu significativamente. O programa começou com 14 famílias gaúchas, em 2002, saltando para 9.342 famílias, de 12 estados, em maio. O valor das compras do Walmart passou de R$ 650 mil, no primeiro ano, para R$ 150 milhões em 2011, sendo mais R$ 64 milhões de janeiro a maio. (MC)

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