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Estado de Minas

Arte e atitude são as boas notícias que tomam conta do Centro de BH


postado em 23/07/2012 11:55 / atualizado em 23/07/2012 18:12



Responsável pela idealização e gestão do Museu de Artes e Ofícios, apesar de reconhecer que a articulação existente entre as instituições culturais do Centro ainda é embrionária, Ângela Gutierrez comemora o bom momento da região. “A chegada do museu mudou aquele cenário e hoje a Praça da Estação representa um espaço de manifestações culturais. Mas é necessário o mínimo de infraestrutura. Nada sobrevive se não for cuidado. É a cidade exigindo da administração pública”, afirma.

“A sensação que tenho é de que algumas coisas que acontecem por aqui não têm desejo de isolamento. Sinto que o Centro funciona como um coreto. As pessoas têm feito eventos por aqui, criado espaços com desejo de se encontrarem tanto com a população como com os outros artistas”, afirma a atriz e diretora do grupo Espanca!, Grace Passô. Há cerca de um ano, a companhia instalou sua sede no Centro e tem procurado estabelecer uma relação diferente com o entorno. “Ao convidar as pessoas para a estrutura que a gente tem aqui, é claro que convidamos também para um tipo de experiência”, avalia.

Foi justamente uma postura crítica em relação à ocupação dos espaços públicos que fez do Duelo de MCs uma das manifestações culturais mais bem-sucedidas da cidade nos últimos anos. Semanalmente, cerca de 1,5 mil pessoas, segundo cálculos da organização, participam das atividades debaixo do Viaduto de Santa Tereza.

Para Léo Cesário, apesar de o duelo colecionar reconhecimento em várias esferas da sociedade, inclusive públicas, o projeto cultural da região como um todo ainda carece de apoio. “Ao mesmo tempo em que as autoridades manifestam o reconhecimento, deixam tudo ao acaso, por conta dos promotores. Conseguimos fazer o duelo sem a ajuda de ninguém, mas ele tem uma riqueza tão grande que caberia ao poder público observar isso e pensar onde ele se encaixaria para o crescimento da cidade”, sugere.

Cesário também acredita que uma melhor articulação entre os equipamentos seria fundamental para o fortalecimento do corredor. “Com o Espanca! e o Bordello existe um elo forte, porque temos os mesmos ideais. Com os outros existe essa proximidade, mas estamos bem distantes. Acho que essa articulação seria muito interessante para chegar ao poder público com mais representatividade”, propõe.

Respostas ainda são incipientes

“Estamos vivendo um movimento mundial a favor de novas apropriações de espaços que foram abandonados”, explica Patrícia Brito, especialista em política pública de cultura e patrimônio. Segundo ela, Belo Horizonte segue essa tendência, porém as responsabilidades do poder público extrapolam questões restritas à revitalização. “O Brasil ainda pensa a revitalização sob o ponto de vista da higienização humana. A gente ainda não aprendeu a trabalhar os espaços abandonados em uma perspectiva diferente”, aponta.

De acordo com o diretor de patrimônio cultural da Prefeitura de Belo Horizonte, Leônidas de Oliveira, as ações do poder público respeitam as diretrizes determinadas pelo conselho da área da capital. “Temos respondido em questões pontuais”, diz. No que tange à segurança, como informa o comandante da 6ª Cia do 1º Batalhão da Polícia Militar, major Welerson Silva, desde janeiro o policiamento na região tem adotado estratégia que procura atender às necessidades dos eventos realizados na área. “Montamos um esquema básico que mantém frequência com os mesmos policiais, para que eles conheçam a realidade”, informa.

Sobre a capacidade de estacionamento, a BHTrans informa que, no momento, não há projeto para liberação de novas vagas nas imediações da Praça da Estação. Em nota, o órgão esclarece que há o estacionamento rotativo implantado na Rua Aarão Reis entre Avenida do Contorno e Rua dos Guaicurus, que comporta até 208 veículos diariamente. Existem também vagas localizadas na Rua dos Guaicurus, entre Rua da Bahia e Rua São Paulo.

A Cemig informa que a obra em execução na Avenida Santos Dumont contempla uma adaptação da iluminação na área central, ou seja, serão instaladas lâmpadas mais fortes. Não há projeto para ampliação dos postes de luz na região.

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