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Estado de Minas

Empregados da família de Alencar relembram com carinho da simplicidade do antigo patrão


postado em 01/04/2011 06:39

Muitas vezes, o longo tempo de convivência é apontado como o vilão nas relações, mas a habilidade em fazer amigos, em liderar e viver bem, pode jogar por terra essa tese. José Alencar, em sua vida pessoal, mais uma vez, rompeu barreiras e demonstrou que até mesmo a relação capital-trabalho pode ser prazerosa. Depois de quatro décadas na família do ex-vice-presidente, a cozinheira Ana Maria de Souza, de 53 anos, e a lavadeira Maria Rodrigues Honorato, de 57, se derretem em elogios para o patrão de sempre, lembrando com doçura dos quitutes preferidos e do seu estilo de vida simples. Como consolo, esperam continuar com a família de José Alencar, de quem se despediram quinta-feira, anonimamente, em meio à multidão de fãs.

A história de Ana Maria com o ex-vice-presidente começou a ser escrita quando ele era ainda um pequeno empresário. Contratada pela dona Mariza, ela se mudou para a casa do casal, dois anos depois de chegarem a Belo Horizonte, em 1970. Ana Maria assumiu o posto de cozinheira de confiança da família e até hoje é ela quem põe a comida na mesa. Apesar de ter conhecido vários países, ter comido nos restaurantes mais caros do mundo, a comida que Alencar mais gostava era a de Ana Maria. Os pratos prediletos do político, segundo ela, era um quiabo com frango, uma picanha assada, uma carne de panela, arroz, feijão e feijoada. “Ele gostava da comida caseira, simples”, conta.

A cozinheira que conviveu durante 40 anos com o ex-vice-presidente disse que nunca vai esquecer do seu jeito simples e humilde. “Alencar era uma pessoa que não existia, uma pessoa muito bacana. Criou uma família muito boa que considerava a gente como se fôssemos de casa”, diz. A última vez que Ana Maria se encontrou com Alencar foi em 5 de fevereiro, em São Paulo, para onde ela ia “todas as vezes que a dona Mariza precisava”. “Quando ele estava doente eu fazia uma comida mais leve, da dieta”, comente. Ela relembra ainda que o vice-presidente a ajudou muito.

Segundo Ana Maria, ele e dona Mariza levavam seu filho para a praia todas as vezes que iam viajar. “Meu filho conheceu o mar com eles”. Maria Rodrigues Honorato, lavadeira da família, disse também ser muito grata à José Alencar. Ela era quem lavava e passava as roupas do político sempre que ele vinha a Belo Horizonte. Maria lembrou que viu os filhos de Alencar crescer. “Tenho boas lembranças dele”.

Companheira das duas, a arrumadeira Maria Lúcia Nunes, de 47, que trabalha no apartamento de José Alencar em Belo Horizonte, disse que acompanhou toda a sua luta contra o câncer. “Ele sempre lançou mão de sua fé para enfrentar a doença. Sempre acreditando na vida. Nunca vou esquecer da sua humildade. Tinha o coração aberto. Mesmo sendo vice-presidente e grande empresário, era simples”, afirmou, com emoção.

Afastados

Motorista da família de José Alencar há 23 anos, Antônio Basílio, de 72, foi um dos primeiros da fila de espera para se despedir do ex-vice-presidente. Desde o ano passado, Basílio não via o patrão. Segundo ele, devido ao agravamento da doença, José Alencar passou os últimos meses de vida em São Paulo, por causa do tratamento no Hospital Sírio-Libanês. “O vi pela última vez acho que foi em abril, por isso tinha de vir aqui de qualquer maneira me despedir”, relata, sem conseguir disfarçar a tristeza com a morte de Alencar. Ao ser questionado como era o ex-vice-presidente na intimidade e do que ele mais gostava, Basílio nem pestanejou para responder: “A família“. “Ele era peça fina. Um homem muito bom, alegre, bom de prosa e muito educado com todo mundo. A dona Mariza esposa dele então nem se fala”.

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