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Estado de Minas

Empregados da Coteminas em luto no Norte de Minas


postado em 31/03/2011 06:19 / atualizado em 31/03/2011 08:56

O tecelão Zacarias Tiago Melo lembra a boa relação de José Alencar com os empregados:
O tecelão Zacarias Tiago Melo lembra a boa relação de José Alencar com os empregados: "vamos sentir muito a falta dele" (foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A Press)
Nas portarias das quatro unidades da Coteminas, em Montes Claros, no Norte de Minas, foram expostos quarta-feira enormes panos pretos, em luto pela morte do ex-vice-presidente José Alencar, um dos principais fundadores do grupo. O sentimento de pesar também foi manifestado por antigos funcionários da empresa, que conheceram Alencar de perto. Para muitos deles, o ex-vice-presidente foi mais do que um patrão. É o caso do tecelão Zacarias Tiago Neto, de 57 anos, há 35 funcionário da Coteminas. “O seu Zé Alencar sempre tratou muito bem os trabalhadores. Vamos sentir muito a falta dele”, afirma Zacarias. Ele conta que conheceu Alencar quando entrou na companhia têxtil, em 1976. Zacarias recorda de várias visitas que José Alencar fez à fábrica. “Ele sempre vinha aqui, com o Luiz de Paula (empresário sócio de Alencar na criação da Coteminas)”, afirma. O operário também conta que, por várias vezes, participou de festividades do Dia do Trabalho e, com outros colegas, recebeu placas de homenagem e premiações, criadas pelo próprio Alencar como maneira de incentivar os trabalhadores a se empenharem mais pela empresa e ter a oportunidade de crescer na vida. “O Zé Alencar foi muito homem muito dedicado às empresas. Mas, também olhava o lado do crescimento do funcionário”, diz Zacarias. Outro que guarda boas recordações de Alencar é o porteiro João Fábio de Souza, de 55, e que há 27 anos trabalha na primeira unidade da Coterminas em Montes Claros. Ele disse que conheceu o fundador do grupo têxtil há 24 anos. “Vamos lembrar sempre da seriedade dele”, afirma Fábio. Ele relata que, depois de saber da morte do ex-vice-presidente, participou de uma oração comunitária no Bairro Santos Reis, onde foi lembrado o bom exemplo deixado pelo político e empresário. “O Zé Alencar foi homem de muita fé e muita determinação”, diz Fábio de Souza. O vigilante José Bento Rodrigues, que tem 21 anos de Coteminas, onde também já trabalhou no almoxarifado, enaltece a simplicidade do fundador da empresa. “O seu Zé era realmente um homem muito simples. Ele era muito generoso”. Na quarta-feira, o Sindicato dos Tecelões de Montes Claros divulgou nota de pesar, na qual lamenta que com a morte de José Alencar, “o Brasil perde uma figura importante na história da indústria têxtil, um homem que se transformou em referência de luta e amor à vida”. A presidente do sindicato, Maria Eliana Ferreira Santos, diz que a morte de José Alencar foi sentida pelos empregados do Grupo Coterminas porque ele sempre reconheceu a importância dos trabalhadores. “O José Alencar foi um cidadão brasileiro que contribuiu para o crescimento pessoal de cada trabalhador da Coteminas. Todo o patrimônio dos trabalhadores foi construído graças ao reconhecimento que eles tiveram da empresa pelos serviços que prestam”, completou Maria Eliana. O Grupo Coteminas emprega de cerca de 3,5 mil pessoas em Montes Claros. Maria lembra que José Alencar sempre trabalhou numa “linha desenvolvimentista”, pensando no crescimento de suas empresas. Esta foi a razão pela qual o grupo empresarial cresceu tanto. “A nossa expectativa é que o filho dele, que assumiu a presidência do grupo, mantenha mesma trajetória de crescimento”, disse a sindicalista. Seresta O ex-presidente do Sindicato dos Tecelões de Montes Claros, Vicente Araújo, que conviveu com José Alencar durante mais de 15 anos, ressalta que os funcionários da Coteminas reconhecem as qualidades do fundador do grupo porque sempre teve um bom relacionamento com os empregados da empresa, da qual afastou da direção em 2002, transferindo a presidência para o filho, Josué. Vicente Araújo ressalta ainda que Alencar sempre gostou muito de Montes Claros, apreciando a seresta, a carne de sol e cachaça da região. Vicente Araújo ressalta ainda que José Alencar sempre gostou muito de Montes Claros, apreciando a seresta, a carne de sol e cachaça da região. “Na década de 1990, ele me disse em certa ocasião que tinha vontade de morar em Montes Claros e ainda iria construir uma casa na cidade”, diz Vicente. Mas, José Alencar acabou indo morar em Brasília, depois de eleito senador e vice-presidente da República.

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