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Estado de Minas

Crítica - Heróis


postado em 31/07/2011 09:01 / atualizado em 31/07/2011 09:09

O cineasta Guto Aeraphe acertou na direção de arte do filme Heróis(foto: Divulgação)
O cineasta Guto Aeraphe acertou na direção de arte do filme Heróis (foto: Divulgação)
Um aspecto do filme Heróis, que vem sendo pouco debatido, é a qualidade de sua direção de arte. A obra do cineasta Guto Aeraphe, apresentada no formato de websérie pelo Portal Uai, consegue escapar de uma armadilha em que cai a maior parte das reconstituições de época em países como o Brasil ou a França: a dificuldade em produzir a impressão de que cenários e figurinos são espaços expostos à ação do tempo. Trata-se de problema frequente fora da produção cinematográfica americana: a forma dos objetos reconstituídos ou encontrados em coleções é perfeita, mas seu uso não produz a impressão de que ele pertence à época retratada. Parte do problema é de ordem material: objetos de uso corrente, como roupas ou utensílios, sem qualquer sinal de manuseio antes do momento em que a tela os mostra. Um problema Heróis não consegue transpor, a exemplo do que ocorre com quase todas as filmagens realizadas em ambiente muito distinto do espaço onde ocorre sua história: os ecossistemas europeus já foram tão filmados, estão registrados com tanta força em nosso imaginário, que é impossível não perceber que os bosques por onde o enredo frequentemente passeia são o nosso cerrado. Fora isso, a ilusão é muito eficiente: roupas e objetos que poderiam ser usados por pessoas verdadeiras em época de guerra, atores se relacionando com eles e entre si de maneira que poderia ser a daquelas pessoas. Heróis nos lembra, e bem, que a arte pode não ser o domínio do real e da verdade, mas nos afeta com força quando atinge a verossimilhança.

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