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Estado de Minas ATUALIDADES, HISTÓRIA

Fast fashion e o modo de produção capitalista


postado em 20/06/2016 15:13 / atualizado em 20/06/2016 15:59

 

A industrialização foi um dos momentos mais marcantes e fundamentais para o capitalismo se consolidar como sistema econômico em quase que todo o mundo. Se no modelo feudal se tinha uma produção artesanal e manual voltada principalmente à subsistência e pagamento de “impostos” aos senhores feudais, o capitalismo inaugurou um modelo de produção que visa majoritariamente o lucro. Para isso, há a produção em série e em uma curta escala de tempo.

Entretanto, este modelo passou a prezar a quantidade, e nem sempre a qualidade - seja dos produtos ou dos próprios trabalhadores que os produzem. Um exemplo contemporâneo deste quadro são as lojas de roupas e acessórios que se denominam “fast fashion”.

Fast fashion é um conceito de moda que formou seu embrião ainda na década de 90, quando a moda se populariza, a produção artesanal de roupas deixa de ser o principal artifício, e se deu inicio à colonização global da moda, em que marcas estrangeiras passaram a entrar em mercados globais oferecendo roupas que acompanhavam as tendências do momento e matando produções locais e mais saudáveis. Desde então, a demanda por estes produtos foi aumentando, o que impossibilitava que o processo de fabricação dessas roupas durasse meses, como antes ocorria.

Assim, iniciava-se na moda um modelo de produção que traz peças novas semanalmente, com um processo de produção de apenas 3 semanas. Porém, para que as empresas do ramo pudessem acompanhar esse ritmo, tanto a qualidade das roupas quanto a ética na produção passam a ser comprometidas. Para baratear uma cadeia tão complexa e rápida de produção, as marcas passam a contratar trabalhadores em países subdesenvolvidos ou onde a mão-de-obra oferecida é barata. Além disso, as roupas duram pouco tempo, favorecendo ainda mais o conceito de “fast fashion”, que fala da fabricação, do consumo e do descarte rápidos, com diversas promoções e modelos limitados - uma iniciativa aos consumidores a comprar mais e pensar menos.

O movimento surgiu primeiramente no mercado de moda da Europa e dos Estados Unidos, por marcas como Zara, Forever 21, GAP, H&M e Benetton, e foi importado no novo milênio por marcar brasileiras como C&A, Renner, Riachuelo, Marisa e Hering, possibilitando que vendam produtos com valores mais baixos e em um período de tempo mais rápido. Ironicamente, é comum nos dias de hoje associar marcas artesanais a luxo, já que o maior tempo e melhor qualidade de produção encarecem os produtos e os tornam mais exclusivos.

LENA: loja na Holanda que valoriza o slow fashion.
LENA: loja na Holanda que valoriza o slow fashion.
 

Há quem veja o fast fashion como a democratização da moda, por oferecer produtos mais baratos para uma maior parcela de público, mas isto vem sendo repensado - principalmente ao se descobrir que, por trás de uma blusa que custa 30 reais, há diversas mulheres e crianças trabalhando em condições precárias e inumanas, muitas vezes escravas e ilegais, e recebendo menos que o mínimo para isso.

(foto: Reprodução / The True Cost)
(foto: Reprodução / The True Cost)
 

O documentário The True Cost (“O Verdadeiro Custo”) é um filme que trata muito bem desse cenário e revela o que está por trás da beleza e do estilo que as marcas fast fashion oferece, explorando o impacto da moda contemporânea nas pessoas e no planeta. Está disponível na Netflix.

Artigo publicado por Percurso Pré-Vestibular e Enem

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