A discussão sobre o fim da abordagem de questões supostamente ideológicas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começou antes mesmo do início do governo Jair Bolsonaro. Passado menos de um mês da gestão, o assunto toma ares concretos. Ontem, o novo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Marcus Vinícius Rodrigues, causou frisson no meio educacional ao afirmar que poderá passar pente-fino na prova antes de ser aplicada. Entre educadores, o momento é de perplexidade e de desconfiança quanto ao futuro da maior avaliação do país.
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Enem terá nova diagramação para economizar papelMEC divulga nesta segunda-feira resultado do SisuE a ideia é ir além. Rodrigues pretende revisar o banco de questões do Enem, o arquivo de onde são tiradas as questões das provas.
Depois, em entrevista, ele afirmou que pretende melhorar a qualidade, a confiança nos sistemas usados pelo instituto e reduzir custos. “Não é preciso necessariamente ter alto custo para realizar um bom trabalho. Podemos ter excelentes exames e itens com custo menor, otimizar nossas estruturas e processos, a parte tecnológica, com integração maior o que tornará mais eficaz”, afirmou
Fontes ligadas ao Enem, próximas ao Ministério da Educação, ouvidas pelo Estado de Minas se dizem preocupadas com a operação do exame, que envolve milhões de jovens e suas famílias. “O processo de elaboração não apenas da prova, mas das questões, é complicado e longo. Isso é feito com um mínimo de dois anos de antecedência.
Sisu tem prazo
Não é bolsa de valores, mas o sobe e desce dos “ativos” até faz pensar no ambiente símbolo da economia. Nesse caso, os “ativos”, também números, podem ser o limite a garantir a realização de um sonho: entrar no ensino superior. Trata-se das notas de corte do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e de sua divulgação, que na primeira edição do programa este ano ganhou ares de montanha-russa. Antes publicada uma única vez ao dia, as mínimas de cada curso foram informadas ao longo da semana em cinco períodos e, desde ontem, uma vez novamente. A justificativa do Ministério da Educação é melhorar o acesso ao sistema. Por causa de lentidão e panes, prazo de inscrições foi prorrogado para 23h59 de domingo.
O MEC garante que o sistema funciona de forma estável e que a lentidão foi resultado do grande volume de acessos simultâneos. Pela primeira vez foi testada a divulgação à 0h, 7h, 12h, 17h30 e 20h. No sistema anterior, a divulgação se limitava à meia-noite, a partir do segundo dia de inscrição. Mas, desde ontem, o critério antigo voltou a ser adotado para não prejudicar os estudantes que ainda não fizeram a inscrição e melhorar o acesso por causa do alto tráfego de pessoas tentando entrar no sistema.
Diretor-executivo do Colégio Arnaldo, Geraldo Júnio dos Santos diz que vários horários de divulgação são interessantes, pois dão oportunidade ao candidato de reposicionar a régua e ir atrás da graduação fazendo ajustes de curso ou localidade. “O aluno pode ver, naquela região, como estão as moradias, repúblicas, se a família está disposta a custear, se vai ficar mesmo em BH ou o contrário: gente do interior que quer estudar na UFMG, diz.
Mas cinco diferentes reposicionamentos podem gerar ansiedade em quem espera o resultado final. “A cada cinco horas a pessoa pensa diferente e isso não ajuda o candidato. É como se ele olhasse a bolsa de valores a cada cinco minutos para ver se o valor do papel subiu ou desceu”, compara Geraldo Júnio. Mas, nesse último dia, diz o educador, assim que divulgada a última nota mínima para o curso pretendido, conferir se está tudo certo com a opção de curso e universidade feitas. Isso nos casos de quem tem mais opções de graduações ou instituições.
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