Para muitos, fotografar é uma profissão, mas para outros, ela é um hobby. Também há quem diga que fotografar é um desafio a cada click, mas quando a fotografia vira uma paixão, é impossível não registrar até as mais simples cenas do dia a dia e fazer desse hábito uma arte. Foi o que aconteceu com João Machado. Quando ele ainda trabalhava como ajudante de pedreiro em uma construção civil, em São Paulo, comprou a sua primeira câmera fotográfica na mão de um colega de trabalho. Depois disso, buscou conhecimento em revistas especializadas e começou a fotografar profissionalmente em 1993.
João foi um autodidata e, por conta da sua curiosidade, determinação e persistência, se tornou um dos grandes nomes da fotografia documental e autoral. O baiano, natural de Xique-Xique, hoje concentra a sua produção, no sertão baiano e nas suas origens. "Para mim, a Bahia é o estado mais favorável para a produção fotográfica, pela diversidade de cores, ambientes e temáticas", resume.
Como conselho para quem deseja começar a fotografar, João indica começar um curso básico e praticar bastante. "Só com a prática é possível construir uma linguagem própria e diferenciar o seu trabalho.
A arte de João Machado inspira e vem abrindo caminhos para novos talentos. Ele resolveu ajudar outros que já tinham despertado o dom pela fotografia a dar visibilidade para seus trabalhos. Após compartilhar conhecimentos em uma imersão na zona rural de Alagoinhas, na Bahia, lançou a exposição "Caminhos do Sertão", onde seis fotógrafos estreantes estão tendo a oportunidade de expor cenas do cotidiano sertanejo registradas nas 18 imagens que compõem a mostra.
"Foram 32 horas de oficina. Fizemos dez encontros teóricos e dois práticos", contou Machado, feliz por abrir caminhos para uma nova geração de talentos. "Tudo aconteceu de forma muito espontânea. Os fotógrafos que participaram já acompanham o meu trabalho e gostam do meu processo criativo. Hoje, eu criei um carinho enorme por eles e uma relação de amizade", contou satisfeito.
O amor pela fotografia está na genética de Alisson Luz, um dois seis participantes da mostra "Caminhos do Sertão".
Longe do universo da informática, Alisson adora exercitar a criatividade e sensibilidade por trás das lentes de uma câmera. Dos mais de 500 registros fotográficos da última viagem, difícil foi escolher cinco para apresentar para o curador da mostra João Machado, que selecionou três fotografias de cada participante. "Cada imagem revela um sentimento, algo que você viveu e ajudou a retratar de alguma forma", define.
Do hobby a profissão
A história de Elvis de Vasconcelos Freitas começou bem parecida com a de João e de Alisson.
O incentivo de amigos e familiares também foi importante para que não desistisse. Com o tempo, adquiriu equipamento mais avançado e começou a participar de um concurso de melhor fotografia na sua cidade natal, Manaus. "Das cinco vezes que participei do concurso, ganhei quatro", contabiliza orgulhoso.
O reconhecimento o incentivou a buscar mais. Hoje, Elvis está começando uma graduação em Fotografia na faculdade Cruzeiro do Sul EAD. "Nunca foi fácil, aqui é pequeno e não possui esse curso nas faculdade. Mas eu fui além, pesquisei bastante e encontrei o que eu precisava. Agora a minha vontade é crescer na fotografia de Moda", disse animado.
Quando fala sobre o seu sentimento em relação à fotografia, o estudante expressa muito amor. Para ele, essa arte é uma forma de revelar a beleza. "Para muitos, a fotografia é terapia.
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