Publicidade

Estado de Minas

Manifestantes pró-UnB ocupam prédio do FNDE, no Distrito Federal

A ocupação começou no início da tarde, após a Polícia Militar ter dispersado estudantes, professores e servidores da UnB da porta do Ministério da Educação (MEC) usando bomba de gás lacrimogêneo e a cavalaria


postado em 10/04/2018 18:12 / atualizado em 10/04/2018 18:17

(foto: Felipe de Oliveira Moura/CB/D.A Press )
(foto: Felipe de Oliveira Moura/CB/D.A Press )

Cerca de 120 manifestantes do protesto contra a situação orçamentária da Universidade de Brasília (UnB) ocupam o prédio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), no Setor Bancário Sul. O grupo está no local desde o início da tarde desta terça-feira (10/4). Por volta das 17h, um manifesto foi divulgado pelos estudantes explicando os motivos da presença no edifício do FNDE (leia a íntegra abaixo). Entre as causas estão a ação policial e a falta de diálogo com o Ministério da Educação (MEC).


O MEC informou que iniciou a reunião com seis representantes de professores, alunos e servidores e a equipe da Secretaria de Educação Superior, entretanto suspendeu o encontro após manifestantes encapuzados quebrarem janelas com paus e pedras e tentarem invadir o prédio sede do MEC. 

 

A ocupação no FNDE começou depois que a Polícia Militar dispersou estudantes, professores e servidores da UnB da porta do Ministério da Educação (MEC) usando bomba de gás lacrimogêneo e a cavalaria.

De acordo com o Tenente Coronel da PM, do Comando de Policiamento Regional Metropolitano, Carlos Andrade, os manifestantes tentaram invadir o prédio do MEC e como não conseguiram vieram ao FNDE. "A manifestação veio dispersando até a rodoviária. Chegando lá deram a impressão de que iriam embora, mas em uma manobra rápida vieram ao prédio do FNDE".

O protesto, organizado pelo Comitê em Defesa da UnB, começou às 10h e resultou em confronto com a Polícia Militar na porta do MEC e a interrupção do trânsito em uma das vias da Esplanada dos Ministérios. Após a ação policial, o grupo deixou a Esplanada dos Ministérios e optou por ocupar o prédio do FNDE. A Polícia Militar está no local. Não há registro de confrontos. Os funcionários do FNDE deixaram o edifício, segundo informações da PMDF.

 

Segundo a PMDF, três alunos foram detidos — um por desacato, um por pichação e outro por dano ao prédio do Ministério da Educação, na frente do qual os manifestantes se concentram. Eles foram levados para a Superintendência de Polícia Federal.

A UnB fala em deficit de R$ 92 milhões em 2018. Por isso, a Reitoria estuda reduzir terceirizados e estagiários. 


Reunião

Policiais se posicionaram diante do edifício para impedir a invasão do prédio do MEC, e o governo acabou aceitando receber um grupo de seis representantes da manifestação: dois membros do Diretório Central de Estudantes (DCE), dois do sindicato dos servidores e dois professores. 

A organização do ato disponibilizou quatro ônibus para transportar os manifestantes do câmpus Darcy Ribeiro, no Plano Piloto, para a Esplanada. O protesto chegou a reunir cerca de 700 pessoas, segundo a PM. Os manifestantes falam em 2 mil.

A mobilização foi organizada pelo DCE, pelo Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) e pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Educação das Universidades Brasileiras (Fasubra). O Conselho Universitário, em reunião realizada na última sexta-feira (6), manifestou apoio ao pedido do DCE para que não houvesse prejuízo acadêmico aos estudantes que participassem do ato desta terça-feira.
 
"Em nome do corpo estudantil da UnB e dos funcionários terceirizados, por meio desse manifesto, estamos vindo relatar a ocupação do FNDE após a dura repressão dos manifestantes pela Polícia Militar e Batalhão de Choque. Hoje, 10 de abril de 2018, a partir das dez horas da manhã, nos mobilizamos em frente ao Ministério da Educação. Nos mobilizamos contra os cortes orçamentários anunciados pela reitoria da UnB: contra a demissão de 55% dos funcionários terceirizados, contra a proposta de aumento dos preços do Restaurante Universitário e contra o corte das bolsas de assistência estudantil e dos estagiários. 

Mais cedo, ao apresentarmos nossa pauta para o Ministério da Educação, fomos duramente reprimidos pela Polícia Militar e a tropa de choque, sofrendo forte repressão física: três estudantes foram retidos e uma estudante foi gravemente agredida, além de toda a massa de estudantes que foram atacados com spray de pimenta e lançamentos de gás lacrimogênio, inclusive após a dispersão. 

Queremos que nossa causa seja ouvida e, nossos direitos, reconquistados. 

Pelo fim dos cortes orçamentários, pela segurança dos alunos, pela não privatização das universidades federais e pela garantia de emprego e pela auditoria de contas dos funcionários terceirizados. Pelo fim da super faturação das empresas terceirizadas contratadas pela reitoria. Pelo direito de protestar livremente assegurado pelo Artigo 5º da Constituição Federal. Pela autonomia orçamentária e administrativa da UnB. Por uma resposta oficial do Ministro da Educação

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade