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Estado de Minas

Confronto entre policiais e manifestantes marca ato de alunos da UnB no MEC

Estudantes atiraram pedras e pedaços de madeira nos policiais, enquanto a PM usou gás de pimenta


postado em 10/04/2018 15:14 / atualizado em 10/04/2018 15:23

(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press )
(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press )

Na manhã desta terça-feira (10), estudantes, professores, terceirizados e servidores da Universidade de Brasília (UnB) se reuniram em frente ao Ministério da  Educação (MEC) para manifestar contra cortes na educação. Segundo a reitoria, a instituição tem déficit orçamentário de R$ 92 milhões até o fim do ano. A organização do ato disponibilizou quatro ônibus para transportar os manifestantes do câmpus Darcy Ribeiro, no Plano Piloto, para a Esplanada. Segundo a Polícia Militar, cerca de 400 pessoas estiveram presentes, mas o Diretório Central dos Estudantes (DCE) estima que 2 mil pessoas participaram do ato.
Por volta das 11h, estudantes atiraram pedras, pedaços de madeira e sinalizadores nos PMs que faziam a segurança do prédio do MEC. Em seguida, PM usou gás de pimenta para dispersar os manifestantes. Uma vidraça foi estilhaçada e manifestantes foram agredidos. Neste momento, o prédio está cercado pelos policiais do batalhão de choque da PM. 
 
O MEC recebeu representantes da manifestação. Sendo seis no total, dois representantes do DCE, duas pessoas do sindicato e dois professores. 
 
Para a professora do Instituto de Artes da UnB Fátima Santos, 44 anos, é hora de a universidade reagir. "A gente tem visto a instituição ser sucateada. Os cortes vão além dos terceirizados, também estamos sofrendo com falta de bolsas de pesquisa na pós-graduação. Não podemos deixar a universidade voltar a ser de elite", diz.

Manuela Costa Neto, de 18, está no terceiro semestre de ciências sociais e faz parte do Centro Acadêmico de Antropologia. A estudante considera o ato importante porque a UnB está inserida na capital do país. "Por estamos bem ao lado do MEC, temos de representar o país e mobilizar outras universidades para o movimento da educação pública, que está em risco", afirma.

Para Átila Resende, de 24, estudante de arquitetura, a luta pela educação é de todos. "Estamos aqui pela manutenção da universidade, dos terceirizados e das assistências. Este é o primeiro passo para defendermos a educação pública", defende.

A ex-diretora da Faculdade de Ciências da Saúde e professora de saúde pública Maria Fátima de Sousa, também apoia o movimento da UnB. "A UnB não vai abaixar a cabeça", diz.

Delane Araújo, de 23 anos, é terceirizada da limpeza e acha que todos estão perdendo com os cortes de gastos. De acordo com ela, as demissões do ano passado provocaram aumento de trabalho para quem permaneceu na equipe da instituição. "Estamos fazendo o trabalho de duas ou mais pessoas. Isso é uma falta de respeito. Estamos aqui para lutar contra isso", pontua.
 
Yasmin Carvalho, de 19, é aluna do segundo semestre de serviço social e também participou do protesto. "Estamos aqui para reinvindicar os direitos de todos. Nós sabemos da importância de todos na universidade. Precisamos que todos tenham  condições dignas para que os alunos e servidores se mantenham na universidade", diz.
 
A deputada federal Érika Kokay (PT-DF) discursou no movimento e apoia a manifestação dos estudantes. "A universidade vive uma questão muito séria de cortes de gastos. Então, temos de nos manifestar", afirma. 
 

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