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Estado de Minas

Número de instituições particulares volta a crescer em Minas

Escolas com avaliação ruim continuam na mira do MEC. Mais de 200 cursos serão impedidos de receber novos alunos


postado em 03/12/2013 06:00 / atualizado em 03/12/2013 10:50

O número de instituições de ensino superior particulares em Minas voltou a aumentar, após dois anos seguidos de queda. Os dados mais atualizados do Ministério da Educação (MEC), acessados ontem no banco de dados digital e-MEC, mostram que o estado tem 355 estabelecimentos credenciados.

 A cifra é 12% superior aos 317 que estavam autorizados no final do ano passado, segundo o Censo da Educação Superior, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). O censo registrou 327 em 2011, quando houve a primeira redução, em relação aos 342 de 2010. Apesar da retomada no número de faculdades credenciadas, o cerco a instituições com dificuldades em obter boas avaliações continua: o Ministério da Educação anunciou ontem que cerca de 200 cursos serão impedidos de realizar vestibular por apresentarem queda no Conceito Preliminar de Curso (CPC). O indicador é calculado a partir de desempenho dos estudantes no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), infraestrutura do curso e formação do corpo docente (leia matéria nesta página).

 O sistema e-MEC é atualizado à medida que instituições são credenciadas ou descredenciadas, segundo informou o MEC. O aumento de 12% registrado em Minas é maior que o crescimento de 10,36% ocorrido em todo o Brasil, onde a quantidade de estabelecimentos particulares autorizados a funcionar passou de 2.112 para 2.331. No país, o número vem aumentando ano a ano pelo menos desde 2000, quando havia 1.004, à exceção de duas leves quedas apontadas nos censos de 2008 e 2011. Em Minas, as cifras cresceram de 118 instituições em 2000 para 287 em 2006, estabilizaram-se em 2007 e caíram nos dois anos seguintes. De 2009 para 2010, houve um boom de 280 para 342, salto de 22%. A tendência de queda foi retomada em 2011, mas os dados do sistema e-MEC sugerem que houve nova reviravolta. Dos 355 estabelecimentos autorizados no estado, 123 têm fins lucrativos e 232 não têm. Em Belo Horizonte, o Censo 2012 registrou 47 estabelecimentos credenciados, menos que os 53 apontados pelo sistema digital, sendo 28 com fins lucrativos.

 Alta no interior

 O aumento no número de instituições credenciadas ocorre em meio a uma expectativa de retração do setor. De 2010 a 2012, segundo dados do Censo da Educação Superior, houve uma queda de 7,3% das faculdades privadas em Minas Gerais. O presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep/MG), Emiro Barbini, diz que a perspectiva é de mais ajustes na capital e de expansão no interior. “Estamos vendo um aumento do número de cursos de engenharia porque é um mercado que está em alta. Em contrapartida, faculdades de licenciaturas estão fechando. Vejo que é uma expansão mais voltada para o interior, com incentivo das prefeituras e governos locais”, afirmou. Em BH, segundo Emiro, há uma preocupação do setor, que já está bastante concorrido. No último vestibular, segundo ele, a estimativa dos gestores das universidades particulares da capital é de que houve queda de 10% na procura pelos exames de seleção.

 O presidente do Sinep analisa que estão havendo fusões, como a recente da Kroton Educacional, do Grupo Pitágoras, com a Anhanguera Educacional, e a intenção é levar cursos para localidades sem universidade federal e com uma demanda reprimida. Para ele, outro fenômeno é que os alunos passaram a avaliar melhor a instituição em que vai estudar e isso faz com que só as melhores se mantenham no mercado. “Muitas instituições abriram de qualquer forma, sem condição de receber o aluno com qualidade, e agora o MEC tem mais rigor na avaliação”, disse, referindo-se aos conceitos como o CPC e Índice Geral de Cursos (IGC).

 O pesquisador doutor em educação Cláudio de Moura Castro avalia que a tendência é de que o mercado agora fique estável, após uma explosão de faculdades em 2010 e que só os melhores tenham condições financeiras para continuar. “Os mais competentes oferecem um ensino mais barato ou melhor, ou ainda a combinação dos dois, e ganham”, afirmou. Ele concorda que o aluno está agora em busca de qualidade e eles estão de olho nas notas do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para fazer a escolha.


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