
Cada candidato ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) custa aos cofres públicos R$ 49,86 e, se 2 milhões deixam de ocupar as cadeiras que lhes foram reservadas e de receber os cadernos de questões impressos para eles, o custo pode beirar os R$ 100 milhões. Nas contas do Instituto Nacional de Ensino e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC) e responsável pelo processo, o prejuízo com os ausentes gira em torno de R$ 60 milhões, porque alguns gastos não são unitários, como segurança e transporte das provas. Mas o valor gasto e o número de abstenções foram tão altos nesta edição que, diante do prejuízo, o Inep começa em dezembro a questionar os alunos. Quer saber o motivo das faltas.
A justificativa do presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa, é que fazer a inscrição e não aparecer para fazer a prova implica gastos públicos desnecessários. As perguntas para identificar as razões para o alto índice de abstenções estão sendo elaboradas. A meta é investigar se o aluno não conseguiu chegar a tempo, se desistiu, quando decidiu não comparecer à prova, o perfil, a idade e se cursa o ensino médio. O questionário será enviado pelo e-mail cadastrado pelos candidatos no ato da inscrição e o Inep espera ter pelo menos uma amostragem do que ocorreu. A expectativa é de que em fevereiro já se tenha acesso às respostas, para análise. Diante dos resultados, segundo Luiz Cláudio, o Inep vai estudar medidas até o início das inscrições da próxima edição do Enem, em abril ou maio, para evitar que o alto índice de ausências se repita. Segundo ele, algo deve ser feito antes de as provas serem impressas, em julho.
O questionário será enviado também para aqueles alunos que só compareceram a um dia da prova, como o funcionário público Vinícius Teixeira, de 30 anos. Ele não conseguiu entrar no prédio no domingo porque, segundo ele, o porteiro e o coordenador responsável pela unidade fecharam os portões 10 minutos antes do estipulado, 13h (horário de Brasília). Vinícius e outras 30 pessoas ficaram de fora e recorreram à Polícia Militar para registrar um boletim de ocorrência. O candidato espera que o Inep repare o prejuízo que teve antes de pensar em puni-lo por não comparecer. Ainda assim, o funcionário público, que prestava o Enem para concorrer a uma vaga em engenharia mecatrônica na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), promete mover uma ação judicial contra o MEC. “Foi uma covardia. Treinei a redação para o segundo dia e fui impedido de entrar, fui prejudicado e o Inep não pode me responsabilizar”, afirmou.
MOTIVOS O professor de física e matemática Átila Silva Zanone, do Colégio e Pré-Vestibular Elite, fez a prova com alunos e conta que percebeu que muitos candidatos foram no primeiro dia e faltaram no domingo. Ele analisa que, como o Enem tem objetivos diversos, como entrada na universidade, conclusão do ensino médio e é obrigatório para quem vai pleitear benefícios dos programas Universidade para Todos (ProUni) e Financiamento Estudantil (Fies), atrai um público heterogêneo. Parte dele, quando se depara com o conteúdo cobrado nas provas de sábado, desiste de ir no domingo, pela dificuldade do exame. Muitos outros, segundo ele, são treineiros e não têm o compromisso com a nota final.
Em estudo, o temido 2º dia
A última edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi a maior da história e, segundo relatos de alunos que fizeram a prova, também foi a mais extensa, principalmente no segundo dia. É no domingo que se concentram as várias contas exigidas pela matemática, os longos textos das questões de Códigos e Linguagens e ainda a redação, temida por muitos alunos e que exige dedicação. Diante das reclamações dos candidatos, o presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa, disse que a equipe pedagógica vai analisar novamente o tempo para resolução da prova. Segundo ele, são três testes importantes no segundo dia e esse conteúdo será avaliado pela equipe.
Até o fim de semana, todas as provas chegam a Brasília e Rio de Janeiro para a correção das redações e das folhas de gabarito. Em seguida, uma comissão do Inep se reúne para começar a avaliar a edição que passou e planejar o ano que vem. Para Luiz Cláudio, foi mais um ano de aprendizagem e consolidação do exame. Ele considera que ainda é preciso melhorar a qualificação dos profissionais que atuam no Enem, principalmente os fiscais e coordenadores dos locais de prova.
O resultado do Enem será divulgado no início de janeiro, quando o MEC abre as inscrições para o Sistema de Seleção Unificado (Sisu), que garante a entrada dos alunos no ensino público superior do país. Até dezembro, o Inep ainda divulga o resultado do Enem do ano passado por escola.
