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Estado de Minas

Cota está indefinida nos colégios federais da capital

Coltec da UFMG, onde disputa é de até 40 candidatos por vaga, abre inscrições sem atender exigências da nova legislação. Cefet-MG adia prazo de vestibulares para se adequar ao sistema


postado em 11/09/2012 06:00 / atualizado em 11/09/2012 06:50


A adoção das cotas para alunos da rede pública ainda é uma incógnita entre as escolas federais que oferecem ensino técnico de nível médio. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) abriu ontem as inscrições para o processo seletivo do Colégio Técnico, um dos mais concorridos, sem anunciar qualquer alteração no edital para adequar o teste às exigências da Lei das Cotas, sancionada pela presidente Dilma Rousseff (PT) no início do mês. O Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) adiou a abertura das inscrições para definir quais critérios adotará na seleção de seus estudantes.

Assim como no ensino superior, as escolas técnicas terão que direcionar metade das vagas de cada curso e turno a alunos da rede pública. No caso do ensino médio, a exigência é de que o cotista tenha cursado integralmente o ensino fundamental na escola pública. Desse total, 50% devem ser reservados para estudantes cuja família tenha renda de até um salário mínimo e meio per capita. As instituições deverão garantir também que as vagas de cotistas sejam preenchidas por pardos, negros e indígenas, na mesma proporção dessas populações no estado, segundo o último censo do IBGE.

Em Minas, quatro universidades federais contam com escolas técnicas de nível médio, de acordo com o Ministério da Educação (MEC). A legislação prevê que as instituições federais implementem, no mínimo, um quarto da reserva este ano. Mas o reitor da UFMG, Clélio Campolina, insiste que mudança no processo seletivo só poderá ser feita quando o MEC publicar a regulamentação da lei, ditando as regras de aplicação, o que está previsto para o fim do mês. “Não temos como aplicá-la e não queremos gerar tumulto na universidade”, afirma.

Com 122 vagas em cinco cursos técnicos de nível médio (eletrônica, informática, automação industrial, análises clínicas e química), o Coltec já divide seu vestibular entre alunos de escola pública e particular. Há mais de 15 anos, alunos disputam apenas com candidatos de sua categoria e, independentemente da origem, a concorrência chega a mais de 40 candidatos por vaga em alguns cursos. A reserva para cada grupo muda conforme o número de inscritos. Apesar disso, o Coltec não conta com critérios de raça ou cor nem de renda na seleção. “Mais de 75% dos estudantes do Coltec são de escola pública e não há como alterar nada este ano”, ressalta Campolina.

Seleção

No Cefet-MG, a Comissão Permanente do Vestibular suspendeu a abertura das inscrições em seu processo seletivo, tanto de nível médio quanto de nível superior. Uma das mais tradicionais escolas técnicas, com mais de 2,3 mil vagas de ensino técnico abertas, o centro federal não tem nenhuma política afirmativa implantada e preferiu adiar o início das inscrições, previstas para o início do mês. “A proposta é já aderir integralmente ao que determina a lei e será levada para a aprovação do Conselho de Ensino e Pesquisa esta semana”, afirma a coordenadora-geral da Copeve, Míriam Staffun.

A intenção é lançar os editais dos processos seletivos na próxima segunda-feira e apaziguar os ânimos entre os milhares de candidatos à espera de uma posição. No Cefet, a disputa no nível médio é de cerca de 10 candidatos por vaga. Segundo a coordenadora da Copeve, mais da metade dos alunos é de escola pública. “O que vai modificar principalmente é o percentual de negros, pardos e indígenas na instituição”, ressalta Míriam. Na Universidade Federal de Viçosa, que conta com a Central de Ensino e Desenvolvimento Agrário de Florestal (Cedaf), a adequação do processo seletivo do Cedaf ocorrerá na semana que vem. Como o edital já foi lançado, uma retificação será feita.

Pressão

Gabriel Ferreira cursa o 9º ano do ensino fundamental e pretende fazer o técnico de química no Coltec, antes de enfrentar medicina na Federal(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Gabriel Ferreira cursa o 9º ano do ensino fundamental e pretende fazer o técnico de química no Coltec, antes de enfrentar medicina na Federal (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
A mudança aumentou a pressão sobre os ombros de Gabriel Ferreira, de 15 anos. Aluno do 9º ano do ensino fundamental de um colégio particular, ele sonha  fazer o curso técnico integrado com o médio. “Estão faltando profissionais no mercado, e por isso pensei na opção. Além disso, como quero fazer o técnico em química, creio que me ajudará quando for tentar o vestibular para medicina”, ressalta o estudante. Para garantir a vaga, ele se dedica bastante aos estudos. “Vou para a escola de manhã, ao cursinho à tarde e, à noite, ainda estudo até as 21h. Estou pegando firme”, conta Gabriel, que no Coltec deve enfrentar concorrência de mais de 40 candidatos por vaga.

A estudante Andrezza Maris, de 14, que cursa o 9º ano do ensino fundamental no Instituto de Educação de Minas Gerais, se beneficiará da mudança, mas nem por isso apoia a decisão de reservar vagas para alunos da rede pública. Desde março, ela se prepara para as provas num cursinho especializado, onde pôde fazer amigos da rede particular. “Vi que muitos de nós têm os mesmos problemas e dificuldades e que o sucesso do resultado depende de cada um”, afirma a aluna, que se considera preparada para a disputa. “Não importa se é particular ou pública, acho que vai ser concorrido do mesmo jeito”, diz.

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