O goleiro Bruno Fernandes de Souza, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio e pelo sequestro do filho dela, foi transferido da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O atleta vai cumprir o restante da pena de 22 anos e três meses de prisão no Centro de Reintegração Social (CRS) da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC) de Santa Luzia, também na Grande BH. A transferência foi feita depois que a Justiça deferiu um pedido do preso.
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Outro critério é o perfil do preso. O juiz avalia se a pessoa vai se adaptar ao regime da Apac. A juíza procurou informações na Penitenciária Nelson Hungria e no Presídio de Francisco Sá, no Norte de Minas Gerais, onde Bruno também cumpriu pena e acabou retornando para Contagem, e não descobriu nenhum impedimento para a transferência.
Segundo a Seds, a Apac tem como objetivo a humanização no cumprimento da pena, com presença de voluntariado, envolvimento das famílias de presos e na recuperação do condenado. O método foi criado em São José dos Campos na década de 1980. Atualmente, Minas custeia 33 centros de reintegração social.
Na Apac o goleiro vai ter mais liberdade do que tinha na Nelson Hungria, mas terá que continuar a cumprir a pena em regime fechado. “O que muda é que ele vai estar em um ambiente melhor para as pessoas que cumprem pena. Lá é um ambiente mais salutar. O Bruno vai ter acesso ao trabalho, ao estudo e outras atividades. Os presos têm uma liberdade maior”, explica o atual advogado do goleiro, Bernardo Simões Coelho.
O defensor comemorou a vitória na Justiça e já pensa em outras medidas.
Réus condenados
Todos os réus que responderam pelos crimes contra Eliza Samudio e do filho dela, foram condenados, com exceção de Dayane Rodrigues, ex-mulher de Bruno, que foi absolvida das acusações. Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do atleta, foi condenada a cinco anos pelo sequestro e cárcere de Eliza e Bruninho. Luiz Henrique Romão, o Macarrão, braço direito do ex-ídolo do Flamengo, foi sentenciado a 15 anos de prisão por homicídio qualificado. Ele foi beneficiado por uma confissão parcial do crime. Já Bruno teve a pena estabelecida em 22 anos e 3 meses de prisão por homicídio e ocultação do cadáver da jovem e também pelo sequestro e cárcere privado do filho, Bruninho.
Elenílson Vitor da Silva, caseiro do sítio do ex-atleta em Esmeraldas, e Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, respondiam apenas pelo sequestro e cárcere privado de Bruninho, filho do jogador e da modelo assassinada. Ambos foram condenados e cumprirão pena em regime aberto. Wemerson, que era réu primário, foi sentenciado a 2 anos e 6 meses de prisão. Já Elenilson, que chegou a ficar preso por cinco meses por causa do envolvimento na morte de Eliza e não era réu primário, teve a pena estabelecida em 3 anos.
Um outro réu no processo não chegou a ser julgado. Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro Bruno, era considerado a principal testemunha do caso. Ele foi assassinado meses antes da data prevista para o julgamento. A polícia concluiu que ele foi vítima de um crime passional, sendo executado pelo companheiro de uma mulher que tinha assediado na rua. Outro primo do jogador, que revelou à polícia grande parte da trama, cumpriu medida sócio-educativa e já está em liberdade. Jorge Lisboa Rosa era menor de idade quando o crime ocorreu
Investigação continua
A Polícia Civil ainda investiga a participação de outras pessoas no assassinato de Eliza Samudio e do sequestro do filho dela. O ex-policial civil José Lauriano de Assis Filho, o Zezé, teve a prisão pedida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), mas conseguiu na Justiça o direito de responder em liberdade.