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Estado de Minas

Julgamento dos dois últimos réus do Caso Bruno é adiado para agosto

Elenilson e Wemerson enfrentariam o júri popular na próxima semana, mas a juíza de Contagem decidiu remarcar a data


postado em 09/05/2013 19:43

O julgamento dos dois últimos réus acusados de envolvimento no desaparecimento e morte de Eliza Samudio foi adiado. Elenilson Vitor da Silva e Wemerson Marques seriam julgados em 15 de maio, mas o júri foi remarcado para 28 de agosto. Ambos respondem apenas pelo sequestro de mãe e filho, o Bruninho, mas irão a júri popular porque o crime é conexo ao de assassinato da jovem.

Wemerson era caseiro do sítio do goleiro Bruno Fernandes em Esmeraldas. Já Elenilson, conhecido como Coxinha, era motorista do jogador. Segundo o Ministério Público, ambos tiveram participação direta no cárcere de Eliza e do filho. De acordo com o Tribunal de Justiça, a juíza Marixa Fabiane Rodrigues remarcou a data por causa do grande número de processos de réus presos que tramitam no Fórum Doutor Pedro Aleixo, de Contagem. Réus que aguardam julgamento presos têm prioridade em relação aos que estão em liberdade.

A expectativa da promotoria é de que os dois confessem o crime para obter redução da pena. Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada de Bruno, respondeu pelos mesmos crimes e foi sentenciada a cinco anos de prisão. Ela aguarda decisão da Justiça para não ter de cumprir parte da pena no regime semiaberto. Se condenados a menos de quatro anos de reclusão, Wemerson e Coxinha cumprirão toda a pena no regime aberto.

Quatro condenados, uma absolvida e um morto

Ao todo, oito pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público por participação no sequestro, cárcere, assassinato e ocultação do cadáver de Eliza Silva Samudio em 2010. Um dos réus, Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro Bruno, foi assassinado meses antes do julgamento. Ele era considerado testemunha chave do caso e, segundo a polícia, foi assassinado por um crime de cunho passional, sem qualquer relação com a morte de Eliza. Outro primo do jogador, Jorge Lisboa Rosa, apontado como a principal testemunha, teve participação direta em toda a trama. Porém, era menor na época do crime, cumpriu medida socioeducativa e já está em liberdade.

Os primeiros réus a serem julgados, em novembro de 2012, foram Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, amigo de infância e braço direito do goleiro Bruno, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do atleta. Macarrão foi o primeiro acusado a confirmar que Eliza estava morta. Ele surpreendeu a todos ao confessar parcialmente o crime e atribuir toda a articulação ao jogador. Ele foi beneficado pela confissão, acabou absolvido do crime de ocultação de cadáver e foi sentenciado a 15 anos de reclusão pelo homicídio triplamente qualificado. Fernanda teve a pena estabelecida em cinco anos pelo sequestro de Eliza e do bebê.

Em março deste ano foi a vez de Bruno e Dayanne Rodrigues, sua ex-mulher, enfrentarem o júri popular. O ex-ídolo do Flamengo também apresentou uma confissão parcial, mas não obteve redução de pena por isso. Ele devolveu toda a culpa pelo crime ao amigo Macarrão, dizendo que não mandou matar, mas acabou sendo conivente com o assassinato. Dayanne foi absolvida a pedido da própria promotoria. Já Bruno foi sentenciado a um total de 22 anos e meio de reclusão pelo homicídio, sequestro e cárcere. A promotoria recorreu e espera que a pena seja aumentada. Já a defesa tenta anular o júri.

O último réu julgado foi o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Segundo a promotoria, ele foi contratado para executar Eliza Samudio e desapareceu com o corpo dela. O réu, que chorou muito no plenário do Fórum de Contagem durante os seis dias de julgamento, negou qualquer envolvimento no caso. Mas os jurados consideraram as provas e votaram pela condenação. Ele foi sentenciado a 22 anos e 360 dias multa por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Investigações suplementares

Mais pessoas ainda podem ser denunciadas por participação neste crime. Uma investigação suplementar, que corre em segredo de Justiça, foi solicitada pelo Ministério Público, apura o possível envolvimento de dois amigos de Bola, ambos policiais civis. São eles José Lauriano de Assis Filho, o Zezé, já aposentado, e Gilson Costa. A promotoria disse que outras pessoas também são alvos desta investigação.

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