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Estado de Minas

Juíza trabalha na última fase para marcar júri do Caso Bruno

O último procedimento é referente ao artigo 422 do Código Penal Brasileiro, que determina o acionamento dos advogados para que eles possam indicar suas testemunhas, mas novas ações podem ocorrer.


postado em 29/08/2012 13:36

A juíza do Tribunal do Júri de Contagem, Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, já trabalha na etapa que antecede a realização do júri popular dos sete réus do Caso Bruno. Segundo o Fórum de Contagem, o processo retornou para a magistrada na última sexta-feira, dia 24.

O último procedimento é referente ao artigo 422 do Código Penal Brasileiro, que determina o acionamento dos advogados para que eles possam indicar suas testemunhas. A partir do momento em que eles forem intimados, terão o prazo de cinco dias para responderá juíza. Ainda durante essa fase podem ocorrer novas ações, como perícias e adição de novos documentos, caso sejam solicitadas. Por causa disso, ainda não é possível confirmar a data para o julgamento. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), ainda há um recurso protocolado em Brasília pela defesa do goleiro, mas isso não deve impedir a realização.

Na tarde de terça-feira, o ex-motorista do goleiro Bruno Fernandes, Cleiton da Silva Gonçalves, prestou depoimento na Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) e negou que as duas tentativas de homicídio sofridas por ele nos últimos dias não tem relação com a morte de Eliza Samudio, mas com um homicídio no qual estaria envolvido. Na delegacia, ele assumiu ter sido o mandante do assassinato de Elvis Silva Camargo, morto com seis tiros, em março deste ano, dentro de uma churrascaria às margens da BR-040, em Contagem, na Grande BH.

A suposta amante de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, amigo e braço direito do goleiro Bruno, também foi ouvida no DHPP. Segundo a Polícia Civil, o delegado Wagner Pinto negou ter convidado a mulher a prestar depoimento. Ela teria comparecido espontaneamente na delegacia e foi ouvida. No entanto, segundo ele, o depoimento dela não acrescentou detalhes às investigações. Andreia Rodrigues Silva, de 27 anos, falou sobre o suposto par de brincos que teria ganhado de presente de Macarrão e que teriam sido Eliza Samudio.

A polícia também informou que nesta quarta-feira não serão feitas novas buscas no sítio que pertenceu ao goleiro Bruno em Esmeraldas. Na tarde de terça, policiais e bombeiros escavaram o terreno onde o corpo de Eliza estaria enterrada, segundo uma denúncia anônima via 181. No entanto, nenhum vestígio foi encontrado e as buscas foram suspensas.

Entenda o caso

- Segundo denúncia do Ministério Público à Justiça, em 10 de junho de 2010, Eliza foi assassinada na casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em Vespasiano.

- Tudo começou, segundo o MP, em maio de 2009, em um churrasco no Rio, onde Eliza conheceu Bruno, que a engravidou. O atleta propôs acordo aborto, mas ela insistiu no bebê.

- Em outubro de 2009, Bruno a ameaçou e a agridiu. Ela é sequestrada por Macarrão e voltou a ser ameaçada em apartamento na Barra da Tijuca. Obrigada a tomar remédios para aborto, registrou queixa na polícia.

- Com medo, ela se refugiou em São Paulo, onde em fevereiro de 2010 nasceu o bebê.

- Em maio de 2010, Bruno atraiu Eliza para o Rio, sob pretexto de submeter a criança a um exame de DNA. Ela ficou em hotel na Barra da Tijuca.

- Em 4 de junho de 2010, Macarrão e um adolescente sequestram Eliza e o bebê, a agridiram e a levaram para a casa do goleiro no Recreio dos Bandeirantes. No dia seguinte, Eliza é levada para Contagem. Bruno e a namorada Fernanda seguem numa BMW. No dia 6, todos se hospedam em um motel e seguem para o sítio do goleiro, onde Eliza é mantida em cativeiro, até ser morta, em 10 de junho.

- Enquanto esteve no sítio, segundo o MP, os acusados se revezaram na função de carcereiros.

- Por volta das 20h30 de 10 de junho de 2010, Eliza foi levada para Vespasiano por Macarrão e o adolescente. A criança teve a sua vida poupada pelos acusados.

- O encontro com o ex-policial Bola ocorreu perto do estádio Mineirão e todos seguiram para a casa dele em Vespasiano. Bola, com ajuda de Macarrão, asfixiou Eliza até a morte. Depois,Bola sumiu com o corpo, que até hoje não foi encontrado.

- Macarrão e o adolescente voltaram para o sítio do goleiro levando o bebê. Lá, Bruno, Macarrão, Sérgio e Jorge fizeram uma rápida reunião e apagaram os vestígios de Eliza e do bebê pelo local.

- Bruno, Sérgio, Macarrão e Jorge foram para Ribeirão das Neves, na Grande BH, de onde partiramm para o Rio às 23h30, em um ônibus que levou o time mantido pelo goleiro, o 100% Futebol Clube.

- Dayanne ficou com o bebê no sítio e passaram a chamá-lo de Ryan Yuri, para não associá-lo à mãe. Em 18 de junho, Dayanne vai ao Rio, deixando a criança com Elenilson e Wemerson. O garoto foi entregue para uma mulher para tomar conta, que o repassou para outra. Bruninho foi localizado pela polícia, depois de receber denúncia da morte de Eliza. Todos os envolvidos foram presos e denunciados à Justiça. Atualmente, apenas Bruno, Macarrão e Bola aguardam o julgamento recolhidos em presídios.

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