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Estado de Minas

Bruno reage às declarações de Macarrão


postado em 22/07/2011 06:00 / atualizado em 22/07/2011 07:35

A amizade aparentemente inabalável entre o goleiro Bruno Fernandes de Souza, de 26 anos, e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, de 25, ameaça ruir. Cláudio Dalledone, advogado do atleta, afirma que a relação está estremecida e adianta que seu cliente falará novamente em juízo para esclarecer pontos cruciais sobre o suposto sequestro e assassinato da ex-amante do atleta Eliza Samudio, na época com 25 anos. O criminalista garante que Bruno fará revelações com potencial para “mudar os rumos do processo”. Wasley César Vasconcelos, defensor do antes intitulado melhor amigo do goleiro, apesar de confirmar que os dois não se falam desde que foram separados de cela na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, Grande BH, em 6 de maio, não vê uma ruptura, mas “desentendimento jurídico” entre os criminalistas que atuam no processo. Para Vasconcelos, a estratégia coordenada das defesas de Bruno e Macarrão, adotada desde que a história veio à tona, em meados de 2010, terminou de vez e agora é cada um por si.

Um dos indícios de que o trato deixou de ser um mar de rosas foi a entrevista do braço direito do jogador à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, divulgada na quarta-feira. Luiz Henrique rompeu o silêncio e assumiu que o sangue encontrado no carro de Bruno, apreendido e periciado, era de Eliza. A informação não é nova, pois já havia sido confirmada em depoimentos de outros envolvidos e pelos exames de DNA feitos pela polícia.

(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Tanto Dalledone quanto Vasconcelos avaliam que a declaração não mudará o andamento do caso. Porém, o advogado de Luiz Henrique, que ignorava a entrevista, avalia que ela veio “em momento inapropriado”, mas que poderá ser útil no futuro para mostrar que o cliente nunca teve a intenção de ludibriar o Judiciário. Vasconcelos afirma ter sempre defendido que Macarrão se abrisse. A audiência de instrução processual em que o réu depôs, em novembro, durou 30 minutos, pois os advogados que o representavam, entre eles Dalledone, o orientaram a manter o silêncio.

Wasley se mostra contrariado com o que classifica como estratégia dos outros advogados de tentar transformar Macarrão no único culpado. “Os que defendiam Bruno queriam guardar essa carta na manga, pois Macarrão, de acordo com o que foi posto, foi o último a ver Eliza. Fiquei bravo. Não permitirei que o joguem no matadouro”. Wasley chegou a se retirar do caso em fevereiro, exigiu exclusividade e voltou. Assim, cinco advogados, inclusive Dalledone, foram destituídos. “Não sou inimigo pessoal de ninguém, mas hoje sou um adversário jurídico dos defensores de Bruno”, reforça. O advogado concorda com a hipótese de o goleiro interpretar a declaração de Macarrão com um ataque, mas nega essa intenção.

Depoimento

O atual defensor de Bruno ressalta que vai se concentrar nos assuntos de quem representa. Dalledone admitiu ter aconselhado Macarrão a se calar em novembro e deixa transparecer que algo emergirá quando Bruno voltar a depor, mas não revela que fatos ganharão luz ou se as novidades podem complicar a situação de Macarrão. “Há elementos que vão contribuir em muito com o andamento do caso. Quero que o Bruno volte a depor porque há fatos que merecem ser esclarecidos”, justifica. Não há previsão sobre a data do possível depoimento. Wasley, contrário à iniciativa, adiantou que aguardará o julgamento, em que Macarrão poderá se expressar novamente.

Quando questionado sobre a relação dos amigos, Dalledone afirma: “Eles não estão separados por acaso”. Ele admitiu abalos na relação, sem revelar os motivos. Desde a revelação do suposto crime, a relação dos até então companheiros inseparáveis era reforçada por declarações de apoio mútuo e juras de lealdade. Os réus dividiram uma cela na Penitenciária Nelson Hungria por nove meses. Segundo relatos publicados pelo Estado de Minas, Macarrão dormia aos pés de Bruno, em um colchão colocado no chão.

 

Penas podem chegar a 49 anos

 

Bruno Fernandes foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado, ocultação de cadáver e formação de quadrilha, corrupção de menores e subtração de criança. Em caso de condenação, a soma das penas varia de 36 a 49 anos. As acusações contra Luiz Henrique Romão, o Macarrão, são idênticas. Da mesma forma, para Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno. Já o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. A pena máxima pode chegar a 36 anos. Eles estão presos.

Outros quatro acusados, a ex-namorada Fernanda Gomes de Castro, a ex-mulher Dayanne Rodrigues, Wemerson Marques de Souza e Elenilson Vitor da Silva, respondem ao processo em liberdade, ainda que tenham sido enquadrados judicialmente nos mesmos crimes e sujeitos a penas de 36 a 49 anos em caso de condenação. Flávio Caetano de Araújo, contra quem pesavam inicialmente acusações idênticas, foi inocentado.

À época menor, J. cumpre, desde o ano passado, medida socioeducativa por tempo indeterminado (prazo máximo seria de três anos) por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado. Os 31 volumes do processo sobre a morte de Eliza Samudio estão com a Procuradoria Geral de Justiça, para análise da defesa preliminar dos réus contra a sentença de pronúncia, que os leva a júri popular. Em seguida, o processo voltará para a 4ª Câmara Criminal, para que o desembargador marque a data de avaliação dos recursos. Só depois disso a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues poderá agendar a data do julgamento dos réus.

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