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Estado de Minas

Paquistaneses ainda duvidam dos ataques de 11 de setembro

O antiamericanismo solidamente enraizado nos paquistaneses rendeu teorias de complô americano permanentes e cada vez mais populares


postado em 08/09/2011 12:06

Paquistão - O jovem oficial paquistanês suspira ao afastar curiosos do que resta do local do descanso final de Osama Bin Laden em Abbottabad (Paquistão). "Ele estava realmente aqui? Tudo isso é como o 11 de setembro, não sabemos nem mesmo se existiu", afirma. No Paquistão, aliado dos Estados Unidos na sua "guerra contra o terror", mas frequentemente acusado de apoiar jihadistas internacionais, muitas pessoas duvidam do envolvimento de Bin Laden nos atentados de Nova York e Washington há 10 anos.

Parado no fim de uma rua de terra que leva ao lugar onde os soldados de elite americanos mataram Bin Laden no dia 2 de maio, Abdullal de apenas 30 anos, não diz mais nada, prefere respirar o ar da cidade aninhada no sopé do Himalaia. Algumas centenas de metros à frente, Wahab Khan Maseeb, 20 anos, sai da Faculdade pública de Medicina Ayub (AMC). Esse jovem paquistanês-americano de calça jeans, camiseta e tênis estava em Nova York no dia 11 de setembro de 2001, em uma escola do Brooklyn. Ele viu "o céu cheio de cinzas", mas exita. Como outros paquistaneses, ele viu "Loose Change", um documentário que afirma que a destruição das torrer gêmeas foi planejada pelo governo americano. "Era bastante convincente...", disse.

O antiamericanismo solidamente enraizado nos paquistaneses rendeu teorias de complô americano permanentes e cada vez mais populares. Para muita gente o 11 de setembro é "um teatro fabricado pelos americanos" e "judeus americanos", para justificar a invasão do Afeganistão e colocar os pés nas terras islâmicas. O Paquistão tem pago um preço alto pelo apoio à Washington depois de 2001, pelo menos milhões de dólares. Os radicais islâmicos orquestraram represálias que causaram a morte de 35.000 pessoas, entre eles 3.000 soldados, segundo Islamabad.

Esses números são impossíveis de verificar, mas, segundo uma contagem da AFP, 4.600 paquistaneses foram mortos em 500 atentados (suicidas na maior parte), realizados essencialmente pelos talibãs aliados á Al-Qaeda no período de quatro anos, depois que Bin Laden decretou a "guerra santa" em 2007 contra Islamabad.

Uma "guerra importada pelos americanos", acredita a maioria dos paquistaneses. Consequência do fracasso da intervenção no Afeganistão. "Os Estados Unidos trouxeram o apocalipse e nós não paramos de pagar", lamenta Mohammad Farooq, 57 anos, proprietário de terras em Abbottabad que se pergunta se "ocorreu realmente um ataque no dia 11 de setembro".

"As teorias da conspiração chegaram a um tal nível que mesmo os mais estudiosos acreditam", assusta-se o jornalista e escritor Zahid Hussain. Elas descrevem Washington ligado à Índia e Israel, todos buscando a destruição do Paquistão e do mundo muçulmano. A única nação muçulmana que possui armas nucleares é obcecada pela suposta ameaça vinda do inimigo de sempre, a vizinha Índia.

"Teorias da conspiração que as autoridades fazem questão de contestar publicamente, têm a vantagem de divulgar assuntos como a corrupção das elites políticas e a falta de eficácia de um exército que tombou do pedestal depois da ação militar americana em Abbottabad. A presença, no coração de uma cidade-guarnição do norte, do chefe da Al-Qaeda nutre suposições de alianças entre militares e extremistas islâmicos. O Exército pede à população para "se preparar para defender a pátria-mãe" diante de ameaças externas.

Em uma coluna publicada recentemente no jornal Le Monde, o sociólogo paquistanês H. Hussein, disse que os três líderes militares do Paquistão têm todo o interesse de manter um clima de paranoia para imporem autoridade sobre os civis.

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