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Estado de Minas

Polícia investiga se houve crime na aplicação da prova da SEDESTMIDH

1ª DP apura tumulto que causou cancelamento da seleção para a SEDESTMIDH. Banca admite atraso, mas culpa confusão de candidatos pelo adiamento


postado em 26/03/2019 09:42 / atualizado em 27/03/2019 11:33

Em pelo menos dois locais, candidatos foram liberados antes do horário e ficaram sem informações precisas (foto: Jessica de Abreu/Divulgação )
Em pelo menos dois locais, candidatos foram liberados antes do horário e ficaram sem informações precisas (foto: Jessica de Abreu/Divulgação )
A Polícia Civil vai investigar o cancelamento das provas do concurso da Secretaria de Estado do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEDESTMIDH). No domingo, após atraso na entrega do exame, candidatos se revoltaram e provocaram tumulto na Unip da Asa Sul, que interrompeu a continuidade da avaliação. Ao menos 110 participantes foram à 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) para registrar ocorrência.

O caso foi encaminhado à Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e aos Crimes Contra a Administração Pública (Cecor). O delegado à frente do caso, Leonardo de Castro, explica que os agentes apuram se houve algum fato criminoso na aplicação da prova. “Vamos ouvir vítimas, servidores e analisaremos os documentos apresentados”, informa. Segundo o investigador, os policiais vão avaliar se ocorreram fraudes ou tentativas de fraudes e se há envolvimento de servidores do Instituto Brasil de Educação (Ibrae), entidade responsável por aplicar as provas.

Castro ainda ressaltou que, caso seja encontrado algum indício de crime ou de envolvimento de trabalhadores da banca, os agentes trabalharão com a possibilidade de ação de uma organização criminosa. Além disso, o delegado afirmou que os policiais vão apurar se houve algum tipo de irregularidade na licitação para contratação da empresa responsável pela avaliação. “Se confirmarmos crime, o inquérito policial será instaurado. Ao contrário, o caso seguirá para que o próprio órgão apure possíveis irregularidades administrativas”, frisa.

Em contrapartida, o Ibrae responsabilizou os candidatos pelo cancelamento da prova. Por meio de comunicado oficial, a entidade assumiu a responsabilidade pelo atraso das provas. O texto diz que um dos malotes da avaliação foi encaminhado a um endereço errado, mas que o engano atrasaria o início da prova em apenas 27 minutos. Segundo a entidade, quatro homens deixaram um dos locais de prova e prenderam seis coordenadores do concurso em uma sala da Unip, na Asa Sul, o que inviabilizou a distribuição das provas corretas.

“Vários envelopes foram furtados por candidatos, a sala da coordenação foi invadida e até mesmo pertences pessoais dos supervisores, furtados. O que seria uma simples troca de malote transformou-se em um verdadeiro ato de vandalismo praticado por alguns candidatos que estavam na Unip”, destacou o comunicado. Por fim, o Ibrae ressaltou que, em breve, informará a data da nova aplicação do exame.
 
 
Questionada, a Sedestmidh informou que a banca organizadora é totalmente responsável pelas etapas de execução do concurso. De acordo com a secretaria, caso sejam constatadas falhas na execução que coloquem o concurso em risco ou quanto à legalidade na realização, “as medidas administrativas e judiciais serão tomadas”.

Revolta 

A confusão começou após as 8h, horário marcado para o início da avaliação. Na Unip, o atraso foi o principal problema levantado pelos concorrentes. Alguns relataram ter recebido a prova uma hora e meia depois do agendado. Fiscais também não conseguiam repassar informações aos concorrentes e a revolta tomou de conta. A Polícia Militar precisou ser acionada e muitos candidatos deixaram o lugar.

Quem foi fazer a prova no início da manhã de domingo reclama que houve falta de organização por parte da banca. A assistente administrativa Laís Rodrigues, 30 anos, conta que, quando chegou, os fiscais informaram que a folha definitiva de respostas ainda não havia chegado, mas que os candidatos poderiam começar as provas. “Achei estranho, porque, geralmente, eles entregam tudo junto. Fiquei mais de uma hora respondendo às questões, quando começou a gritaria”, afirma.

De acordo com Laís, candidatos revoltados tomaram conta da unidade de ensino e os fiscais anunciaram que a prova estava cancelada. “Foi um transtorno muito grande. A gente sai cedo de casa, pega engarrafamento e tem que lidar com uma situação dessas”, lamenta.

A advogada Jéssica Kelly Santos Coelho, 29, fez a prova na Upis, também na Asa Sul, e afirmou que, mesmo em outra unidade, a aplicação da prova estava desorganizada. “Na entrada, eu percebi que tinha algo errado. Demorou para chegarmos às salas e havia muitas filas. Além disso, eles não nos entregaram nossos gabaritos”, lembra.

Quase uma hora após o início da avaliação, a advogada relata que um fiscal entrou na sala e anunciou que não haveria mais prova. “Não teve confusão como na Unip, mas todos ficamos revoltados. A gente gasta tempo estudando, nós acordamos cedo e chegamos na expectativa de fazer uma boa prova”, reclama.

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