Há mais de dez anos, iniciaria na Tunísia, em dezembro de 2010, aquela que é considerada uma das maiores ondas de manifestações do século XXI, a chamada Primavera árabe. A autoimolação de Mohamed Bouazizi, um jovem ambulante tunisiano, acendeu a faísca para uma série de protestos contra o governo de seu país, tendo como consequência a saída do então presidente Zine El Abidine Ben Ali, que estava a mais de 23 anos no poder.
Corrupção, negligência do governo, desemprego, falta de democracia e de liberdade foram as pautas mais cobradas por parte da população. Associado a isso, ocorrera também o aumento dos preços de itens básicos como alimentos e produtos de higiene pessoal, em decorrência da crise econômica global de 2010/2011.
Construindo um rápido paralelo com o assassinato de Francisco Ferdinando em 1914 e posterior eclosão da primeira Guerra Mundial, a morte de Mohamed Bouazizi inspirou manifestações em diversos países do Oriente médio, dentre eles há de se destacar: Egito, Líbia, Iêmen, Síria, Marrocos, Jordânia, Argélia e Arábia Saudita.
Um ponto importante a respeito da organização e difusão das manifestações nos países foi o uso da internet, mais especificamente a utilização das redes sociais. Seja pelo Facebook ou Twitter, diversos manifestantes, em geral jovens, criticavam o governo, expondo os casos de corrupção dentro de seu país, assim como a falta de liberdade experenciada por eles. As redes sociais, antes usadas para o entretimento, agora eram importantes ferramentas do ciberativismo e, tal como uma postagem no instagram ou uma mensagem publicada no twitter, a ideia de se rebelar contra o governo viralizou entre a população do oriente médio.
Mas nem tudo são flores nessa primavera. Quando se iniciou em dezembro de 2010, o sentimento era de esperança, de que muitos dos ditadores iriam cair, de que o exílio para determinados grupos políticos aconteceria em decorrência da força popular por detrás das manifestações.
Entretanto, na realidade, o que se viu foram resultados bem diferentes: conflitos entre grupos armados pela lacuna do líder político deposto, pois a cadeira vazia da presidência agora se tornara mais atrativa para os líderes da oposição; o aumento da repressão política daqueles que continuaram no poder ocorrera, visto que agora os governantes enxergam a força de sua população; além de algumas reformas sendo feitas apenas para acalmar os ânimos dos mais exaltados.
De maneira mais direta, pode-se dizer que um dos poucos países que saíram vitoriosos dessa primavera foi a Tunísia, cerne do movimento, pois os demais ainda sofrem com tensões políticas, fragilidades econômicas e um grande numero de refugiados, que buscam abrigos em países europeus, dando inicio a uma outra gama de problemas: a crise dos refugiados, o aumento da xenofobia e o surgimento de grupos radicais em solo europeu.
É possível talvez assistir em 2021, 2022 ou 2023 uma nova onda de protestos? Essa é uma pergunta difícil de ser respondida. O que se sabe é que uma semente foi plantada, ainda há demanda por liberdade e democracia nesses países, a população sempre conheceu os motivos de sua luta, muitos dos governantes podem ter silenciado a voz de seu povo, mas não destruíram a esperança da revolução.
Aula ao vivo sobre a os Desdobramentos da Primavera Árabe
No dia 10 de setembro às 9:10 (Percurso Educacional e o Prof. Jhonathan) acontece a aula ao vivo e gratuita no canal do Youtube (abaixo):
Artigo escrito pelo Prof. Jhonathan Magalhães (Percurso Educacional)