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Estado de Minas ENSINO

Pais de alunos se revoltam com anúncio de fechamento do Pitágoras, em BH

Um grupo estuda tomar medidas jurídicas contra a instituição de ensino pela maneira com que o assunto está sendo conduzido


12/11/2021 22:23 - atualizado 13/11/2021 10:29

Pais de aluna do Colégio Pitágoras, na entrada da instituição
Pais de aluna do Colégio Pitágoras, na entrada da instituição (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Pais de alunos do Colégio Pitágoras, em Belo Horizonte, estão revoltados com a instituição de ensino que  anunciou, nesta sexta-feira (12/11), o encerramento de suas atividades a partir de 2022. Muitas das reclamações circularam em um grupo privado do Facebook. Alguns deles pretendem tomar medidas jurídicas contra a instituição.
 
“Indignação! Revolta! Grupo Eleva fecha portas do Colégio Pitágoras e comunica aos funcionários que serão desligados a partir de 21/12. Famílias que já tinham feito rematrícula são pegas de surpresa e precisam correr para conseguir vaga em outras escolas, caso não queiram aceitar a indicação de irem para o Coleguium”, diz o trecho da publicação de uma mãe, feita no grupo da rede social. 

Ela ainda comenta da reação dos alunos diante da notícia. “Hoje a comoção era geral na escola. Tenho notícias que crianças e adolescentes passaram mal de tanto que choraram!”
 
Postagem de uma mãe de aluno, em um grupo privado do Facebook
Postagem de uma mãe de aluno, em um grupo privado do Facebook (foto: Reprodução/Redes Sociais)
 

O advogado Renato Martins tem uma filha que estuda no colégio e está no segundo ano do ensino médio. Ele participa de um grupo de cerca de 70 pais que estão interessados em tomar medidas jurídicas contra o colégio. 

“Existem vários abusos que foram feitos pela instituição para o fechamento. Primeiro, a maneira como o colégio fez a comunicação foi extremamente desrespeitosa. Nós recebemos um e-mail e um chamado pelos mecanismos de comunicação do colégio para uma reunião que aconteceria ontem às 19h, sobre diretrizes educacionais para o ano de 2022”, destaca.
 
Renato conta que a reunião seria exclusivamente presencial. “Primeira reunião, desde o início da pandemia, que seguiu este modelo. Nem todos os pais podiam ir, eu mesmo não compareci. Mas, em quase todas as séries, algum pai foi".

Segundo ele, ao chegar na reunião, os pais foram informados de que o colégio iria fechar as portas. “De acordo com esses pais, estava presente também a equipe pedagógica do Coleguium, que estaria ali para já se mostrar disposta, como se fosse um convênio do Pitágoras, para receber os alunos que quisessem, garantindo a postagem de uma mãe de aluno, em um grupo privado do Facebook, de que aceitaria todos os alunos, mesmo sem processo seletivo". 

“O primeiro problema é o desrespeito absoluto da comunicação ser feita dessa forma. Não se convidou ninguém a ir ao colégio nem mesmo para uma reunião importante, a respeito do futuro da instituição”, completa. 

Mesma rede de ensino

Outra alegação feita pelo grupo de pais é de que ambas as instituições pertencem à mesma rede de ensino, a Eleva Educação. 

“Não há nenhum convênio, o colégio simplesmente optou por nos empurrar para um outro colégio que é do mesmo grupo econômico, que comprou o Pitágoras. Ficou muito óbvio que o interesse deles não é nos acomodar no melhor colégio para cada um de nós. O interesse era manter os alunos, que estavam matriculados, interessados, dentro do grupo econômico”, critica Martins. 

Ele também acredita que o Pitágoras deixou para informar os pais sobre o fechamento do colégio em novembro exatamente por isso. 

“A operação de aquisição do grupo Eleva em relação à Saber Educacional é de março deste ano. Fomos comunicados em fevereiro deste processo. A operação precisou de autorização do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) porque implicava em concentração de mais de 20% do mercado educacional. E essa permissão do Cade veio por agora, mas, obviamente, todo mundo sabe que ele não iria negar e nem colocar ressalva a respeito dessa fusão". 

Para Martins, o plano de fechamento já existia. “Só foi comunicado em meados de novembro porque a maior parte dos processos seletivos para outros colégios já está encerrada ou em processo de encerramento. Isso reduz a possibilidade dos alunos escolherem. A grande maioria deles vai ter que migrar para o Coleguium porque mesmo aqueles colégios que ainda têm vaga remanescentes em aberto, não são suficientes para comportar todo mundo. É uma tentativa vil de obrigar o aluno a ir para o Coleguium". 

Sofrimento dos alunos 

Os pais relatam ainda o sofrimento de alunos de algumas turmas que estudaram o tempo todo juntos e agora terão que se separar. 

“Por exemplo, a turma da minha filha. Ela está no Pitágoras há três anos, mas a turma dela, que hoje é composta por 32 alunos, 27 desses estão juntos desde a primeira série. É uma turma que está junta há dez anos. Estão com programação de formatura feita para daqui há dois anos, alguns pais juntando dinheiro em conjunto para uma festa”, conta Martins.

Segundo ele, se os pais tivessem sido avisados do encerramento das atividades no início do ano, poderiam tentar procurar um colégio que aceitasse receber a turma inteira junta, evitando o sofrimento dos filhos.

“Qualquer colégio, normalmente, aceitaria essa ideia se tivesse o espaço físico disponível. Agora, propondo isso em novembro, essa escolha não existe. Novamente, há uma clara indução de que, o que se quer, é obrigar o aluno a ir para o Coleguium". 

O pai afirma que a instituição não leva em consideração o sofrimento que está causando aos alunos e age com interesses apenas econômicos.

“Eles não estão ligando para o sofrimento que estão impondo aos meninos, depois da pandemia. Eles ficaram um ano e meio tendo aula on-line, voltaram para as aulas presenciais faz 15 dias. É uma decisão que está sendo tomada, pura e simplesmente, do ponto de vista econômico, sem nenhum valor humano ou social. Isso não é compatível com o sistema educacional". 

Ele disse que pretende sugerir que o grupo de pais tome medidas judiciais, pleiteando as indenizações devidas. “Juridicamente, não conseguimos obrigar o colégio a continuar existindo. Mas, o fato do colégio estar terminando desta maneira está gerando danos, sofrimento nas crianças que estão lá, danos e sofrimento aos pais, além dos prejuízos econômicos dos contratos já assinados de rematrícula". 

A ideia é buscar indenização patrimonial para todos os pais e alunos prejudicados. 

POSICIONAMENTO DO PITÁGORAS

O em.com.br entrou em contato com o Colégio Pitágoras para saber o posicionamento da instituição sobre as reclamações dos pais de alunos. No entanto, o Pitágoras manteve a mesma nota enviada aos pais como resposta.
 
 
*Estagiária sob supervisão do subeditor Eduardo Oliveira 


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