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Estado de Minas FAMÍLIA E ESCOLA

Tecnologia x educação: especialistas dão dicas para dosar exposição de estudantes

Seminário em BH reúne profissionais de várias áreas e pais para debater os desafios do ensino de crianças e adolescentes na atualidade


postado em 04/11/2019 06:00 / atualizado em 04/11/2019 08:27

Sidney Lopes/EM/DA Press
Evento reuniu profissionais de várias áreas e pais para debater os desafios do ensino de crianças e adolescentes na atualidade (foto: Sidney Lopes/EM/DA Press)

 

Enquanto milhares de estudantes que encerraram o ciclo da educação básica batalhavam ontem em busca de uma boa nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), bem distante das salas de aula um evento reunia em Belo Horizonte especialistas para debater os desafios da educação de crianças e adolescentes. O Seminário de Formação para Pais e Educadores se propôs a levar um importante olhar para os hábitos de vida dos estudantes na atualidade. Idealizado pelo padre Alexandre Fernandes, pároco da Igreja Bom Jesus do Vale, de Nova Lima, na Região Metropolitana de BH, o encontro mobilizou cerca de 700 pessoas na Sala Minas Gerais, no prédio da Orquestra Filarmônica, no Barro Preto, Região Centro-Sul da capital.

 

Graduado em história, filosofia e teologia, padre Alexandre organizou o seminário em parceria com a Talento Produções, sem cunho religioso, mas aberto a toda a sociedade. “Nas palestras e debates, tivemos a presença de profissionais das áreas de psicologia, neurologia, psiquiatria, pediatria e educação, pessoas de renome e abertas às perguntas da plateia”, disse o pároco, também diretor espiritual do movimento Mães que Oram pelos Filhos, existente há três anos no país.

 

“Nada substitui o amor e a presença.” Essa foi a lição que o neuropediatra Rodrigo Carneiro de Campos deixou em sua palestra “Cérebro e tecnologia – Nossos filhos no mundo atual”. Em um debate sobre tecnologia e seus desafios na educação de crianças e adolescentes, o médico deixou claro: o segredo é saber usar. “Limitar o uso de tecnologia não é castigo, é cuidado”, defendeu. Para Carneiro, o aumento da cautela é importante para que tratamentos possam ser menos recorrentes nos consultórios médicos.

 

Presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil – Regional Minas Gerais, o médico procura aproximar a instituição da sociedade. “Não devemos demonizar a tecnologia, mas saber como e quando usá-la”, alertou. O especialista aconselha que até 2 anos de idade as crianças não sejam expostas a nenhum tipo de tela de tecnologia. De 3 a 6 anos, o uso deve ser de no máximo uma hora por dia, e sob supervisão dos pais. Dos 6 aos 18, o uso recomendado pelo especialista é de duas horas e meia, no máximo. “Precisamos entender que o contato direto com as pessoas nos faz humanos.”

Sidney Lopes/EM/DA Press
"Não devemos demonizar a tecnologia, mas saber como e quando usá-la. O contato direto com as pessoas nos faz humanos", Rodrigo Carneiro de Campos, presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil, Regional Minas Gerais (foto: Sidney Lopes/EM/DA Press)

Na mesma linha de pensamento, o psiquiatra infantil José Belisário Filho falou sobre o aumento no número de crianças que chegam doentes aos consultórios. “São coisas muito graves, pensamentos de suicídio, obesidade, depressão, ataques de pânico”, listou. Segundo o médico, grande parte desses problemas começa com o modo de as crianças dormirem.

 

O especialista explica que o certo é que os pequenos durmam de duas a três horas após escurecer. Quando o sono vem depois do recomendado ou a meninada fica sob influência de aparelhos digitais até tarde, problemas podem ocorrer na saúde física e emocional. “Prejudica o crescimento, o amadurecimento e o aprendizado”, alertou.  “Às vezes, os pais falam 'Não vou conseguir' (impor esses limites), mas temos visto muitos com força de vontade.”

 

E para encorajar as famílias, uma palestra com a psicóloga Patrícia Ragone, que acredita no poder da conexão entre pais e filhos. “Não temos que ter razão ou a última palavra. Que falemos em nome da experiência”, disse. “Não cabe mais fazer sermões. Já tivemos o modelo da educação que era uma ordem sem liberdade e com controle muito rígido. Depois, um período de muita permissividade, em que a criança tinha o poder. Agora, o que queremos é que a relação tenha o poder”, defendeu. Em sua palestra, ela reafirmou o papel fundamental do diálogo na educação dos filhos. “É preciso investir na relação. Se soubermos falar com eles, eles vão saber falar com a gente. É não impor, mas construir”, concluiu.

 

Após as palestras, que tiveram ainda a presença da mestre em filosofia Milene Costa, do psiquiatra da infância e adolescência Felipe Guimarães e da pediatra Filomena Camilo do Vale, mais conhecida como Doutora Filó, uma mesa-redonda com os especialistas abriu espaço para perguntas do público. Uma oportunidade para que nenhum participante voltasse para casa com dúvidas. *Estagiária sob supervisão do editor Roney Garcia 


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