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Estado de Minas

Psicóloga Letícia de Oliveira comenta sobre os impactos da pandemia para nossa saúde emocional


24/09/2020 16:19

Reprodução / MF Press Global
Reprodução / MF Press Global

O que anteriormente poderia ser visto apenas em cenas de filmes de ficção científica, com trama futurista, aconteceu. A verdade é que nem nos piores pesadelos imaginávamos que chegaríamos a uma situação como a presenciada atualmente: uma pandemia que parece não ter fim.

Psicóloga e especialista em análise comportamental, Letícia de Oliveira conta que sair de casa e ver tantas pessoas usando máscaras é algo que ainda a assusta: "muitas vezes vivo e, por um instante, me esqueço que estamos ainda vulneráveis ao Covid-19, mas na maior parte do tempo tenho medo das consequências que esse período trará para nossas vidas", comenta.

Em um primeiro momento nosso foco esteve todo voltado para uma adaptação ao isolamento que fazia-se necessário e nossa atenção para o máximo de informações relacionadas à prevenção. A busca por máscaras, álcool em gel e demais equipamentos de proteção individual mostrou-se intensa: "adaptamos nossas vidas a nossas casas e tivemos que nos desdobrar para trabalhar e ao mesmo tempo nos tornar professores para lecionar para nossos filhos", compartilha a dra. Letícia de Oliveira.

Meses se passaram e a esperança de que a pandemia rapidamente chegaria ao fim foi acabando. Com tantos impactos, o sentimento de insegurança e receio quanto ao futuro que nos espera é algo frequente: "sinto que nossa energia foi sendo gasta para sobreviver e não mais para planejar ou sonhar", comenta a psicóloga.

Com a queda significativa no número de casos da doença, o processo de flexibilização foi autorizado em muitas regiões, o que a muitos deixou mais confusos do que aliviados, segundo a doutora: "após o início deste processo, problemas psicológicos que havíamos adquirido nesses meses de cativeiro começaram a surgir".

A leveza no sorriso e tranquilidade no olhar das pessoas já não são percebidos, pois muitos temem se relacionar com os iguais: "nota-se que as crianças já não podem explorar o mundo como antes, e com isso acabam penalizadas caso demonstrem afeto em forma de aproximação", justifica.

As dimensões e consequências desta pandemia só serão definidas em sua totalidade após um longo período, ainda teremos muito o que vivenciar pela frente de acordo com a doutora, que finaliza dizendo: "erro meu acreditar que essa pandemia ocasionaria na evolução do ser humano. Minha sensação é de que estamos mais individualistas do que nunca, estamos vivendo em um ambiente de guerra não declarada. Guerra contra um inimigo invisível, contra as pessoas que podem me colocar em risco, guerra contra nossas mentes que nos atordoam e tiram nossa paz. Guerra com relação ao futuro e as consequências que teremos para o resto de nossas vidas.

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