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Estado de Minas

A mídia social é um universo de estrelas em que visto da terra todas são iguais, diz Fabiano de Abreu em seu novo livro


postado em 28/10/2019 08:31

Rede social, nuvem e relação com as pessoas  Foto: Pixabay
Rede social, nuvem e relação com as pessoas Foto: Pixabay

A rede social veio pra ficar e proporcionou uma interação em níveis jamais experimentados na historia e muitos afirmam que ela pode acabar com a imprensa tradicional. No entanto, é preciso cautela antes de se deslumbrar e esquecer dos contras, da parte que trata da disseminação de notícias falsas e toda a questão da credibilidade.

O filósofo Fabiano de Abreu está prestes a lançar o seu livro Filosofando a Imprensa, que será lançado este ano pela editora Pandorga. Nesta obra, o filósofo pretende revelar seu método e pensamento sobre como a filosofia é a sua principal ferramenta para criação de personagens e conteúdo para a imprensa.

O livro está sendo escrito pelo jornalista Hebert Neri em um formato considerado inovador, aos moldes de um artigo jornalístico, com base em relatos pessoais, memórias e entrevistas feitas por Hebert com Fabiano de Abreu.

Abaixo, uma prévia de um trecho que estará presente no livro onde Fabiano relata o que pensa sobre a rede social e a relação do conteúdo lá publicado com a imprensa:

Algum dia a rede social vai matar a imprensa?

"Não. A rede social não vai matar a imprensa e o motivo é claro. Na imprensa, o que se tem são pessoas formadas e capacitadas que utilizam do próprio nome, às vezes até colocando em risco o próprio pescoço, além de sua reputação, caso a informação veiculada não seja verídica. Se um jornalista propaga fake news ele tem os seus dias contados no jornalismo. Nenhuma redação vai contratar um jornalista desacreditado, que comprovadamente perdeu sua credibilidade por espalhar notícias mentirosas. Já na rede social não há um editor, não há uma verificação e inclusive sobra o anonimato. Qualquer pessoa pode criar um alter ego e falar o que quiser na rede social. Isto garantirá a sobrevivência da imprensa, a credibilidade e a verificação de fontes. Está no sangue do jornalista deixar um legado e ter a sua credibilidade. Existe um pacto implícito no jornalismo em que a sua credibilidade faz tudo na sua carreira e vale mais do que o seu diploma. Sem credibilidade, o jornalista pode rasgar o diploma. A imprensa irá se modificar e se atualizar, mas jamais acabar. A mídia social é um universo de estrelas em que, visto da Terra, todas são iguais".

O filósofo Fabiano de Abreu: Foto: Reprodução
O filósofo Fabiano de Abreu: Foto: Reprodução

Digital Influencers

"Todos podem ser influencers, principalmente pelos motivos mais fúteis. Encher uma banheira de Nutella ou enfiar um lápis no nariz pode te dar mais visualizações e notoriedade do que verdadeiros artistas. Pergunto a Fabiano sobre essa questão, de como ele enxerga o boom dos influenciadores digitais e até onde isso vai nos levar como sociedade, em comparação à imprensa e seu tradicional papel: "A diferença é clara, assim como os rumos apontados. Como vamos acreditar no que essas pessoas dizem? Qual a referência e a autoridade que estas pessoas tem para dizer o que dizem? Enquanto um jornalista vive de sua reputação, um influenciador digital não tem nada a perder. Um influenciador pode falar o que quiser, literalmente, sem sofrer os mesmos danos que um jornalista sofreria. O influenciador geralmente é um personagem e o jornalista sempre é uma pessoa real".  

Mídia Social x Imprensa tradicional

Fabiano no entanto reconhece que uma parte da imprensa está cometendo o equívoco de transformar posts de mídia social em notícia, causando um desserviço e um contrassenso: "a mídia social tem seu valor, mas o problema é que tem jornalistas que colocam em risco a própria imprensa quando pegam posts de mídia social e transformam em notícia. É como se eles criassem uma interpretação própria ao que você está lendo. É um tiro no próprio pé", conclui.


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