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Estado de Minas MERCADO

Samarco analisa operações após sete meses de retomada

Mineradora ficou paralisada durante cinco anos depois do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas


30/07/2021 17:26 - atualizado 30/07/2021 18:49

Sistema de filtragem de rejeitos da Samarco dispensa uso de barragens(foto: Jefferson Rocio/divulgação Samarco)
Sistema de filtragem de rejeitos da Samarco dispensa uso de barragens (foto: Jefferson Rocio/divulgação Samarco)
Depois de sete meses de retomada das operações, a mineradora Samarco conseguiu passar por cima das dificuldades impostas após cinco anos paralisada – desde o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015 – e garantir números satisfatórios no mercado.

Retomada que só está sendo possível devido ao processo de recuperação judicial, que protege a empresa dos credores financeiros. Com isso, a empresa recebeu aprovação da Justiça de Minas Gerais para obter financiamento no valor de US$ 225 milhões.


“O foco é exclusivamente conseguir garantir a continuidade das nossas operações. Atender os compromissos sociais e ambientais que temos em virtude do rompimento da barragem e ter esse foco, essa proteção judicial para que a gente possa estar focado nessas atividades para conseguir cumprir nossos objetivos econômicos, sociais, impostos, geração de empregos”, disse.

Em sete meses de retomada, a empresa emprega 947 trabalhadores em Minas Gerais, nas mineradoras de Ouro Preto e Mariana, na Região Central do estado. Outros 485 trabalhadores são do Espírito Santo, onde fica o porto da empresa. A Samarco também conta com 1.500 fornecedores e 5.600 empregos indiretos. 

Com relação à produção, a mineradora acumulou 4,4 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas neste ano. São 47 navios embarcados em Anchieta (ES) com destino a todo globo – mais de 17 países. 

Números da Operação Samarco até 30/07:

  • 47 navio embarcados
  • Atendendo os seguintes continentes: América do Sul, América do Norte, Europa, Ásia (Incluindo China, Oriente Médio e Sudeste Asiático), África (Norte)
  • Clientes em 17 países
  • Vendas para o Brasil, apoiando a cadeia de produção de aço nacional
  • 4,2 milhões de toneladas vendidas
  • 4,4 milhões de toneladas produzidas

“Nossa operação voltou de forma completamente segura e estável, que era nosso maior objetivo”, afirmou o gerente-geral.

Segurança sem barragem

A barragem da Samarco, que se rompeu na tarde de 5 de novembro de 2015, provocou 19 mortes. Além de destruir casas, o mar de lama devastou o Rio Doce e atingiu o oceano no Espírito Santo. O desastre foi causado pelo método “a montante”. Hoje, segundo a empresa, esse método não é mais utilizado – a empresa garante que não utiliza mais barragens.

“Não utilizamos mais a barragem a montante. A gente implementou uma forma de filtragem de rejeitos: a gente filtra esse material, deságua e empilha. Ou seja, não vai mais para a barragem. Uma parcela menor, que é 20% do rejeito, é hoje disposta no que chamamos de ‘cava’ contido naturalmente por rochas, então não tem nenhum barramento. O restante, que é 80%, é empilhado”, explicou Renato.

“Segurança acima de tudo no operacional. A Samarco se empenhou ao longo dos últimos anos num projeto que chamamos de prontidão internacional onde toda empresa fez toda verificação de todos os processos operacionais e corporativos para garantir um retorno estruturado. Temos o que tem de mais moderno em monitoramento. Sem nenhuma pressão de acelerar e produzir mais”, afirmou. “Com muita alegria que hoje, depois de sete meses, a gente confirma que conseguiu fazer isso”, acrescenta. 

Financiamento

A Samarco recebeu aprovação da Justiça de Minas Gerais para obter novo financiamento no valor de US$ 225 milhões. A autorização para o empréstimo foi dada pela 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte que reconheceu a necessidade da empresa por recursos que garantam sustentação das suas operações ao longo do processo de recuperação judicial que está em curso desde abril deste ano.  

O empréstimo foi aprovado via 'DIP Financing', uma linha de financiamento específico para empresas em recuperação judicial.


Desde 23 de dezembro de 2020, quando retomou sua produção, a Samarco tem operado com 26% da sua capacidade total e, de acordo com o seu plano de negócios, não deve atingir sua plena capacidade produtiva até 2030.

"Temos retomado nossas operações passo a passo e sabemos que temos um longo caminho para percorrer, mas faremos isso sem pressão para acelerar a operação mais do que devemos", disse o gerente-geral comercial, Renato Pereira.

Mercado e comércio

A Samarco produz minério de ferro com mais de 40 anos de relacionamento comercial. Ricardo comemora que os clientes sempre acompanharam a empresa mesmo no período de interrupção de operação.

“Conseguimos manter os contatos sempre vivos para que na hora do retorno fosse suportada pelo mercado, e foi. Estamos tendo sucesso nesse reentrada no mercado, muito felizes, com um passo-a-passo, um passo de cada vez”, disse.

Daqui pra frente

A empresa espera que no próximo semestre haja a consolidação da atividade operacional. 

“Os números são muito positivos, muito estáveis. A Samarco era reconhecida no mercado por conseguir implementar seus projetos de uma forma muito suave, muito adequada, muito estável. Mesmo depois de cinco anos parado, o retorno da Samarco foi e tem sido muito estável”, elogia o executivo.


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