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Estado de Minas CONSUMO E CRISE

Energia elétrica força maior alta do IPCA de maio em 25 anos

Inflação oficial subiu a 0,83% em maio, 0,52 ponto percentual acima da taxa de 0,31% registrada em abril


10/06/2021 04:00 - atualizado 10/06/2021 08:20

Gasto com energia chegou a 5,37% no Brasil diante de crise hídrica que afeta hidrelétricas em 5 estados(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Gasto com energia chegou a 5,37% no Brasil diante de crise hídrica que afeta hidrelétricas em 5 estados (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Pressionado, principalmente, pelo custo da energia elétrica, o grupo de despesas das famílias brasileiras com a habitação fez a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subir a 0,83% em maio, 0,52 ponto percentual acima da taxa de 0,31% registrada em abril, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior elevação já apurada no mês de referência desde maio de 1996 (1,22%), portanto, nos últimos 25 anos. O reajuste das contas de luz atingiu 5,37%, em média, vilão isolado dos gastos da população dentro de casa.

Na Grande Belo Horizonte, o comportamento dos preços foi semelhante, tendo também a energia elétrica residencial, remarcada em 5,16%, como carro-chefe do item habitação. O IPCA medido no mês passado na região metropolitana da capital alcançou 0,79%, mais que o dobro da variação de abril (0,37%), perfazendo a maior alta para o mês em 18 anos, desde 2003 (1,37%).

Embora, pelo segundo ano, as tarifas da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) para os consumidores nas residências não tenham sido reajustadas, houve aumento de custo com o insumo devido à aplicação do sistema de bandeiras tarifárias, em decorrência do acionamento das usinas térmicas, com geração mais cara.

“Em maio, passou a vigorar a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Vale lembrar que, entre janeiro e abril, estava em vigor a bandeira amarela, cujo acréscimo é menor (R$ 1,343). Além disso, no final de abril, ocorreram reajustes em diversas regiões de abrangência do índice”, destacou ontem o IBGE ao divulgar o IPCA. Houve aumento de tarifa em Fortaleza (CE), Aracaju (SE), Salvador (BA), Campo Grande (MS) e Recife (PE).

Gasolina, gás veicular, etanol e diesel mantêm elevação de preços destacada no custo de vida este ano (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Gasolina, gás veicular, etanol e diesel mantêm elevação de preços destacada no custo de vida este ano (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)

O acionamento de usinas termelétricas está entre as medidas das quais o governo federal lança mão diante da maior estiagem que o país enfrenta desde 1930 e leva ao rebaixamento do nível de armazenamento de água dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Elas respondem pela principal fonte de oferta de energia no Brasil. Na semana passada, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) emitiu alerta de emergência hídrica sobre o esvaziamento de reservatórios de hidrelétricas em cinco estados, incluindo Minas Gerais.

As famílias brasileiras, da mesma forma, gastaram mais com a taxa de água e esgoto (1,61%), devido a reajustes em São Paulo e Curitiba, e com o gás encanado (4,58%). A despesa com o gás de botijão subiu 1,24% em maio, acumulando alta de 24,05% em 12 meses consecutivos de aumentos. O IPCA acumula, agora, variação de 3,22% no ano e surpreendentes 8,06% nos últimos 12 meses. Nesta última base de comparação, o índice avançou bastante quando comparado aos 6,76% medidos até abril.

Generalizada 

De acordo com o IBGE, os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram aumento em maio. O maior impacto (0,28 ponto percentual) e a maior variação (1,78%) surgiram no grupo habitação, que acelerou em relação a abril (0,22%). A segunda maior contribuição (0,24 ponto) foi dos transportes, cujos preços subiram 1,15% em maio, após recuar 0,08% em abril.

Nos transportes (1,15%), o maior impacto (0,17 p.p.) veio da gasolina (2,87%), cujos preços haviam recuado em abril (-0,44%).O combustível acumula alta de 24,70% e, em 12 meses, atinge variação de 45,80%. Os preços do gás veicular (23,75%), do etanol (12,92%) e do óleo diesel (4,61%) também subiram em maio.

Entre as despesas com alimentos e bebidas, que cresceram 0,44%, em média, as carnes encareceram 2,24% no mês passado, acumulando aumento de 38% nos últimos 12 meses. A pressão só não foi maior porque houve queda de preços de frutas (-8,39%), cebola (-7,22%) e do arroz (-1,14%).

Na sequência, os gastos com saúde e cuidados pessoais ficaram 0,76%, em média, mais caros. Nesse grupo, se destacaram os aumentos de 1,47% dos produtos farmacêuticos, apesar de a variação ter sido inferior à de abril (2,69%). Em 1º de abril, foi autorizado o reajuste de até 10,08% nos preços dos medicamentos, a depender da classe terapêutica e do perfil de concorrência da substância. Pesaram, ainda, no mês passado, as variações com plano de saúde (0,67%) e dos itens de higiene pessoal (0,63%).

Pobres 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), retrato das despesas das famílias com renda de um a cinco salários mínimos, representou peso maior no bolso dos mais pobres: teve variação de 8,90% nos últimos 12 meses até maio. Considerando-se apenas o mês passado, o INPC variou 0,96%, enquanto o IPCA subiu 0,83%.

A variação do INPC foi a maior desde maio de 2016 (0,98%) e sofreu impacto, sobretudo, dos preços dos alimentos, de acordo com dados do IBGE. Os alimentos encareceram 0,53%, na média, em maio, ficando acima do resultado de abril (0,49%). 


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