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Estado de Minas Pesquisa

Mães empreendedoras têm rotina dura com a pandemia

Três em cada 10 mulheres, gasta mais de três horas por dia nas tarefas do lar e nos cuidados com os filhos


06/05/2021 04:00 - atualizado 06/05/2021 07:40

Camila Mayrink conta com o marido Rodrigo Mayrink para cuidar das crianças e para produzir peças personalizadas(foto: Arquivo Pessoal)
Camila Mayrink conta com o marido Rodrigo Mayrink para cuidar das crianças e para produzir peças personalizadas (foto: Arquivo Pessoal)

A pandemia impactou a rotina das mães empreendedoras. A sobrecarga com os afazeres domésticos levou 33% das mulheres com filhos a reduzir o tempo dedicado aos negócios contra 24% dos pais. As mulheres com filhos pequenos, de até 10 anos, foram as mais impactadas, já que metade delas reduziu sua jornada de trabalho por causa dos cuidados dedicados aos filhos e à casa.

A mesma proporção de mulheres, três em cada 10, gasta mais de três horas por dia nas tarefas do lar e nos cuidados com os filhos, enquanto apenas 16% dos homens vivem a mesma realidade. No caso de mães de filhos pequenos, a maioria (54%) enfrenta a mesma situação.

Os dados são resultado de um estudo feito pelo Sebrae Minas para identificar relações entre maternidade, paternidade e empreendedorismo, e outros fatores que impactam nas escolhas, rotinas de trabalho e comportamentos dos empreendedores. O levantamento ouviu 1.327 empreendedores, entre 5 e 15 de abril.

Segundo o levantamento, a maternidade foi fator relevante para sete em cada 10 mães que decidiram empreender. Já entre os homens, a paternidade motivou 6 em cada 10 a terem o próprio negócio. Ter filhos também foi apontado como um fator importante de estímulo e superação das dificuldades, tanto pelos homens (28%) quanto pelas mulheres (22%).

A possibilidade de ter mais independência e um horário de trabalho mais flexível são benefícios percebidos pelas mães empreendedoras (33%) contra 19% dos pais. Ainda entre as principais motivações para empreender o desejo de ter uma fonte de renda que proporcionasse maior qualidade de vida à família incentivou 31% das mães e 40% dos pais a terem o próprio negócio.
“O 
estudo confirma a percepção de que as mulheres ainda são as que se ocupam mais dos afazeres domésticos e dos cuidados com os filhos. E a pandemia agravou ainda mais essa realidade, levando muitas a abdicarem parcial ou totalmente seus negócios, para dar maior assistência aos filhos”, explica Paola La Guardia, analista da Unidade de Inteligência Empresarial do Sebrae? e responsável pela pesquisa.

Jornalista de formação, mas "mãe 24 horas", Magna Barbosa Cassiano, de 34 anos, diz se desdobrar entre todas as tarefas, além de cuidar do comércio digital de lingeries e bijuterias.

“Não tenho babá, conto com ajuda de uma diarista, que faz limpeza uma vez por semana. Meu marido, Eduardo Ribeiro Evangelista, de 38 anos, comerciante no Mercado Central, trabalha todos os dias, de domingo a domingo." Magna tem dois filhos, José Pedro, de 4 anos, e Manu. de 2. Sempre trabalhou fora, mas diante da pandemia, com a questão de estar em casa, ela precisou buscar uma fonte de renda que permitisse conciliar as atenções.

Correria


Mãe de três crianças pequenas, Bernardo, 4 anos, Maria Eduarda, de 2, e Bela, de três meses, Licia Satoshi, de 38, tornou-se referência na fabricação de brownies e quitutes.

“Na verdade, dá um certo trabalho porque precisa de tempo e atenção, já perdi massa, por parar para amamentar e esquecer no forno. Não que seja trabalhoso, tem que ter atenção, é fogo, com criança, ter cuidados com acidentes domésticos. Querem ficar no colo, pedem atenção especial. Toda hora um quer experimentar, comer, participar."

Licia começou a produzir brownies para amigos e familiares. O sucesso a convenceu a pensar em negócios. "O que era uma distração, foi lançado no meu instagram pessoal."

Camila Mayrink, 35 anos, atende a reportagem amamentando, ao mesmo tempo que a filha do meio pede colo e o pequeno Victor "apronta". Ela trabalha com produtos personalizados: canecas, azulejos, porta-chave, capa de celular, chinelos, camisetas, pastas. Camila conta que teve o primeiro filho, Victor, em 2016, época em que deixou um emprego público onde era concursada para cuidar da criança.

Ela já tinha uma máquina, mas com o marido Rodrigo Mayrink, de 38 anos, empregado, deixou o trabalho de lado. Em março, o marido foi demitido. “Foi a necessidade que nos uniu no trabalho. Hoje, ele faz a parte de designer e artes e eu faço o social, comercial, vendas, atendo clientes, cuido do financeiro. O cuidar das crianças é dividido.” Ela conta que chegou a atender clientes até mesmo em trabalho de parto. "Entre uma contração e outra."

Aposta do comércio


O Dia das Mães promete ser o início da recuperação econômica para o comércio varejista. O período afeta positivamente 66,3% das empresas de Minas Gerais, segundo levantamento divulgado pela Fecomércio- MG. Para a pesquisa, foram avaliadas 312 empresas, sendo pelo menos 29 em cada região de Minas. Segundo a Fecomércio-MG, a data só perde para o Natal, mas garante alta nas vendas, principalmente para as lojas de calçados, vestuário, decoração e casa, perfumaria e assessórios pessoais.

Dos entrevistados, 23,2% estão esperançosos com as vendas, entretanto, aproximadamente 58,8% dos empresários avaliam a pandemia e a crise econômica como motivos para acreditar que o faturamento será ainda pior que no ano passado. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), R$ 12,12 bilhões devem ser movimentados no período, uma recuperação de 46,7%, contra uma redução de 33,1% em 2020. Em Minas Gerais, a expectativa é que a data gere R$ 1,13 bilhão em vendas neste ano.
 


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