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Estado de Minas COVID-19

Efeitos do coronavírus devem sacrificar gastos das famílias em Minas

Estudo IPC Maps indica queda de 5,4% do potencial de consumo das famílias no estado em 2020, seguindo tendência no Brasil, com maior sacrifício nas capitais


09/08/2020 04:00 - atualizado 08/08/2020 21:32

Na lista de itens de compras mais frequentes ou preferidos dos brasileiros estão os alimentos, com 14,1%, e medicamentos, com 6,6%(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press %u2013 23/3/20)
Na lista de itens de compras mais frequentes ou preferidos dos brasileiros estão os alimentos, com 14,1%, e medicamentos, com 6,6% (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press %u2013 23/3/20)
 
Reflexo da pandemia do novo coronavírus, o consumo das famílias deve ser duramente afetado neste ano. Em Minas Gerais, comprometidos pelas dificuldades que a crise sanitária impôs à economia, os gastos das famílias em 2020 poderão cair 5,4%, segundo o estudo anual IPC Maps. O levantamento de dados avalia o potencial do consumo em todo o país, com base em estatísticas oficiais relacionadas à renda da população. A retração segue tendência do Brasil, que poderá encolher aos padrões de 2010 e 2012.

O potencial de consumo em Minas, neste ano, está estimado em R$ 457,441 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 420 bilhões em demandas no meio urbano, onde estão concentrados certa de 18 milhões dos quase 21,3 milhões de habitantes do estado. No Brasil, é possível que R$ 4,465 trilhões sejam injetados na economia, de acordo com a análise das informações que compõem o IPC Maps. O estudo é publicado pela empresa IPC Marketing, especializada em estimativas de potencial de consumo baseadas em dados socioeconômicos para os 5.570 municípios brasileiros, incluindo população, renda per capita, gastos e setores de produção de bens e serviços.

Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing, destaca que a pandemia provocou um efeito déjà-vu, nas palavras dele, uma vez que a economia brasileira já enfrentou diversos ciclos de involução e recuperação. Em março, antes da adoção das medidas de isolamento social para conter a pandemia, o relatório Focus do Banco Central, baseado nas projeções de analistas de bancos e corretoras, previa crescimento do país de 2,17% neste ano. Naquele período, o consumo das famílias era estimado em R$ 4,9 trilhões.

SINAL POSITIVO

Para Minas Gerais, a despeito da retração dos gastos estimada em 2020, a boa notícia é que o estado tende a participar mais do consumo nacional do que no ano passado. Em 2019, o estado foi responsável por 10,17% de tudo que foi consumido no Brasil e, neste ano, deverá responder por 10,24%. “Apesar de percentualmente esse aumento ter sido pequeno, representará em termos reais mais R$ 3,1 bilhões no bolso da população mineira”, analisa Marcos Pazzini.
O fôlego adicional dos gastos das famílias de Minas virá do interior do estado, já que Belo Horizonte perdeu posição entre os maiores municípios no país, com base no IPC Maps 2020. Marcos Pazzini observa que a cidade respondeu por 1,77% do consumo nacional em 2019 e neste ano será responsável por 1,56%, o que representa perda de R$ 9,4 bilhões nas contas dos belo-horizontinos. “Essa situação de Belo Horizonte acontece na maior parte das demais capitais, que tiveram sua participação reduzida entre 2019 e 2020, de 28,9% para 28,2%”, destaca. O potencial de consumo na capital mineira foi projetado em R$ 70 bilhões.

Ainda no recorte de dados feito para a capital mineira, onde a população soma mais de 2,5 milhões de habitantes ocupando 890.670 domicílios, o estudo verificou a atuação de 390.942 unidades de negócios. Desse universo, 57.142 referem-se a indústrias, 254.666 ao setor de serviços, 78.619 ao comércio, e 515 atuando no agronegócio.

Nas 50 maiores cidades do país, que respondem por 38,7% de toda a projeção de consumo no Brasil, os gastos das famílias devem alcançar R$ 1,759 trilhão. No grupo dos primeiros 10 municípios, Belo Horizonte ocupa a quarta posição nesse ranking, superada por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Aparecem, na sequência, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre, Manaus e Goiânia. Lembrando o comportamento no ano passado, Pazzini observou que as capitais perdem lugar no consumo novamente, responsáveis por 28,29% do consumo, ao passo que os municípios do interior avançam com 54,8%.

PRIORIDADES

Em Minas, entre os consumidores da classe A, lideram a lista de gastos prováveis, em 2020, as despesas com habitação (R$ 7,606 bilhões), veículo próprio (R$ 6,706 bilhões) e material de construção (R$ 2,514 bilhões). Na classe B, os carros-chefe são os mesmos, com R$ 33,691 bilhões destinados para habitação; R$ 23,798 bilhões para despesas com veículo próprio. A mudança está na terceira posição, ocupada pelos gastos com alimentação em domicílio, totalizando R$ 12,127 bilhões.

Para a população classificada como classe C, as maiores despesas, neste ano, devem ser destinadas para habitação (R$ 43,495 bilhões), alimentação em domicílio (R$ 18,253 bilhões) e com veículo próprio (R$ 15,109 bilhões). Gastos com habitação (R$ 14,238 bilhões), alimentação em domicílio (R$ 6,172 bilhões) e veículo próprio (R$ 2,898 bilhões) ocupam os três primeiros lugares na lista quando consideradas as classes D e E.

Na análise sobre o volume de empresas instaladas no Brasil, houve retração de 13%, o que equivale a um total de 20.399.727 unidades em 2020. O estudo revela que o Sudeste, como de costume, concentra 51,98% das empresas nacionais e, na sequência, está o Sul, com 18,15%. O Nordeste conta com 16,96% dos estabelecimentos; o Centro-Oeste, 8,27%; e o Norte, 4,65% das unidades existentes no país.


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