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Estado de Minas ECONOMIA

Emprego em alimentação e alojamento é o mais afetado por covid-19, diz Ipea


postado em 06/07/2020 13:18

O emprego no segmento de alojamento e alimentação foi o mais afetado pela crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O total de trabalhadores atuando no ramo de alimentação e alojamento caiu 8,39% em maio de 2020 em relação ao mesmo mês de 2019. O número de empregos já tinha recuado expressivamente no setor em março (-9,66%) e abril (-15,25%).

"A questão do isolamento social certamente afeta muito, porque esse setor tem essa particularidade da necessidade do contato presencial, especialmente o de alojamento. No caso de alimentação, você ainda consegue prestar esse serviço por delivery. Mas, com o isolamento, as pessoas passam a ficar mais em casa e demandam menos delivery de alimentos também", justificou Carlos Henrique Corseuil, técnico de Pesquisa e Planejamento da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea.

Os dados têm como base um extrato da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pnad Contínua divulga mensalmente informações do mercado de trabalho referentes a trimestres móveis, mas os pesquisadores do Ipea desenvolveram uma metodologia para tratar as informações e obter os resultados de cada mês.

Além da Pnad Contínua, a análise também incluiu dados de admissões e desligamentos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), pedidos do seguro-desemprego e informações de abertura de empresas disponíveis para o Estado de São Paulo.

Segundo o Ipea, o conjunto de medidas para conter a disseminação do novo coronavírus teve forte impacto sobre o emprego especialmente no mês de abril. No emprego formal, a queda no número de trabalhadores ocupados nos meses de pandemia tem sido mais explicada pela forte retração nas admissões do que pelo aumento dos desligamentos.

O setor de alimentação e alojamento foi proporcionalmente o mais afetado pela redução no pessoal ocupado, se destacando tanto pelo lado de aumento nas demissões quanto pela queda de novas contratações. A segunda maior perda de empregos foi na construção, uma redução de 9,67% no pessoal ocupado em março, seguida por recuo de 14,83% em abril, porém com recuperação de 9,46% em maio, sempre em comparação ao mesmo mês do ano anterior.

A perda relativa no comércio foi menor em março (queda de 2,84% no total de ocupados), abril (-8,49%) e maio (-5,71%), mas a redução final em termos quantitativos é significativamente maior, por ser um setor bastante empregador. Por outro lado, o emprego na administração pública e na agricultura sentiu menos a atual crise.

"O setor formal se ajusta fundamentalmente pela contratação, enquanto o setor informal deixa de contratar e demite também", apontou Carlos Henrique Corseuil.

O emprego formal se mostrou mais resiliente, principalmente pela eficácia da Medida Provisória 936, que autorizou a redução de jornada e salário para os trabalhadores, defendeu Corseuil. "O alcance é impressionante", comentou o pesquisador do Ipea.

Já os efeitos da pandemia no nível de emprego informal foram mais intensos, disseminados e precoces, sendo percebidos logo em março. Os serviços domésticos, caracterizados pela forte presença da informalidade, figuraram entre os mais impactados. O emprego nos serviços domésticos recuou com intensidade em março (queda de 10,12% no total de ocupados), abril (-16,10%) e maio (-2,20%)

"É importante lembrar que o segmento de serviços domésticos é caracterizado por elevado grau de informalidade e, portanto, não se beneficia de programas voltados para o emprego formal, como o seguro-desemprego, o que sublinha a necessidade de políticas que conseguem atingir o contingente de trabalhadores informais, como o auxílio emergencial", observa a Carta de Conjuntura do Ipea, divulgada nesta segunda-feira.

Carlos Henrique Corseuil lembrou que os resultados gerais do mercado de trabalho para o mês de maio ainda foram negativos, mas com menor intensidade, "já sinalizando a volta do emprego".


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