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Estado de Minas CRISE ECONÔMICA

Casa Eure fecha as portas depois de 73 anos no Floresta, em BH

Proprietário conta que a pandemia do coronavírus e a queda no movimento se somaram a dificuldades que vinham se acumulando nos últimos cinco anos


postado em 03/07/2020 17:42 / atualizado em 04/07/2020 12:27

Uma faixa anunciou o fechamento permanente da tradicional loja do Bairro Floresta (foto: Edésio Costa/EM )
Uma faixa anunciou o fechamento permanente da tradicional loja do Bairro Floresta (foto: Edésio Costa/EM )
A pandemia do novo coronavírus encerrou a história de mais um negócio tradicional de Belo Horizonte. A Casa Eure, de venda de ferragens, louças e utensílios domésticos, fechou as portas permanentemente. A loja funcionou por 73 anos na esquina da Avenida do Contorno com a Rua Itajubá, no Bairro Floresta, Região Leste da capital mineira. 

 

A queda de cerca de 60% no movimento por causa da COVID-19 não foi o único motivo para a decisão, conta o proprietário, Carlos Henrique Aguiar. Segundo o empresário, os últimos cinco anos foram difíceis, e a pandemia acelerou o processo.
 
“É um somatório. O cenário pra trás não era animador. Os juros cobrados pelos bancos são muito altos para quitar as dívidas. E agora, com o problema da pandemia, este ano está praticamente perdido. Para a economia voltar, vai ser difícil, fica difícil para o microempreendedor”, lamenta Aguiar. 
 
Por trabalhar com materiais de construção – considerados essenciais - a Casa Eure não ficou de portas totalmente fechadas durante o período de isolamento imposto para tentar conter a transmissão do vírus. “Mas o movimento caiu demais. O bairro é antigo, de pessoas mais velhas, que não estão saindo para comprar”, diz Aguiar.

O comerciante tentou implementar vendas pela internet, mas não conseguiu. “Não justifica ficar esperando uma melhora”, conclui. 
 
Os contratos dos funcionários da loja foram suspensos por 60 dias, nos termos da Medida Provisória 936, do governo federal. Com o encerramento das atividades, foram dispensados.

Aguiar elogia essa e outras medidas do governo, e acredita que nenhuma outra ação do Estado poderia ter evitado o fechamento do negócio. 
 
“O governo está até de parabéns, tomando as medidas certas dentro do momento brasileiro. O Brasil é um país de Terceiro Mundo, diferente da Europa, que tem uma economia mais forte e tem mais facilidade para se recuperar. Então não é devido ao governo, é um somatório”, explica o comerciante. 
 

A história da Casa Eure


O pai de Carlos Henrique Aguiar começou na Casa Eure como funcionário, há cerca de 60 anos. Chegou a se tornar sócio do dono, que eventualmente decidiu não continuar no negócio.

Carlos conta que foi criado dentro da loja. Ele se formou em engenharia elétrica e trabalhou na área por 12 anos. Mas percebeu que, se não assumisse a loja, com o pai já em idade avançada, o negócio iria fechar. 
 
Hoje, com 62 anos, Carlos se orgulha do legado do pai: “Meu pai faleceu há seis anos. Foi uma pessoa que trabalhou muito. A gente fica muito triste, porque é uma história muito grande, uma vida inteira dentro do estabelecimento. Mas os ciclos da vida são assim. Às vezes, a gente tem que fechar uma porta pra abrir outra”. 
 
Carlos ainda não sabe com o que vai trabalhar agora - matéria feita pelo Estado de Minas mostrou que metade dos donos de negócios fechados durante a pandemia vai procurar emprego -, mas garante que não mexe mais com comércio. “Gosto muito de gastronomia, mas agora está na hora de esperar. Buscar alguma coisa que além de dar prazer traga um bom retorno financeiro”, planeja.
 
*Esagiário sob supervisão da subeditora Kelen Cristina


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