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Estado de Minas FALTAM LEITOS DE UTI

Cofre apertado dificulta investimento no Centro-Oeste de Minas

Além de seus 230 mil habitantes, Divinópolis tem de se preocupar com atendimento a moradores de 53 municípios do entorno influenciados pela cidade


postado em 24/04/2020 04:00 / atualizado em 23/04/2020 22:47

Polo da macrorregião Oeste de Minas, Divinópolis acumula preocupações com o atendimento a seus vizinhos. Além de seus 230 mil habitantes, a cidade é referência para outros 53 municípios, o que fez com que a administração municipal corresse para elaborar um plano de contingência motivado pela COVID-19. Foi o primeiro conjunto de medidas no estado a ser concluído com esse objetivo.
 
“Como a maior parte das cidades próximas não dispõe de UTIs (unidades de tratamento intensivo), muitos casos que necessitarem desse tipo de atendimento virão para Divinópolis. Precisamos, então, acompanhar diariamente os casos registrados aqui, mas também ficar atentos à demanda regional por vagas”, explica o prefeito Galileu Machado (MDB).
 
Para evitar o colapso do sistema público na cidade, o gestor chegou a propor a utilização do hospital regional – ainda em construção – como ponto central de implantação de novos leitos. “Porém, o estado considerou que essa possibilidade seria uma resposta pouco ágil. Então, estamos buscando outros mecanismos para garantir que possamos continuar atendendo nossa população”, disse Galileu Machado. Uma solução foi o hospital de campanha construído no estacionamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
 
A estrutura não terá capacidade para absorver as demandas das 54 cidades, mas deve atender pacientes de Divinópolis, Carmo do Cajuru, São Gonçalo do Pará e São Sebastião do Oeste. São 40 leitos, sendo 20 de UTIs. Inicialmente, o custo de implantação ficará por conta do município.
 
Bom Despacho é uma das cidades localizadas no raio de influência de Divinópolis. Com um caso confirmado de COVID-19, não dispõe de nenhum leito de UTI, assim como os outros seis municípios que compõem a microrregião. Na cidade de 50,6 mil habitantes, o prefeito Bertolino da Costa Neto (Avante) precisou improvisar para implantar 15 leitos com respiradores.
 
“Foi um grande desafio. Contamos com a participação da direção da Santa Casa, inclusive essa ala que chamaríamos de UTI é onde será a nova maternidade. Já estamos transferindo todos os recursos que estavam na conta do município”, afirmou.
Sem aporte do Estado ou União, o prefeito já antecipa que o dinheiro disponível nos cofres do município está aquém do necessário. “É extremamente preocupante, já estamos com queda de receita própria de 60%. Tudo o que tínhamos para realizar as obras que a população precisa teremos que segurar porque não sabemos o que virá”, disse.
 
Em paralelo às medidas de enfrentamento ao novo coronavírus, continuam em andamento as obras do Centro de Terapia Intensiva (CTI) na Santa Casa. A construção foi iniciada no ano passado e terá capacidade para 10 leitos. Ainda não há previsão para conclusão. O empreendimento conta com recursos municipais e federais. (Amanda Quintiliano)

Expansão 

O Brasil terá à disposição mais 1.134 leitos de UTI para pacientes em tratamento do coronavírus. O anúncio foi feito ontem pelo Ministério da Saúde, em entrevista coletiva em Brasília. Mas, desta vez, Minas Gerais não será beneficiado. O governo informou que Acre, Alagoas, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e São Paulo receberão os novos leitos. O reforço no número de respiradores vai se somar aos 322 leitos habilitados em outras duas ocasiões neste mês, das quais Minas foi beneficiado – os demais foram São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Piauí. Logo, o país passará a ter um número total de 1.456 leitos de UTI no combate à pandemia. (Amanda Quintiliano)


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