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Estado de Minas COVID-19

Coronavírus leva venda de ovos de Páscoa para o delivery e drive-thru

Com restrição à comercialização em lojas, empresas e pequenos produtores apostam no sistema virtual e nas entregas durante a pandemia


postado em 07/04/2020 18:00 / atualizado em 07/04/2020 20:44

(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A)
(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A)
Com a crise da COVID-19, a Páscoa de 2020 não será igual à que passou. Em meio ao isolamento social, a expectativa de vendas de ovos de chocolate é baixa, especialmente em lojas físicas. Assim, ganha o sistema de delivery, com empresas e pequenos produtores apostando nessa alternativa e na comercialização on-line.

Essa será uma das opções para a Espetacular Doceria, localizada no Bairro Funcionários, em Belo Horizonte, que está investindo nos serviços de entrega. “Tivemos de nos adaptar depois da pandemia. Eu tinha uma expectativa muito alta para as vendas da Páscoa, que foi totalmente frustrada com o fechamento do comércio. Por isso nos adaptamos para não haver um retrocesso e bolamos várias estratégias. Uma delas é o delivery. Com ele tivemos um aumento de 60% das vendas depois da COVID-19”, afirma a chef pâtissier e proprietária, Elisa Dayrell.

Esse também é o caso de loja da Cacau Show no Centro da capital. O empresário Carlos Eduardo Machado, franqueado, garantiu que, apesar de estar vendendo 40% da meta nessa época, o serviço de delivery foi uma alternativa que vem funcionando bem. “Temos um aplicativo, fazemos a venda por WhatsApp, Facebook e Instagram. Estamos até investindo nos digitais influencers”, explica. “Não é o ideal, porque, obviamente, estamos tendo prejuízo, mas não posso deixar de trabalhar. Faço isso por honra, dignidade e resiliência”, diz. 

Carlos aponta o grau de complexidade e exigência do serviço de delivery. “Até eu estou fazendo as entregas. Estamos cobrindo todos os bairros de Belo Horizonte. Está uma loucura. Já fiz entrega para Macacos, Pedro Leopoldo, Confins… lugares muito diferentes do que os de costume”, detalha.

A Lacta, pioneira na produção de ovos de chocolate no Brasil, também reforçou a atuação em canais de delivery e e-commerce como forma de se adaptar à fase de pandemia, isolamento social e restrição parcial ao comércio. A empresa recorre até mesmo a um novo apelo de marketing. “Lacta. Cada pedacinho aproxima. Mesmo estando cada um na sua toca”. As ações, que vão desde parceria com apps a e-commerce próprio, foram desenvolvidas para evitar a aglomeração nas lojas, cujo atendimento foi excepcionalmente permitido, mas sob exigências sanitárias, e mercados.
 

Procura pelos ovos

 
Nesta terça-feira (7), pesquisa divulgada pelo Google indica que a tradicional reunião de família precisou ser cancelada e que a celebração da Páscoa mudará para sete em cada 10 brasileiros. Destes, 12% devem deixar de comprar ovos de Páscoa e chocolates devido às restrições com o novo coronavírus. Cerca de 53% não viajarão no feriado, e 9% não vão mais participar de nenhum almoço de domingo.
 
A pesquisa foi realizada on-line e entrevistou mais de mil pessoas entre 7 e 19 de março. Os dados ainda apontam que 38% dos brasileiros devem mudar a forma ou local de compra dos ovos ou chocolates, o que levou empresas e pequenos produtores a apostar em novas formas de comércio, como vendas on-line e delivery.  
 
O levantamento do Google aponta também que os ovos de chocolate continuarão protagonistas nas vendas, mas, devido às incertezas econômicas, é possível que haja  aumento da procura por formatos mais baratos e com menor possibilidade de quebra no transporte.
 
Os dados afirmam que 69% dos consumidores continuarão comprando ovos de Páscoa, enquanto os chocolates em barra serão consumidos por 30% dos entrevistados, e 27% vão preferir bombons ou trufas. 

 
Mão na massa

 
Com mais pessoas em casa, as buscas no Google por termos relacionados a “como fazer ovos de Páscoa” e “receitas de ovos” também estão ganhando um ritmo mais acelerado do que no mesmo período do ano passado. Nas últimas quatro semanas, as buscas foram cinco vezes maiores, enquanto no ano anterior o crescimento foi de quatro vezes. 

A estudante de veterinária Priscila Gomes fez um vídeo nas redes sociais ensinando o procedimento. O vídeo já tinha 2 mil visualizações até a tarde de ontem e recebeu vários elogios. “Minha avó me ensinou a receita e nesses tempos de coronavírus, isolamento social e essas coisas malucas, resolvi que seria legal compartilhar”, conta nas redes. 

Vendas presenciais


O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), já tinha adotado, desde o início da segunda quinzena de março, uma série de medidas restritivas para combater a pandemia do novo coronavírus, como a manutenção do comércio apenas para os chamados serviços essenciais, como farmácias, açougues, padarias, supermercados, bancos e postos de gasolina. Para restaurantes e lanchonetes, somente em sistemas de delivery, para evitar aglomerações.

“As lojas de Belo Horizonte, inclusive as de chocolates, só poderão atender da porta para fora, sem clientes do lado de dentro”, disse Kalil por meio de sua conta no Twitter na última segunda-feira.
 
Depois da decisão do prefeito, a maioria das docerias da cidade optou por um serviço de drive-thru. O cliente para o carro em frente à loja e retira o produto sem sair do veículo, com a ajuda de um funcionário. 

Julia Martins também optou por essa solução. A jovem de 22 anos possui uma pequena empresa de brigadeiro gourmet e, nesta Páscoa, começou a oferecer também ovos. “Foi um baque, achei que ia perder tudo. Mas ai vi no Instagram que as pessoas estavam fazendo delivery e drive-thru. Eu não tenho uma loja física, mas alguns clientes estão vindo aqui em casa buscar os produtos. Entrego de longe e com máscara. Foi o que me salvou”, conta.


Alimentos Típicos

 
Ainda de acordo com a pesquisa feita pelo Google, a compra dos alimentos típicos da Páscoa foi alterada pelos consumidores. Os dados afirmam que 36% dos brasileiros devem mudar os itens de almoço e 51% devem trocar o local onde compram. Destes, 22% irão comprar em lugares abertos e arejados, e 21% prometiam comprar com antecedência.
 
 
 
*Estagiária sob supervisão do subeditor Eduardo Murta
 

O que é o coronavírus?

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.

Como a COVID-19 é transmitida?

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia


Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o coronavírus é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Para saber mais sobre o coronavírus, leia também:

Especial: Tudo sobre o coronavírus 

Coronavírus: o que fazer com roupas, acessórios e sapatos ao voltar para casa

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