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Estado de Minas

Demanda por gás aumenta e botijões ficam mais caros nas capitais; em BH preço subiu R$ 4

Vendas subiram 25% desde que decretos estaduais e municipais fecharam restaurantes, bares e shoppings. Revendedores sofrem com filas em centrais de abastecimento


postado em 27/03/2020 15:39 / atualizado em 27/03/2020 18:47

Vendas de gás de cozinha subiram 35% em todo o Brasil(foto: Juarez Rodrigues/EM/D. A. Press)
Vendas de gás de cozinha subiram 35% em todo o Brasil (foto: Juarez Rodrigues/EM/D. A. Press)

As medidas de isolamento adotadas por governos estaduais e municipais para combater o avanço do novo coronavírus em território nacional geram um efeito dominó na economia local. O fechamento de comércios e escolas e a adoção do sistema de home office isolaram as pessoas em casas e produtos de primeira necessidade passarm a ser mais demandados.

Com shoppings, restaurantes e bares fechados, aumenta também o número de pessoas cozinhando e, consequentemente, a  procura por gás. Só em Belo Horizonte, as vendas de botijões  aumentaram  12%, se comparada à média diária durante a pandemia.

De acordo com levantamento feito pelo Chama, aplicativo que conecta revendedores de botijões de gás a consumidores em sete capitais e regiões metropolitanas, março já apresenta o melhor resultado de vendas nos últimos 12 meses em BH. Além disso, as vendas de Gás Liquefeito de Petróleo (popularmente chamado de gás de cozinha) subiram 35% em todo o país. 

Com o aumento da procura, o preço dos botijões também subiram: na capital mineira, a média paga pelos consumidores finais em uma mercadoria de 13kg chega a R$ 75; no início do mês, a média era de R$ 71. O aumento de R$ 4 registrado nas últimas semanas equivale a uma valorização de 5,63% do botijão. A região que mais apresentou aumento foi a Pampulha, saindo de R$ 68 para R$ 76, um salto de 10,53%. 

Já o Bairro Parque Durval de Barros, em Ibirité, na Região Metropolitana de BH, registrou aumento de 13,16% no preço médio, saindo de R$ 66 para R$ 76.

(foto: Divulgação/Aplicativo Chama)
(foto: Divulgação/Aplicativo Chama)


Apesar do aumento significativo, a capital mineira não é a metrópole que registrou o maior aumento dos preços. Em São Paulo, a média de preços no início de março era de R$ 71 e agora o botijão já pode ser encontrado por até R$ 81. O aumento de R$ 10 na capital paulista significa valorização de 14,08% no botijão, quase 9% a mais do que em BH.

Em Curitiba, a média de preço no início do mês era de R$69; agora, o produto chega a ser comercializado por R$76.Além das três capitais, o app atua em  Brasília, Recife, Florianópolis e Porto Alegre.

Segundo Sheynna Hakim Rossignol, diretora geral do Chama no Brasil, este aumento na busca pelo produto reflete a mudança de comportamento do consumidor: "A preocupação com o aumento dos casos da doença forçou o isolamento social e, com isso, as pessoas não só deixaram de frequentar restaurantes como também passaram a cozinhar em casa e com mais frequência, o que tem trazido um aumento do consumo de gás de cozinha", analisa a executiva.

Demanda excessiva gera falta

Com a intensa procura por botijões de gás, inclusive para formar estoques dentro de casa, algumas distribuidoras já estão enfrentando dificuldades para atender à demanda de revendedores, que se aglutinam em centrais de abastecimento para retirar o produto, contrariando inclusive recomendações do Ministério da Saúde de evitar aglomeração de pessoas.



Vídeos a que o Estado de Minas teve acesso registram filas com inúmeros caminhões à espera de abastecimento de gás em Ribeirão Preto e Paulínia, cidades do estado de São Paulo. 

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de GLP (Asmirg-BR), Alexandre José Borjaili, o Brasil conta com cerca de 60 mil revendedores de gás de cozinha – Minas Gerais corresponde a 10% desse número. Cerca de metade do gás que abastece o estado vem de São Paulo, já que, segundo o presidente, a refinaria Gabriel Passos da Petrobras, em Betim, na Região Metropolitana de BH, não dá conta da demanda geral dos mineiros.  

“Temos alertado nossas autoridades para medidas emergenciais. Infelizmente, as medidas necessárias para garantia do abastecimento e segurança dos profissionais envolvidos não nos chegam no tempo necessário. A falta de atenção do Governo Federal no setor GLP já vem provocando desabastecimento e podemos ter ainda aumento do preços”, frisou Borjaili.

Em seu site, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liqüefeito de Petróleo (Sindigás) vem atualizando a situação do setor diariamente desde o último dia 24. Em nota divulgada nesta sexta-feira, a entidade relacionou as filas de revendedores à alta demanda de consumidores.

“O consumidor antecipou suas compras, gerando uma corrida desnecessária para a compra do botijão. A situação está sendo monitorada permanentemente. As alterações necessárias para adequar o suprimento estarão concluídas no prazo de uma semana a 10 dias”, informou.

O sindicato também declarou que as distribuidoras obtiveram o comprometimento da Petrobrás com o aumento da oferta de produtos, por meio de importação. “Vale ressaltar que as plantas de engarrafamento das empresas distribuidoras estão trabalhando a plena carga. Não há paralisação ou redução da atividade das companhias, seja motivada por quantidade de produto ou de pessoal”, ressaltou.

Por fim, o sindicato ainda pede aos consumidores para evitarem fazer estoques de botijões e responsabiliza a demanda exacerbada pela subida dos preços. “Um botijão de gás de 13 quilos, que é o mais comum, dura em média 45 dias, portanto não há motivos para antecipar a sua compra. Há gás suficiente para abastecer com tranquilidade consumidores de todo o Brasil.”
 
* Estagiário sob a supervisão da editora Teresa Caram

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