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Estado de Minas

Demissões em hotéis de Minas já são 3 mil e devem chegar a 8 mil em abril

Setor cobra ações rápidas do governo para conter o cenário durante a pandemia de coronavírus


postado em 26/03/2020 17:14

O Hotel BH Expo, do Grupo Intercity, anunciou a suspensão das atividades em BH(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
O Hotel BH Expo, do Grupo Intercity, anunciou a suspensão das atividades em BH (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
 

Os efeitos nocivos da pandemia do novo coronavírus estão sendo sentidos em praticamente todos os setores da economia, mas alguns, mais afetados, já começaram a jogar a toalha. No caso da hotelaria, o movimento praticamente acabou, levando ao fechamento de unidades e, o que é pior, às demissões em massa.


Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), já foram registrados o fechamento e/ou paralisação de estabelecimentos, incluindo hotéis e pousadas, em várias cidades do estado, com o desligamento de 30% dos funcionários, atingindo cerca de 3 mil pessoas.

 

Se o quadro não mudar, a tendência é a situação se agravar, com o fechamento de mais 5 mil postos de trabalho a partir de 20 de abril, pois já foram canceladas, em alguns casos, mais de 70% da reservas. Em Belo Horizonte e região já anunciaram a paralisação das atividades os hotéis BHB, BH Plaza, Boulevard Express, Boulevard Park, Bristol Merit, Classic, ESuites Lagoa dos Ingleses, Fasano, Intercity BH Expo, Quality Pampulha e San Diego Barro Preto.

 

A previsão é que no próximo mês mais 20 empreendimentos finalizem suas atividades. Alguns hotéis, como o OYO Amazonas Palace e o BH Boutique Hostel, vão suspender as atividades pelos próximos 15 dias.

 

Para o presidente da ABIH-MG, Guilherme Sanson, o cenário de fechamento e paralisação dos hotéis só pode ser revertido com a tomada de decisões mais rápidas do governos, com medidas como a isenção do IPTU e ICMS e a redução do ISS, ao menos enquanto durar a pandemia do coronavírus.

 

“Acredito que muitos trabalhadores perderão seus empregos, muitos hotéis estão fechando ou irão fechar com a demora nas definições do governo, ainda que elas sejam difíceis, pois envolvem a parte econômica e financeira. O governo está contando com uma receita que não vai existir e as consequências serão mais trabalhadores afetados. Isso tende a se avolumar cada vez mais”, adverte ele, que defende a possibilidade de suspensão dos contratos de trabalho, como já sinalizado pelo governo federal.

 

Entre as “vítimas” da crise está o BH Expo, localizado no Bairro Gameleira, Região Oeste da capital mineira, cujas atividades foram encerradas pelo grupo Intercity Hotéis, que tem mais de 20 unidades pelo Brasil. Com 286 apartamentos e inaugurado em 2016, a torre atendia principalmente frequentadores de eventos no Expominas – onde está sendo montado um hospital de campanha pelo governo estadual –, além de quem se dirigia a compromissos em Contagem e Betim.

 

“Foram muitas conquistas nestes anos de trabalho árduo, mas, infelizmente, não há nada para se comemorar hoje”, lamenta o diretor do hotel, Rodrigo Cançado, angustiado com a demissão de 93 funcionários.

 

O diretor também reclama da falta de iniciativa do poder público, o que acarretará uma crise econômica talvez pior que a própria pandemia, segundo ele. “Há um verdadeiro ‘descaso’ dos governos e dos governantes em relação aos empreendedores que movem este país, sejam eles pequenos ou médios”, ressalta.

 

O empresário acrescenta que “independentemente de se preocupar e tomar decisões para cuidar da saúde das pessoas, é fundamental tomar providências urgentes para cuidar da saúde econômica”.

 

"Os governos não sobrevivem sem as empresas, pois são elas que geram a riqueza, que geram impostos que sustentam todas as instâncias do poder público municipal, estadual e federal. Até agora, nossos governantes não acordaram para a crise que será gerada, criando alternativas reais para a manutenção dos empregos. O que se vê é uma grande demagogia voltada apenas para o lado social, que não se sustenta por si só, ignorando a figura essencial do empresário como agente gerador de receitas que fazem a economia girar.”

 

Dificuldades ainda maiores

Se na capital está difícil, no interior ainda mais. Há restrições a viagens e proibição de realização de eventos que praticamente inviabilizam hoteis e pousadas de funcionar. A saída tem sido reduzir custos, dar férias coletivas, entre outras soluções. Mas a incerteza continua.

 

“Vamos manter uma equipe mínima para fazer a manutenção do hotel e diariamente buscar entender como as coisas vão se acomodando para tomar novas decisões”, explica Farley Aquino Rodrigues Alves, diretor do Dubai Suítes, em Montes Claros, onde a prefeitura proibiu check-in até 14 de abril em função da pandemia.

 

Já Rosana de Jesus Ferraz, proprietária do Hotel Ferraz, em Pouso Alegre, ressalta que muitas unidades continuam funcionando porque possuem 30% de ocupação com mensalistas e demanda alta de reservas por profissionais da saúde e pessoas que estão em quarentena longe dos locais de origem.

 

O Hotel Ferraz possui unidade em Cambuí, que está fechada, e “o clima é de bastante ansiedade, assim com em todo o Brasil e também no mundo”, ressalta Rosana. “Temos fé de que tudo vai passar, mas estamos muito assustados, pois conseguimos manter esse formato de 30% por um mês, mas as coisas estão ficando esquisitas. Todos os cuidados devidos estão sendo tomados com hóspedes e trabalhadores. A equipe foi reduzida, sendo que 20% dos funcionários estão em casa em férias ou banco de horas”, diz.


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