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Estado de Minas COVID-19

Ministério da saúde promete R$ 900 mi

Recursos deverão ser repassados aos municípios, segundo a pasta com meta de ampliação dos postos de atendimento à população. Prioridade será dada a locais ameaçados pelo vírus


postado em 11/03/2020 04:00

Dinheiro foi anunciado aos governos municipais antes que fosse resolvido pedido de verba de R$ 1 bilhão dos secretários estaduais ao ministro da Saúde, Henrique Mandetta(foto: Rodrigo Buendia/AFP)
Dinheiro foi anunciado aos governos municipais antes que fosse resolvido pedido de verba de R$ 1 bilhão dos secretários estaduais ao ministro da Saúde, Henrique Mandetta (foto: Rodrigo Buendia/AFP)

 
Sem previsão sobre as liberações de recursos pedidas pelas secretarias estaduais para conter o avanço do novo coronavírus, o Ministério da Saúde informou ontem que deseja repassar a municípios até R$ 900 milhões para aumentar de 1,5 mil para 6,7 mil o número de postos de saúde com atendimento ampliado no país. Segundo a pasta, o recurso já está previsto no Orçamento. Há 42 mil postos de saúde no Brasil.
 
O número de casos confirmados do novo coronavírus (COVID-19) no Brasil subiu de 25 para 34. A atualização foi feita ontem pelo Ministério da Saúde, que trabalha com o registro de 893 casos suspeitos sob investigação no país. Os estados com mais casos confirmados são São Paulo (19) e Rio de Janeiro (oito), além da Bahia (dois). Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Alagoas, Minas Gerais e o distrito Federal têm um caso confirmado cada pela pasta.
 
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas informou ontem números diferentes daqueles do ministério sobre casos de infecção pelo vírus que estão sendo investigados, um total de 213. Em todos os estados, até ontem, o Ministério da Saúde havia descartado 780 casos que foram investigação.
 
O secretário-executivo da Saúde, João Gabbardo, disse que o governo vai priorizar a habilitação de postos em locais com transmissão do novo coronavírus. Segundo a pasta, 90% dos casos da nova doença são leves e podem ser atendidos nesses postos. O aumento do número de postos com horário ampliado será feito pelo programa “Saúde na Hora 2.0”. Cada município recebe R$ 15 mil mensais a mais para investir nas unidades habilitadas. A ideia é garantir maior capacidade de atendimento de unidades de 40 horas para 60 horas ou 75 horas semanais.
 
Gabbardo disse que o governo terá “preocupação redobrada” para disponibilizar leitos de unidades de tratamento intensivo (UTIs) em hospitais de referência. “Os sistemas de saúde estão sendo atingidos porque internações de casos mais graves são longas, de até 3 semanas”, disse.
 
De acordo com o secretário, “até o momento” não há previsão de antecipar recursos aos estados para custeio do combate ao novo coronavírus. Os secretários estaduais de saúde pedem R$ 1 bilhão, sendo que R$ 200 milhões imediatamente. “Estamos antecipando serviço, habilitação e colocação de leitos em UTI”, disse Gabbardo. Ele afirmou que a ideia do governo federal não é repassar os recursos diretamente aos estados e municípios. “Nós vamos nos responsabilizar por todas as internações”, destacou.
 
Segundo o secretário, o Ministério da Saúde nunca fez nenhuma projeção de recursos a serem disponibilizados. “Estamos trabalhando numa lógica de colocar recursos conforme a necessidade”, disse, ao enfatizar que a pasta deverá precisar de recursos para combater a doença, mas que os valores serão discutidos “no tempo certo”.
 
Os secretários estaduais de Saúde reforçaram pedido de ajuda do governo federal para combate ao novo coronavírus. A conta indica necessidade total de R$ 1 bilhão para custear a logística de triagem de pacientes e internações. “Não é possível aguardar mais”, disse o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Alberto Beltrame, que fez o pedido por telefone, ontem ao ministro Henrique Mandetta.
 
De acordo com Beltrame, a ideia é preparar o sistema de saúde para agir “cautelarmente”. O Brasil ainda não registou transmissão comunitária da doença, quando o vírus circula e já não é possível ligar a transmissão de um caso a outro. “Os custos de operação do sistema já estão crescendo e o ministério assumiu o compromisso de auxiliar os estados. É o que esperamos ver cumprido imediatamente”, afirmou Beltrame.

Apoio O presidente do Conass, Alberto Beltrame, afirmou ainda que todo o recurso será usado para custear o combate à doença. “Faremos encontro de contas e demonstraremos cada centavo gasto para que possamos receber novas parcelas, que por certo serão necessárias mais adiante.”
Fonte que acompanha as discussões ouvida pela reportagem disse que Mandetta prometeu anunciar nesta semana uma forma de liberar os recursos aos governos estaduais. Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou sobre a informação até o fechamento desta edição.
 
O ministro da Saúde afirmou, no último dia 2, que ainda não havia necessidade de repasse extraordinários aos estados. “Só vamos fazer alocações de recursos quando houver uma situação real.” Na sexta-feira, o Mandetta disse que a pasta deve precisar de apoio financeiro, mas que ainda não poderia especificar o montante. “Isso parte de cenários”, disse.
 
Mitos e verdades propagados
 
Joana Gontijo

Com o surgimento do novo coronavírus, uma avalanche de informações sobre a infecção tomou corpo, seja pelas redes sociais, seja por canais oficiais da mídia. Na mesma medida, observa-se a divulgação de grande quantidade de notícias e dados sem compromisso com a realidade. Informe-se sobre alguns mitos e verdades que cercam o COVID-19, os quais o Estado de Minas selecionou.

Vitamina D protege do coronavírus? 
Mito

Vídeos e artigos que informam sobre a eficácia da vitamina D contra o vírus circulam nas redes sociais, mas isso não é verdade. De acordo com o dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) Lucas Miranda, o uso da vitamina D é indicado para pessoas que apresentam deficiência dessa substância. “Hoje, a suplementação de vitamina D, em forma de comprimidos, por exemplo, é feita somente pelos grupos de risco de deficiência da substância, e, mesmo assim, após exames, consultas e prescrição médica”, alerta.

Pele negra é mais resistente à 
contaminação pelo coronavírus? 
Mito

Artigos revelam que a pele negra produz anticorpos para combater a doença, o que ganhou evidência depois que um jovem camaronês, de pele negra, contraiu o vírus e foi curado. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o novo coronavírus pode ser contraído por qualquer um que esteve perto de indivíduos infectados, por meio das gotículas que a pessoa expulsa quando tosse ou espirra, ou que teve contato com superfícies ou objetos usados por pessoas infectadas. Ou seja, qualquer pessoa pode contrair a patologia, independentemente da cor da pele.

Usar luvas e máscaras protege 
da doença? 
Verdade

O uso da máscara só é recomendado para pacientes cuja contaminação foi confirmada ou com suspeita da doença. Profissionais de saúde devem usar a máscara N-95, enquanto, para os pacientes, a máscara recomendada é a cirúrgica simples. A recomendação para prevenção é descartar as máscaras a cada quatro horas, quando em ambientes externos. Dentro de casa, o uso da mesma máscara deve se manter até que ela fique úmida ou suja.

Pessoas com máscaras podem 
contrair o coronavírus? 
Verdade

A máscara protege contra a doença, mas não a evita. Além disso, há outras formas de contrair o coronavírus, mesmo utilizando a máscara. A principal forma de contágio é pelo ar, quando a pessoa contaminada tosse ou espirra, espalhando o vírus. Outra forma é o contato das mãos em superfícies contaminadas em até 24 horas após a propagação do vírus. Por isso é importante evitar tocar olhos, nariz e boca sem a higienização adequada das mãos. 
 
 
planos  vão 
pagar teste

Os testes para diagnóstico de novo coronavírus serão cobertos por planos de saúde, como informou onem o secretário-executivo de saúde do Ministério da Saúde, João Gabbardo. Segundo ele, a expectativa da pasta é de que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) faça uma resolução em rito simplificado, pulando a etapa de consulta pública, por exemplo. “Acredito que nas próximas 48h isso será resolvido”, disse. Os diretores da ANS reuniram-se ontem com representantes dos planos de saúde para debater o assunto. A ideia é acordar que, mesmo antes de a resolução ser publicada, as empresas já cubram o plano. O rol da ANS aponta quais procedimentos devem ser garantidos pelos planos de saúde sem que o cliente tenha de pagar. Em geral, a lista é atualizada a cada dois anos.
 

 


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