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Estado de Minas CASA PRÓPRIA

Juro baixo impulsiona construção de imóveis para baixa e média renda

Retomada de financiamentos tendo como fonte a caderneta de poupança e ampliação da clientela favoreceram operações da MRV em 2019. Empresa prevê nova expansão neste ano


postado em 03/03/2020 04:00 / atualizado em 03/03/2020 08:20

Produção e lançamentos feitos pela MRV tornaram o ano passado o melhor período da história da incorporadora(foto: MRV/Divulgação - 17/12/18)
Produção e lançamentos feitos pela MRV tornaram o ano passado o melhor período da história da incorporadora (foto: MRV/Divulgação - 17/12/18)

Com estratégia focada na ampliação da sua base de clientes e se aproveitando da redução da taxa de juros, a MRV Engenharia e Participações, maior construtora e incorporadora do país no segmento de imóveis de padrão de baixa e média renda, driblou as dificuldades que 2019 impôs à economia brasileira, sobretudo o desemprego alto e o rendimento apertado da população.

Após quatro anos, a companhia retomou financiamentos estruturados sobre encargos mais baixos pelo SBPE, sistema de financiamento ancorado na caderneta de poupança, e investiu numa nova parcela de consumidores, que têm renda superior à faixa atendida pelo programa Minha casa, minha vida, de subsídio à moradia popular.
 
Ainda como parte do trabalho para diversificar sua oferta de imóveis, a MRV lançou quatro empreendimentos para locação residencial e posterior venda por meio da marca Luggo, sua nova startup de locação residencial. O modelo de negócios foi viabilizado pelo primeiro fundo imobiliário residencial lançado no Brasil, abrangendo 2 mil cadastros de pessoas físicas e que captou R$ 90 milhões.
 
A combinação desses fatores à capacidade da companhia de atuar em 22 estados e 162 cidades, ao todo, capilaridade maior que seus concorrentes, permitiu à MRV vencer os desafios do ano passado, segundo o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores, Ricardo Paixão.

“Foi um ano em que tivemos como desafio diversificar a nossa oferta com outros tipos de empreendimentos financiados pela caderneta de poupança, por meio do nosso fundo imobiliário (o LUGG11) e também conseguimos fazer projetos-pilotos com bancos privados (Santander, Bradesco e Caixa Federal)”, afirmou.

A companhia registrou 2019 como o melhor ano de lançamentos de sua história, que somou R$ 69 bilhões em volume de vendas, crescimento de 7,4% em relação a 2018; e de produção, acréscimo de 7,3% na mesma base de comparação. Houve, também, um esforço que proporcionou o menor volume de distratos no período de um ano já visto na MRV. A queda foi de 50,6% ante 2018.
 
O retorno ao financiamento baseado na poupança, num cenário de juros baixos que favorece o setor imobiliário, resultou na ampliação da base de clientes da MRV e contribuiu para que a construtora reduzisse a sua dependência em relação ao MCMV, num ano no qual cresceram as restrições da Caixa para financiar o sonho da casa própria e encolheram os subsídios.
 
Na mesma toada, a MRV lançou linha de imóveis direcionados para o público de menor renda, entre R$ 2 mil e R$ 2,8 mil, que viu sua capacidade de compra ainda mais comprometida. “Com essa estratégia, expandimos ainda mais a base de clientes e estamos posicionados para atender a um mercado de 312 mil novas famílias todo ano, com renda entre R$ 2 mil e R$ 10 mil”, disse Ricardo Paixão.
 
A despeito da revisão para baixo das projeções de crescimento da economia brasileira, pelo próprio governo, neste ano, Paixão diz que a companhia mantém otimismo para suas operações em 2020. “O cenário macroeconômico está muito bom para o setor imobiliário e começamos a ver algumas melhorias, com a queda da taxa do desemprego e aumento real da renda do brasileiro”, afirmou o diretor de RI da companhia.
 
A equipe da MRV prepara nova operação voltada a empreendimentos projetados e desenvolvidos para o mercado de aluguel e, posteriormente, a venda a um fundo de investimento imobi- liário. Segundo Ricardo Paíxão, a meta é dobrar o número de construções nesse modelo de negócios ante 2018. Serão oito empreendimentos avaliados entre R$ 170 milhões e R$ 200 milhões, nem todos eles concluídos neste ano.

Finanças


Os destaques do balanço operacional da MRV, contudo, não se refletiram com a mesma intensidade do resultado financeiro de 2019. A empresa teve lucro líquido de R$ 690 milhões, sem variação relevante perante 2018. Houve ainda aumento do estoque de unidades, com o descasamento entre as 39.660 unidades produzidas no ano passado e o repasse de 33,5 mil imóveis. As diferenças espelham, de acordo com Paixão, aumento de custos que a companhia teve para contrabalançar as dificuldades maiores dos clientes no ano passado.

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