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Estado de Minas

Brigas de telefonias: As armas da TIM para desbancar a Claro

Operadora lança pacote de serviços que aumenta a oferta de entretenimento. CEO anuncia que empresa voltou para o jogo e quer desbancar a segunda colocada em número de clientes


postado em 05/06/2019 06:00 / atualizado em 05/06/2019 10:05

Pietro Labriola, CEO da Tim(foto: Patrick Rocha/Pinguim Pictures 4/6/19 )
Pietro Labriola, CEO da Tim (foto: Patrick Rocha/Pinguim Pictures 4/6/19 )

Rio de Janeiro – O italiano Pietro Labriola começou sua apresentação, no centro de convenções Riocentro, no Rio de Janeiro, reclamando do tempo que a TIM ficou sem anunciar algum projeto inovador.

O executivo assumiu como CEO da operação brasileira da operadora de telefonia móvel no início de abril e coube a ele anunciar – primeiro para os gerentes de vendas das lojas de todo o país e, mais tarde, para um grupo de jornalistas – que a companhia voltou para o jogo e está em busca de uma forma de desbancar a Claro, a segunda em número de clientes.

Um dos desafios dos executivos da companhia no último ano foi buscar uma forma de atrair novos clientes e fazer com que os atuais aderissem a serviços do pós-pago com um tíquete médio mais alto.

''A Vivo está em primeiro lugar e tenho de cumprimentá-la porque tem trabalhado bem. Agora, apesar de termos chegado atrasados com o plano família, queríamos apresentar algo inovador, com uma oferta de entretenimento, que pode nos levar ao segundo lugar''

. Pietro Labriola, CEO da TIM



Esse foi o ponto de partida para o lançamento do TIM Black Família, que começou a ser vendido nas lojas no último final de semana e desde a noite de ontem também passou a ser encontrado no site da companhia.

O plano familiar da operadora, além dos pacotes distintos de dados, entre 60GB e 180GB, inclui as assinaturas de plataformas de streaming, como  Netflix e Deezer.

A operadora pretende com esse movimento se tornar uma espécie de hub de entretenimento para os clientes. Outra novidade é que a sobra da franquia de dados pode ser carregada para o mês seguinte e será a primeira a ser consumida pelo cliente naquele período posterior.

Como o pacote é família, o titular da linha é quem decide quem incluir ou excluir do uso dos serviços, além de poder monitorar a forma como os serviços são utilizados. Nos próximos 90 dias, a companhia pretende lançar uma ferramenta que possibilita controlar o que é acessado pelos filhos.

O pacote de entrada, com 60GB, que pode ser usado pelo titular e mais dois dependentes, custará R$ 269,99. Já o topo de linha, com 180GB e até cinco dependentes vai sair por R$ 499,99.

Os valores dos pacotes mostram qual é a estratégia da TIM para tentar aumentar sua carteira de clientes e ultrapassar a Claro, a número dois desse mercado.

Hoje, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil tem 125,78 milhões de linhas pré-pagas e 102,85 milhões de pós-pagas, numa divisão de 55,11%/44,89%. A líder é Vivo, com 73,58 milhões de linhas (dados de abril).

A diferença entre a Claro e a TIM é de pouco mais de 1 milhão; número esse que Labriola espera mudar em breve, principalmente com a ajuda do TIM Black Family e os novos clientes que devem aderir a essa novidade. Nesse jogo, a Oi segue no quarto lugar, com 37,58 milhões de linhas, o que a coloca mais longe da briga pelos primeiros postos.

Apesar de fazer barulho com o novo produto, a missão de Labriola será árdua, já que ele encontrará pela frente um mercado que tem encolhido (só a italiana perdeu 4,06% de sua carteira nos últimos 12 meses, abaixo apenas da rival Claro, com queda de 4,43%).

Ao apostar na alta renda, no entanto, o CEO acredita que vai conseguir driblar o desânimo crescente do brasileiro em relação ao momento da economia. Para o executivo, seu diferencial será não o investimento em tecnologia, mas em prestação de serviço.

Para este ano, a Telecom Italia, controladora da TIM, estima que a operação brasileira tenha um crescimento de receita entre 2% e 5%. Em parte, esse acréscimo deverá vir do aumento da carteira de clientes que vão migrar do pré-pago para o pós-pago, como tem ocorrido com esse mercado de uma forma geral.

Configuração


A equipe de Labriola parece ter levado bem a sério essa missão. Tanto que no novo TIM Black Família, além da opção de resolver por conta própria problemas de configuração ou técnicos, o cliente, identificado como das classes A e B, poderá ser atendido por um funcionário, não por pelo serviço feito pelo robô, digitalizado, que barateia muito os custos das empresas, mas que tanto irrita os consumidores de diferentes serviços. Já o atendimento para os clientes dos demais pacotes continuará a ser realizado pelos assistentes digitais.

“A Vivo está em primeiro lugar e tenho de cumprimentá-la porque tem trabalhado bem. Agora, apesar de termos chegado atrasados com o plano família, queríamos apresentar algo inovador, com uma oferta de entretenimento, que pode nos levar ao segundo lugar”, detalha o executivo.

O CEO da TIM fez uma admissão de culpa do setor de telecom durante o evento ao analisar a reação das operadoras na época do lançamento de serviços como o Skipe e, principalmente, o WhatsApp, tratados como concorrentes que abocanhariam boa parte do segmento de chamadas telefônicas.

Hoje, Labriola avalia que esses aplicativos foram mal dimensionados, já que seu uso crescente poderia e vem gerando dividendos para as operadoras, que já dependem de dados para atenderam a demanda do consumidor. “O uso crescente dos dados não teria acontecido sem esses aplicativos”, afirma.


 




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