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Estado de Minas

Vale perdeu posição com rivais na Ásia e na Austrália

Com custos logísticos maiores, a empresa se diferenciou com a produção em Carajás, no Pará, e assumiu importante papel global, chegando a ocupar o primeiro lugar mundial em 2013


postado em 29/01/2019 06:00 / atualizado em 29/01/2019 07:58

Complexo minerador da Vale, em Carajás, atualmente a maior jazida de ferro do mundo, com alta concentração do metal (foto: Vale/Divulgação/AFP - 30/10/14)
Complexo minerador da Vale, em Carajás, atualmente a maior jazida de ferro do mundo, com alta concentração do metal (foto: Vale/Divulgação/AFP - 30/10/14)

São Paulo – Criada em 1942, no governo Getúlio Vargas, e privatizada em 1998, com Fernando Henrique Cardoso, a Vale chegou a ser a maior produtora de minério de ferro no mundo em 2013, depois de conquistar contratos bilionários com as maiores siderúrgicas do mundo, desde a alemã Thyssenkrupp até a japonesa Kimitsu e dezenas de fabricantes chinesas de aço.

“A estratégia de mercado da Vale chamou a atenção das concorrentes pela agressividade de suas negociações”, afirmou o russo Andrew Sedov, analista de mercado de ferro e aço da consultoria Deloitte. “Dificilmente a empresa perdia alguma concorrência, seja pela qualidade de seu minério, pelo preço ou pelas boas condições dos acordos.”

A Vale, no entanto, perdeu sua posição, especialmente pelo avanço da anglo-australiana BHP Billiton. Embora seja a maior do mundo em produção de minério de ferro em pelotas e de níquel, deixou de ser a mais valiosa. A rival australiana, que também é sócia na Samarco, com 50% de participação do capital cada uma, se tornou a principal fornecedora da China, e com grande vantagem de custo por razões geográficas. “Os custos da Vale, por razões logísticas e problemas de infraestrutura, tiram parte da competitividade diante dos baixos custos de produção na Ásia”, acrescentou Sedov.

De acordo com levantamento da Mining Global, que considera o valor de mercado das mineradoras no fim de 2017 (o último balanço consolidado disponível), as 10 maiores são BHP Billiton, Rio Tinto, China Shenhua, Glencore, Vale, Coal India, Barrick Gold, Newmont Mining, Anglo American, Energy Fresnillo (veja ranking abaixo). Nem todas, no entanto, atuam nos mesmos segmentos, e incluem outros metais em seus balanços, não apenas o minério de ferro. A Fresnillo, por exemplo, é a maior produtora primária de prata do mundo. As 10 maiores mineradoras do mundo somaram US$ 326,8 milhões em valor de mercado ao final de 2017.

Para se destacar no cenário internacional, o pulo do gato da Vale foi a aposta na exploração do minério em Carajás, no Sul do Pará, hoje a maior jazida de ferro do mundo. A alta concentração do metal agregou valor às exportações da empresa e passou a justificar novos contratos. Enquanto o custo de logística para a Ásia é de US$ 14,10 a cada tonelada de minério de ferro, a preço do transporte da Austrália para a China é de apenas US$ 3,50. Com um produto de melhor qualidade, se tornou uma das principais parcerias da Mitsui & Co., a Nippon Steel e a Sumitomo Metal Industries.

Além disso, a Vale diversificou suas fontes de receita, ajudando a reduzir seus próprios custos de produção. Hoje a empresa é uma das maiores operadoras de logística do país e uma grande produtora de manganês, ferroliga, cobre, bauxita, potássio, caulim, alumina e alumínio. No setor de energia elétrica, a empresa participa em consórcios e atualmente opera nove usinas hidrelétricas, no Brasil, no Canadá e na Indonésia.
n As gigantes da mineração

(Em US$ bilhões)

1º        BHP Billiton    87,86
2º        Rio Tinto    73,79
3º        China Shenhua    62,4
4º        Glencore    51,37
5º        Vale    40,17
6º        Coal India    24,62
7º        Barrick    18,28
8º        Newmont Mining    17,51
9º        Anglo American    17,33
10º     Energy Fresnillo    14,54

Fonte: Consultoria Mining Global


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