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Estado de Minas

Expansão global menor sacode países emergentes como o Brasil; entenda

Corte nas projeções do FMI para o crescimento do mundo em 2019, de 3,9% para 3,7%, e a guerra comercial desafiam iniciativas de nações para se recuperar


postado em 18/11/2018 06:00 / atualizado em 18/11/2018 08:34

Em encontro promovido pelo Fundo Monetário Internacional em outubro, ministros de finanças e executivos de bancos discutiram cenário internacional arriscado(foto: Stephen Jaffe/AFP - 13/10/18)
Em encontro promovido pelo Fundo Monetário Internacional em outubro, ministros de finanças e executivos de bancos discutiram cenário internacional arriscado (foto: Stephen Jaffe/AFP - 13/10/18)

Com um novo governo em formação, o Brasil volta as atenções para o cenário internacional ainda incerto no próximo ano. Analistas da economia e do mercado financeiro temem, a partir de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a desaceleração global em 2019, que, além de atingir as principais economias do planeta, pode impactar, em grau maior, as nações emergentes. Há possibilidade de o país ser menos afetado, se implementar reformas estruturais, principalmente na área fiscal, que contribuam para o enxugamento de gastos públicos, a captação de investimentos e a retomada da atividade econômica.


De acordo com Pablo Spyer, diretor de operações da corretora Mirae Asset, os indícios são de que o ano que vem será desafiador. “Vamos entrar em 2019 em meio ao processo de alta de juros nos Estados Unidos, que tira recursos dos emergentes. E ainda não se está dando atenção à potencial inflação que Mário Draghi (presidente do Banco Central Europeu) disse enxergar na Europa, querendo corroborar suas intenções de reduzir os programas de estímulo e começar também a subir juros por lá”, diz.


“Além disso, o protecionismo, que pode se ampliar, com a guerra comercial travada pela China, e fomentada pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, também é um risco sério”, completa Spyer. Em seu último relatório, o Fundo Monetário Internacional reduziu de 3,9% para 3,7% a previsão de avanço da economia global em 2019.


Na semana passada, a agência de classificação de risco Moody’s divulgou documento em que também diz ver crescimento menor da economia mundial no próximo ano. De acordo com a Moody’s, além da tensão entre EUA e China, o tumultuado processo de saída do Reino Unido da União Europeia, a instabilidade na Turquia e, especialmente, na Itália, afetarão a economia mundial.


Para Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central (BC), apesar de eventuais sinalizações de uma desaceleração, o cenário global não é sombrio. “Não tenho uma visão pessimista, embora também não haja nada parecido com o otimismo que vivemos entre 2003 e 2008. Não é aquele clima, mas também não estou vendo nenhuma recessão mundial”, avalia.
“Alguns cenários não são tranquilos, como o da Argentina, que é uma economia interligada com o Brasil, além da América Latina como um todo, que não tem desempenho brilhante. Já na Europa, há um cenário de freio na Zona de Euro, porém os EUA continuam em situação forte”, pondera.


A expansão da economia norte-americana, que cresceu 3,5% em termos anualizados no terceiro trimestre, é um dos fatores que tem levado o Federal reserve (Fed, o banco central do país), a implementar uma política gradual de elevação dos juros, de modo a manter a inflação na meta anual de 2%. Porém, na visão de César Bergo, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), o ciclo econômico nos EUA não deve apresentar queda expressiva nos próximos anos.


Embora mantenha altos índices de desemprego, déficit fiscal elevado e ainda não tenha conseguido recuperar taxa robusta de crescimento, o Brasil tem uma situação tranquila em outros indicadores econômicos. A inflação acumulada em 12 meses está em 4,56%, levemente acima do centro da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em 2018, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra alta de 3,81%, com previsão de encerrar o ano em 4,23%, de acordo com o último Boletim Focus, do Banco Central, que ouve uma centena de analistas de bancos e corretoras. O juro básico da economia (a taxa Selic, que remunera os títulos do governo no mercado financeiro e serve de referência para as operações nos bancos e no o comércio) estão no menor nível histórico, de 6,5% ao ano, desde março passado.


Segundo Marcel Balassiano, pesquisador sênior da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), diante dos desafios de2019, as reformas é que ditarão o posicionamento do governo diante da conjuntura global. “O principal desafio macroeconômico é o déficit fiscal. A reforma da Previdência vai ser um dos principais desafios a ser enfrentado no ano que vem. Ao longo dos últimos anos, o governo expandiu largamente seus gastos e a dívida pública bruta aumentou muito”, afirma.

Investimento De acordo com Balassiano, outro entrave é a volta dos investimentos estrangeiro ao país, que pode ser dificultada por vários fatores. “É um processo de recuperação lenta e gradual. Em 2017, crescemos 1%. Neste ano, devemos avançar1,5%. Com isso, os investimentos ficaram parados. Agora, com a expectativa criada pelo novo governo, a previsão é de que a aplicação seja mais forte”, avalia. “Passamos por quatro anos de quedada taxa de investimentos. Ela era superior a 20% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma da produção de bens e serviços) e caiu para 15%. Reverter isso é de fundamental importância.”

*Estagiário sob a supervisão de Odail Figueiredo

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