Publicidade

Estado de Minas

Casino conta com Amazon para recuperar fôlego

Controlador do GPA no Brasil, grupo francês comemora parceria com gigante do e-commerce


postado em 11/10/2018 06:00 / atualizado em 11/10/2018 16:24

Jean-Charles Naour, presidente do Casino, grupo que perdeu quase um terço de seu valor de mercado (foto: Philippe Wojazer/Reuters 21/2/13)
Jean-Charles Naour, presidente do Casino, grupo que perdeu quase um terço de seu valor de mercado (foto: Philippe Wojazer/Reuters 21/2/13)


 

 



São Paulo –
O Casino vem enfrentando nas últimas semanas uma série de informações e contrainformações sobre sua saúde financeira e a possibilidade de se desfazer de ativos para se manter no jogo. Controlador do GPA no Brasil, o grupo francês, presidido por Jean-Charles Naouri, perdeu quase um terço de seu valor de mercado desde o início do ano, o que levou o executivo a afirmar recentemente, em entrevista ao jornal inglês Financial Times, que vê um ataque especulativo de fundos.

Chegou-se a falar que a solução estaria na venda de alguns de seus ativos, o que passaria pelo GPA. A informação foi negada pela empresa brasileira no último dia 3, por meio de comunicado no qual afirma ter recebido a garantia de que o Casino não contratou instituições financeiras para buscar interessados no negócio.

No último dia 1º, o Casino conseguiu um bom fôlego financeiro com a venda de uma carteira imobiliária no valor de 565 milhões de euros para uma divisão do grupo italiano de seguros Generali.

Outra parte importante em um momento em que o Casino tenta se recuperar tem sido os investimentos em tecnologia, inclusive por meio de associações, como a que fez entre sua bandeira de supermercados Monoprix e o serviço AMZ.O, da Amazon Prime, para a cidade de Paris.

PARCERIA Ontem, o presidente-executivo da Monoprix, Regis Schultz, disse à agência Reuters que os pedidos estão superando as expectativas e que espera que o serviço de entrega seja estendido a outras cidades, o que vai depender de uma decisão da Amazon.

Schutz informou que quase um mês depois do lançamento do serviço, o número de pedidos foi superior de duas a três vezes, o que era previsto pelas duas empresas. “Uma primeira avaliação é muito, muito satisfatória. Nossa prioridade agora é expandir o serviço”, disse o executivo à agência. A Monoprix, segundo o executivo, conseguiu acesso a 70% a 80% de clientes da Amazon Prime que ainda não faziam parte da sua carteira, especialmente escritórios.

Com a parceria, a Monoprix passou a oferecer os contratos para o serviço de fidelidade Prime, da Amazon, em suas lojas, o que garante a entrega dos pedidos para os clientes em até duas horas. Por essa razão, a bandeira francesa é vista por especialistas em varejo como uma espécie de Whole Foods para a Amazon. A rede varejista dos EUA foi comprada pela gigante do e-commerce e hoje é um importante canal de comunicação com os consumidores.

A aproximação entre Monoprix e Amazon, no entanto, é um pouco mais antiga. Começou em março, quando a empresa francesa passou a ser a primeira varejista a ter seus produtos vendidos no site da Amazon. A decisão causou alvoroço no competitivo varejo da França. Seria o mesmo que, no Brasil, ver o Pão de Açúcar oferecer suas mercadorias na Amazon.

Como a Monoprix é considerado um dos ativos mais importante do Casino, há quem aposte que a recuperação financeira da companhia passe pela venda dessa bandeira – a Amazon poderia ser uma das interessadas, já que vem fazendo essa aproximação desde o início do ano.

Depois da aquisição da Whole Foods Market, por US$ 13,7 bilhões, em 2017, a Amazon Prime fez um acordo para a venda dos produtos da rede britânica Morrisons, o que levou à especulação sobre um possível grande movimento de aquisição na Europa. Com isso, o contrato com a Monoprix é tido por analistas como uma espécie de namoro que pode virar um compromisso mais sério.

VENDA NEGADA Para Schutz, o acordo comercial em vigor hoje não deve levar a outros negócios. “Hoje isso não é o espírito dos nossos acordos”, disse à Reuters. Como é de se esperar, o executivo também negou o plano de venda da marca: “Isso é mera especulação. Não é nisso que eu me concentro”.

Atualmente, a Amazon Prime oferece 6 mil itens da Monoprix. As mercadorias são preparadas em uma das lojas da bandeira francesa e entregues pela companhia americana. Por enquanto, apenas um terço da capital francesa conta com o serviço.

O varejo francês tem se mexido na direção das compras pelo comércio eletrônico. O Carrefour, por exemplo, lançou até agora seis pontos de coleta em Paris que possibilitam aos clientes fazer encomendas on-line e retirá-las nesses locais. 


Procurado pela reportagem para comentar sobre a possibilidade de haver um acordo com a Amazon também no Brasil, o Casino descarta que haja alguma conversa nesse sentido.

 

 

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade