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Estado de Minas

Banco Mundial, OMC e FMI alertam sobre necessidade de mudar normas do comércio mundial

Entidades argumentam ainda o risco de uma demora prejudicar o crescimento econômico internacional


postado em 01/10/2018 06:00 / atualizado em 01/10/2018 07:59

  

Porto de Long Beach, na Califórnia: sobretaxação mútua de mercadorias entre Estados Unidos e China gera temor internacional(foto: Frederic J. Brown/AFP)
Porto de Long Beach, na Califórnia: sobretaxação mútua de mercadorias entre Estados Unidos e China gera temor internacional (foto: Frederic J. Brown/AFP)

Washington – A falta de reformas nas normas do comércio internacional alimenta tensões, sob o risco de prejudicar o crescimento econômico mundial e a redução da pobreza, alertam a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM).

O intercâmbio de serviços representa dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) e do emprego no mundo, assim como quase metade do comércio mundial, “mas as tarifas atuais sobre os serviços são tão elevadas como eram os impostos sobre os bens (fabricados) há 50 anos”, destacam em um relatório conjunto as organizações.


De acordo com as três instituições, as mudanças na natureza do comércio não se refletiram plenamente na evolução da regulamentação internacional. O documento foi publicado depois que muitos pedidos foram registrados nos últimos meses, especialmente na Europa, Canadá e Estados Unidos, para reformar a OMC. A integração plena do comércio de bens e serviços “pode ter um papel muito maior no fomento da prosperidade”, afirma o relatório, que não faz recomendações específicas.


Na opinião dos três organismos, é necessário fazer com que as oportunidades comerciais oferecidas, por exemplo, pela tecnologia da informação ou o comércio eletrônico “sejam refletidas na política comercial atual”.

Além disso, as três instituições recordaram que a abertura do comércio internacional depois da Segunda Guerra Mundial e até o início da década de 2000 contribuiu em grande medida para melhorar o nível de vida e reduzir a pobreza no mundo, “mas isto continua sendo incompleto” na atualidade.


As tarifas de importação foram drasticamente reduzidas, começando pelos países desenvolvidos, seguidos depois pelas economias emergentes e em desenvolvimento. Passaram em média 31% em 1980 para 9% em 2015 nos países emergentes e de 10% para 4% nos países mais avançados “graças às reformas” adotadas até o início da década de 2000.

As três organizações também recordam que o volume do comércio aumentou em média 7% durante a década de 1990, um índice duas vezes maior que o crescimento do PIB mundial, mas depois desacelerou para uma taxa de 1,5% entre 2001 e 2007.


“A desaceleração se deve principalmente a um ritmo mais lento das reformas comerciais após o notável progresso realizado desde a década de 1980 até o início da década de 2000”, insistem. Em seu relatório, as três organizações destacam que as tarifas e algumas nacionais impedem atualmente a expansão do comércio internacional.

Cada vez mais países – principalmente europeus, Canadá e Estados Unidos – consideram que a OMC não responde de maneira apropriada às distorções comerciais provocadas especialmente pela China, que acusam de subsidiar em grande escala sua economia.

Na quinta-feira, a OMC reduziu a previsão de crescimento para o comércio mundial em 2018 e 2019 (3,9% e 3,7%) em consequência da “exacerbação das tensões comerciais”. Estados e China protagonizam há alguns meses uma guerra comercial com a imposição mútua de tarifas de importação adicionais.

Apreensão com
sobretaxações

O governo americano começou a aplicar tarifas de 10% sobre novos bens importados da China por US$ 200 bilhões na semana passada, em mais um passo na guerra comercial entre ambas as potências, que ameaça o crescimento econômico mundial. Pequim respondeu quase imediatamente, com tarifas de importação de 5%, ou 10%, sobre produtos americanos, por US$ 60 bilhões.

A troca de tarifas punitivas entre as maiores economias do mundo começou em julho, quando foram impostas, reciprocamente, tarifas de 25% a mercadorias, de aproximadamente US$ 50 bilhões.

As tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já afetam 12% das importações totais dos EUA este ano. Desde que chegou à Casa Branca, em janeiro de 2017, Trump exige que a China acabe com práticas comerciais que ele considera desleais e que retiram, segundo Washington, investimentos e destroem empregos no mercado norte-americano.

“Essas práticas são uma séria ameaça a longo prazo para a prosperidade econômica dos Estados Unidos”, disse ele, ao anunciar as novas tarifas, em setembro.

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